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Para que a angústia também não vire uma pandemia

Cuidar da saúde física e mental e vivenciar a fé são atitudes indispensáveis para suportar a quarentena

Muitas cidades brasileiras estão com medidas de isolamento social há quase três meses. Diante das incertezas a respeito de quando a vida retornará plenamente “ao normal”, já são muitos os relatos de pessoas angustiadas.

Para que a angústia também não vire uma pandemia
(Crédito: Pixabay)

Em maio, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) divulgaram os resultados de uma pesquisa on-line, com mais de 44 mil pessoas, na qual se apontou, entre outros indicadores, que 40% dos entrevistados se sentem mais tristes e deprimidos do que antes da pandemia e 54% revelaram estar mais ansiosos ou nervosos.

O jornal O SÃO PAULO, a partir de conversas com especialistas e recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), apresenta uma lista de comportamentos válidos para que a angústia também não se torne um problema neste período de incertezas.

Não se deixe levar por pensamentos ruins

De acordo com a psicóloga clínica Michele Souza Meneses, uma das atitudes recomendadas neste momento é monitorar os pensamentos negativos sobre a incapacidade de superar os problemas: “É preciso pensar sobre o pressuposto de que ideias do tipo ‘eu não presto’, ‘vai dar tudo errado’, ‘eu não vou arranjar emprego’ sejam verdadeiras. Você deve analisar toda a sua trajetória e ver o quanto esse pensamento negativo é pequeno diante de tudo o que você é, já viveu e de toda a experiência que tem”.

Evite o excesso de notícias sobre a pandemia

Ter um excessivo contato com o noticiário acerca da pandemia de COVID-19 também é algo a ser evitado, conforme recomendou a OMS, em um subsídio sobre saúde mental, elaborado em conjunto com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas): “Reduza o tempo gasto assistindo, lendo ou ouvindo notícias que o façam se sentir ansioso ou angustiado; busque informações apenas de fontes confiáveis, principalmente para que você possa tomar medidas práticas para preparar seus planos e proteger a si próprio e a seus entes queridos. Busque atualizações de informações em horários específicos, uma ou duas vezes por dia. Atenha-se aos fatos, não a rumores ou informações erradas”.

Acredite na providência divina

Padre Pedro Augusto Ciola de Almeida, Pároco da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Região Lapa, lembrou à reportagem que fatores como a redução de salários, o desemprego e a própria dificuldade para praticar a fé têm angustiado as pessoas. “A angústia geralmente é sentida como um aperto no peito, uma sensação de vazio inexplicável, acompanhada de uma ansiedade e uma dolorosa incerteza, trazendo irritabilidade e desespero”, observou.

Para que a angústia também não vire uma pandemia
(Crédito: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

“O medo em relação ao que vai acontecer pode-se tornar maior do que o medo de alguma coisa concreta e determinada. Nesse sentido, a imaginação do sofrimento pode ser pior do que o sofrimento real. A angústia com o presente diante do futuro foi tema de diversos diálogos de Jesus com seus discípulos, para que não pensassem que seu caminho dependesse somente dos meios humanos, desconsiderando os dons espirituais. Veja, ‘os corvos não semeiam nem colhem, não tem celeiro nem despensa. No entanto, Deus os sustenta’ (Lc 12,24). Aconselho as pessoas a acreditar na providência de Deus, cultivar sua vida de oração e solidariedade, bem como a ver nas dificuldades novas formas de abrir caminhos”, afirmou o Sacerdote.

Compartilhe boas experiências

A OMS orienta que as pessoas se mantenham em contato com os amigos e parentes pelas redes sociais, telefone e e-mail e, sempre que possível, sejam compartilhadas informações e experiências positivas.

Uma dessas ações pode ser o compartilhamento da fé em família, algo que tem crescido nesta quarentena, conforme observou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, em uma live, em 24 de maio. “Quantas coisas bonitas estão acontecendo agora no tempo da pandemia nas famílias católicas: elas rezam juntas, assistem à missa, mesmo quem antes não ia à igreja, agora, em casa, participa da missa. E quantas mães, avós e famílias inteiras estão fazendo catequese em casa, quantas narrativas, quantas histórias de santos que estão sendo lidas neste tempos! É uma redescoberta da Igreja doméstica”, apontou.

Valorize as atividades em família

Para que a angústia também não vire uma pandemia
(Crédito: Reprodução da internet)

Na medida do possível e sem se expor aos riscos de contágio, a rotina familiar deve ser mantida, com o acréscimo de situações que permitam a interação entre todas as gerações. “Mantenha rotinas e horários regulares tanto quanto possível ou crie novas rotinas em um novo ambiente, incluindo exercício físico regular, faxina, tarefas domésticas diárias, canto, pintura ou outras atividades”, recomenda a OMS.

Seja maleável com a própria rotina de trabalho

A OMS orienta aos que estão trabalhando em casa que busquem “descanso e pausas suficientes durante o trabalho ou entre turnos”.

A psicóloga Michele aponta que a rotina de trabalho deve se ajustar à realidade de cada família, levando em conta que, por vezes, mais de uma pessoa na casa está no regime home-office: “Trabalhar por um tempo muito longo durante o dia acaba desgastando demais. Se você dividir esse período, intercalando-o com outras atividades, isso levará a um desgaste menor”.

Faça atividades físicas dentro das suas possibilidades

A OMS também aponta que a prática diária de exercícios físicos em casa pode ajudar na manutenção da mobilidade e na diminuição do tédio, devendo este hábito ser acompanhado de uma rotina equilibrada de sono, hidratação e alimentação. Michele ressalta que isso deve ser feito sem uma cobrança por resultados: “Não adianta querer ser como as outras pessoas. O importante é cuidar do seu corpo na medida das suas possibilidades, de seus recursos, que muitas vezes são escassos”.

Evite os extremos na alimentação

Para que a angústia também não vire uma pandemia
(Crédito: Freepik)

Alimentar-se adequadamente também é indispensável para a manutenção do bem-estar. De acordo com a nutricionista Amanda Costa, devem ser evitadas atitudes extremas: “Neste momento de confinamento, é importante não fazer restrições intensas: diminuir o consumo de calorias, fazer uma restrição severa ou, menos ainda, o corte de carboidratos, pois eles são fundamentais para nutrir o nosso sistema imunológico. Pensando no condicionamento físico e na saúde, é fundamental uma dieta equilibrada, que contenha frutas, legumes, verduras, além de boa hidratação – ingestão de água, chás e sucos naturais –, deixando estratégias mais específicas para quando tivermos retomado a rotina normal”.

O sol não está de quarentena

Manter o contato diário com o sol continua muito válido. “A maior parte da vitamina D do organismo, mais de 80%, é produzida na pele, após exposição solar leve e habitual, em atividades como breves caminhadas, pendurar a roupa no varal ou levar o lixo até a rua. Da mesma forma, ocorre quando o sol que entra através da janela aberta toca a pele dos indivíduos enquanto caminham pela casa”, consta em um comunicado, de 12 de abril, da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

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