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‘A arte na Igreja expressa, antes de tudo, sua autocompressão’

Cardeal Scherer participou de debate on-line sobre Liturgia e Arte, na quarta-feira, 15

‘A arte na Igreja expressa, antes de tudo, sua autocompressão’
Reprodução da Internet

O Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Labô) da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) promoveu na quarta-feira, 15, um debate on-line sobre Liturgia e Arte, que reuniu centenas de pessoas por meio da plataforma zoom.

O evento contou com a presença do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Grão-Chanceler da PUC-SP, e da professora Wilma Steagall de Tommaso, Doutora em Ciências da Religião e coordenadora do grupo de pesquisa do Labô “A Imagem de Deus: Religião, História e Arte”.

ARTE SACRA NO BRASIL

Colonizado por um povo de tradição católica, a arte brasileira é marcada pelo Barroco, conforme destacou Wilma Tommasso: “O barroco marcou a nossa cultura por séculos, devido à colonização portuguesa. Essa mentalidade é ainda muito forte e cara ao nosso povo.”.

Segundo o Cardeal Scherer, essa arte demorou um pouco para se expressar de maneira significativa no Brasil, porém deixou um importante patrimônio artístico da época colonial, sobretudo nas cidades históricas. 

“O Barroco seguiu muito a arte daquilo que é a fé católica, reproduzindo na arte muito do que são as visões das percepções de mundo e realidade da pessoa humana e da fé, a partir de uma visão da nossa Igreja. Isso naturalmente influenciou também a primeira arte no Brasil”, reiterou.

ARTE LITÚRGICA

Segundo Wilma Tommasso, com o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), convocado por São João XXIII, houve significativas mudanças na liturgia, e, assim, “a nova arte sacra tem a denominação de arte litúrgica, pois a arte é um serviço litúrgico”.

A pesquisadora recordou que a arte litúrgica contemporânea tem inspiração do primeiro milênio, época em que, nos mosaicos e afrescos, eram retratadas as Sagradas Escrituras em formas e cores, como utilizam os artistas contemporâneos Claudio Pastro, falecido em 2016, e Padre Marko Ivan Rupnik. Para o Arcebispo de São Paulo, essa arte é uma importante forma de evangelização.

 “A arte na Igreja expressa, antes de tudo, sua autocompreensão, aquilo que a Igreja crê, expressa também aquilo que é a sua compressão de Deus e do mundo. A arte nos fala e nos ensina um pouco o ‘Catecismo dos pobres’, e foi muito desse sentido o uso da Arte na Igreja, também para que aqueles que não eram letrados pudessem compreender bem, mesmo não lendo. Foi uma forma não discursiva de ensinar e também de compreender”, concluiu.

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