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Com todo o cuidado, ‘partilhando o pão’ com quem mais precisa

Voluntários da Casa de Oração do Povo da Rua contam ao O SÃO PAULO como tem sido realizado o preparo e distribuição de comida a quem mais precisa

Com todo o cuidado, ‘partilhando o pão’ com quem mais precisa
Voluntários da Casa de Oração do Povo da Rua

A Casa de Oração do Povo da Rua, no bairro da Luz, região central da cidade de São Paulo, não interrompeu o serviço prestado a essa população após a declaração da quarentena, em decorrência da pandemia de coronavírus. O espaço, porém, realizou algumas mudanças necessárias para que a saúde de voluntários e assistidos não fosse comprometida.

“Nos primeiros dias, eu me lembro que nós espaçamos as mesas, colocando um metro e meio entre elas e pedindo que eles (os atendidos) se sentassem um em cada mesa antes da refeição. No entanto, os grupos que faziam entregas de marmitas nas ruas se ausentaram, o que é compreensível, mas, essa ausência trouxe a fome e aumentou muito o número de pessoas que chegam à casa de oração pedindo algo para comer”, recordou Ana Maria da Silva Alexandre, coordenadora do espaço, completando que a nova demanda fez com que novas estratégias precisassem ser elaboradas.

Uma das primeiras mudanças foi a suspenção das refeições no refeitório, para evitar as aglomerações. No início, todos se reuniam ao lado da casa e, em círculo, faziam um momento de oração e partilha do alimento, mas como a quantidade de procura não parou de crescer e por “perceber no olhar e na fala daquelas pessoas uma ansiedade, a fome era bem clara”, os voluntários e funcionários pensaram em uma nova maneira de saciar a necessidade.

Decidiu-se, então, uma organização por meio de um cartão, uma espécie de vale, que gerasse a confiança de que todos poderiam comer.

Ana Maria salientou que atualmente 70 voluntários, em dias alternados, trabalham no preparo e distribuição das cerca de 2 mil marmitas, que hoje é feita em outros pontos da região central, como a Cracolândia. Parte dessas doações são preparadas em entidades parceiras, mas, assim que chegam no espaço são esterilizadas e guardadas em caixas de isopor, que também, recebem higienização.

Os itens preparados no espaço também recebem os cuidados indicados pelas autoridades sanitárias, os voluntários saem para distribuição com equipamentos de proteção individual e orientações preventivas.

MUITOS, POR TODOS ELES

O jornal O SÃO PAULO apresenta o relato de alguns, dos inúmeros voluntários, que se dividem e seguem atuando no atendimento à população de rua.

Carlos Pinheiro, colaborador da Uniafro Brasil, Núcleo Luz, frisou que: “a nossa atuação na pandemia, foi de somar forças junto a outros grupos, para conseguirmos confeccionar os alimentos e distribuí-los com segurança sanitária para os voluntários e que também não coloque em risco os que recebem essas marmitas”.

Para isso, existe um protocolo para o que frequentam a cozinha do espaço, que inclui entre outras coisas, a lavagem das mãos constantemente e álcool em gel antes, durante e depois da distribuição.

Também atuante na Uniafro Brasil, Mayra Ribeiro recordou que a ação tem como objetivo minimizar o número de mortes pela COVID-19: “As práticas que temos utilizado são as luvas, a máscara, o distanciamento social e, principalmente, a agilidade das entregas e a instrução. Entregamos também máscaras e muita água, pois a hidratação é essencial para que a saúde seja mantida”.

Frei Abraão, religioso da Fraternidade Missionária o Caminho, considera fazer parte de “um exército salvador de almas com a preparação do café da manhã com toda a equipe religiosa na minha casa de segunda a domingo, estamos aqui presentes na cada de oração. Um trabalho que já realizamos, mas que com a pandemia estamos mais presentes”.

Paulo Henrique de Souza Barbosa, agente pastoral da Casa de Oração, explicou que “desde que começou a COVID-19, nós temos tomado todos os cuidados necessários, lavamos as mãos constantemente. Quando preparamos os alimentos, usamos tocas e luvas”.

A voluntária Valci Queiroz reiterou sobre o planejamento preparado e atividades durante toda a semana para “atingir o maior número de pessoas que se encontram em situação de rua”.

Wellington Cardoso, fundador da Comunidade Recomeçar, esclareceu que todas as quintas-feiras, o grupo se reúne “para preparar as marmitas e levar aos irmãos em situação de rua na Cracolândia”.

Anielly Cardoso, da Comunidade Missão Mensagem de Paz, detalhou como é feita a ação: “nos encontramos na comunidade e fazemos uma oração na capela, para que Deus nos conduza no preparo dos alimentos o decorrer do dia”.

Antônio Carlos Araújo sente orgulho em distribuir as fichas de acesso a marmitas e pela orientação: “de como lavar as mãos, usar o álcool em gel e também sobre a realidade da pandemia no País”.

Josefina Efigênia Rosa, que é professora aposentada e já atuava como voluntária na Casa de Oração ampliou sua colaboração com o espaço. “O trabalho aumentou consideravelmente e procuramos fazer um trabalho com o máximo possível de higiene e segurança tanto para nós quanto para as pessoas que temos contato”.

Josiane Alessandra Alves dos Santos também detalhou o que é feito: “Nos paramentamos para mexer nos alimentos com luva, máscara e toca. Os alimentos são sempre fervidos. Nas entregas, estamos sempre com luvas e aventais para atender as pessoas que estão nas ruas com muito carinho”.

Ana Maria assegurou, por fim, que as marmitas são levadas diariamente às pessoas em situação de rua. “Mais do que levar alimentação, água e kit de higiene, essas pessoas levam amor cristão para as ruas, levam um pouco de esperança. Eu sempre digo que fazemos o que Jesus nos ensinou: partilhamos o pão”.

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