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Pela comunhão dos santos, o cristão vive sua pertença à Igreja

Este período de pandemia e isolamento social é um convite para os cristãos renovarem a fé e aprofundarem o seu sentido de pertença à Igreja de Cristo. Desse modo, os artigos da profissão de fé, o “Creio”, ajudam a enfrentar estes dias difíceis em uma perspectiva sobrenatural.

Mais do que nunca, a afirmação “Creio na comunhão dos santos” é uma dessas verdade de fé que possibilitam ao fiel compreender que a Igreja é uma realidade que vai além do tempo e do espaço, e cuja ação não pode ser limitada por uma quarentena.

IGREJA

No artigo publicado pelo jornal O SÃO PAULO em 15 de abril, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, propôs uma reflexão a partir da pergunta: “Onde anda a Igreja?”, destacando que estes dias de igrejas vazias o levaram a pensar muito na realidade da comunhão dos santos.

“Essa ‘comunhão dos santos’ diz respeito ao próprio ser da Igreja, que é a comunidade dos discípulos de Cristo do passado, presente e futuro, dos santos e dos pecadores, que se reúnem para as celebrações e dos ausentes delas.”

De fato, depois de afirmar “Creio na Santa Igreja Católica”, o Símbolo dos Apóstolos acrescenta “na comunhão dos santos”. “Este artigo é, em certo sentido, uma explicitação do anterior: pois ‘que é a Igreja, se não a assembleia de todos os santos?’. A comunhão dos santos é precisamente a Igreja”, explica o Catecismo da Igreja Católica (CIC), 946.

CORPO DE CRISTO

Para compreender melhor esse dogma, é preciso voltar à definição que o Apóstolo São Paulo faz da Igreja como o corpo do próprio Cristo, especialmente no capítulo 12 da Primeira Carta aos Coríntios.

Ao comentar sobre essa natureza da Igreja, o Papa Francisco, na Catequese de 19 de junho de 2013, afirmou que a Igreja não é uma associação assistencial, cultural ou política, mas é um corpo vivo, que caminha e age na história. “E este corpo tem uma cabeça, que é Jesus, que o guia, nutre-o e sustenta-o”, disse.

Nesse sentido, o Catecismo ressalta que a expressão comunhão dos santos tem dois significados estreitamente ligados: “comunhão nas coisas santas (sancta) e comunhão entre as pessoas santas (sancti) … Os fiéis (sancti) são alimentados pelo Corpo e Sangue de Cristo (sancta), para crescerem na comunhão do Espírito Santo (Koinonia) e a comunicarem ao mundo” (CIC, 948).

CÉU E TERRA

A comunhão dos santos também ajuda a compreender os três estados que constituem a Igreja de Cristo: 

  • Igreja militante: constituída por todos aqueles batizados que estão vivos e peregrinam neste mundo e caminham para a eternidade celeste;
     
  • Igreja padecente: formada por aqueles que “morreram na graça da amizade, mas não estão de todo purificados, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu”, isto é, o purgatório (CIC, 1030).
     
  • Igreja triunfante: constituída por todos aqueles bemaventurados que estiverem purificados e contemplam Deus face a face no céu, “o estado de felicidade suprema e definitiva” (CIC, 1024).

“Nós cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja; e cremos que, nesta comunhão, o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre atento às nossas orações”, afirmou São Paulo VI, na Carta Apostólica Sollemnis professio fidei (1968).

A Constituição Dogmática Lumen gentium, do Concílio Vaticano II, destaca que: “Todos, porém, comungamos, embora de modo e grau diversos, no mesmo amor de Deus e do próximo, e todos entoamos ao nosso Deus o mesmo hino de glória. Com efeito, todos os que são de Cristo e têm o seu Espírito, formam uma só Igreja e Nele estão unidos uns aos outros”.

PARTICIPAÇÃO

Na terra, os cristãos participam dessa comunhão por meio da fé comum, pelos sacramentos, pelos carismas distribuídos pelo Espírito Santo, pela partilha dos bens espirituais e materiais e pela caridade.

A comunhão com aqueles falecidos que são purificados no Purgatório se dá por meio da oração da Igreja militante, que oferece continuamente suas preces e sacrifícios, especialmente o santo sacrifício da missa, em sufrágio dessas almas.

“Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam venerou, com muita piedade, desde os primeiros tempos do cristianismo, a memória dos defuntos; e, ‘porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados’ (2Mc 12,46), por eles ofereceu também sufrágios” (CIC, 958).

Já aqueles que habitam a Igreja triunfante, os santos, participam dessa comunhão por meio da sua intercessão junto a Deus. “Assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e cabeça, toda a graça e a própria vida do povo de Deus” (CIC, 957).

EUCARISTIA

Portanto, estar em comunhão com a Igreja é estar unido a todos aqueles irmãos que estão nessas três realidades. E um dos meios mais eficazes de experimentar essa união é a Eucaristia, memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

“É por este sacramento que nos unimos a Cristo, o qual nos torna participantes de seu Corpo e de seu Sangue para formarmos um só corpo”, destaca o Catecismo, afirmando, ainda, que a comunhão eucarística é  “o sentido primário da comunhão dos santos… pão dos anjos, pão do céu, remédio de imortalidade, viático…” CIC, 1331).

Desse modo, cada vez que um sacerdote preside uma missa e oferece, na pessoa de Jesus Cristo, o único e eterno sacrifício redentor, unindo o céu e a terra, o faz em favor de toda a Igreja, ou seja, dos santos, dos falecidos e de todos os fiéis que estão isolados em suas casas, unidos em oração e comunhão espiritual.

POVO DE CRISTO

“A Igreja é esse imenso povo que Cristo reuniu mediante o anúncio do Evangelho e que adere a Ele pela fé. Os santos no céu são, certamente, a parte mais numerosa e bela dessa imensa comunhão comunidade e já vivem na ‘Jerusalém celeste’, participando plenamente da vida e da glória do Ressuscitado. Somos os que chegaram por último e ainda peregrinamos nesta vida, à espera do cumprimento pleno das promessas de Deus. Enquanto isso, voltamos nosso olhar, cheio de esperança, para Jesus Cristo, Senhor da Igreja”, ressaltou o Cardeal Scherer.

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