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Dom Giovanni d’Aniello: ‘Levo comigo o testemunho de uma Igreja viva’

Dom Giovanni d’Aniello: ‘Levo comigo o testemunho de uma Igreja viva’
Dom Giovanni d’Aniello, preside missa no Santuário Nacional de Aparecida
(Foto: Luciney Martins)

Núncio Apostólico no Brasil desde 2012, Dom Giovanni d’Aniello presidiu uma missa nesta quinta-feira, 23, no Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, em ação de graças pelo trabalho realizado no País e despedir-se da Igreja no Brasil após ser nomeado pelo Papa Francisco, em 1º de junho, para assumir a Nunciatura Apostólica na Rússia. 

A Eucaristia foi concelebrada por diversos bispos do Estado de São Paulo e não  teve a participação presencial de fiéis, devido a pandemia de COVID-19, sendo transmitida pelos meios de comunicação.

Ao acolher o Núncio Apostólico, o Arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, ressaltou que Dom Giovanni foi ao Santuário Nacional como peregrino para dar ação de graças a Deus pelos mais de oito anos de trabalho no Brasil.

Dom Orlando recordou um trecho de um discurso do Papa Francisco em 2019, em que ressaltou que a vida dos núncios apostólicos é itinerante e que estão sempre comas as malas na mão, como Abraão, a caminho. “É um sacrifício despojar-se de projetos, amigos, vínculos criados em vossos trabalhos, começar sempre de novo, viver do provisório, não ter lugar onde criar raízes e sem comunidade estável. No entanto, vós leais Cristo lá onde sois destinados, amando a Igreja do país que está a servir”, disse o Pontífice.

“A divina providência o trouxe até aqui e agora o leva. A Mãe Aparecida sempre cubra com seu manto maternal”,  manifestou Dom Orlando.

GRATIDÃO

Na homilia, Dom Giovanni contou que foi um desejo pessoal ir a Aparecida, logo que desembarcou no Brasil, em 2012, para se encontrar com o episcopado que estava reunido na Assembleia Geral da CNBB. “Foi, para mim, uma oportunidade para vir aos pés de nossa Mãe querida, entregar a ela a minha missão de Núncio Apostólico no Brasil. E agora, não posso deixar este País sem dizer para ela: ‘obrigado por toda a assistência que me deu nesses anos”, disse.

O Núncio enfatizou, ainda, que essa celebração representa o seu “Magnificat”, uma grande ação de graças a Deus por tudo de bom que viveu nesta missão. “O que eu mais levarei comigo é a presença de uma Igreja viva, que, apesar das dificuldades e limites, coloca-se a serviço de todos”, destacou, lembrando que visitou em torno de 150 dioceses brasileiras e pôde conhecer diversas realidades eclesiais do País.

Dom Giovanni d’Aniello: ‘Levo comigo o testemunho de uma Igreja viva’
Missa sem a presença de fiéis, foi transmitida pelos meios de comunicação (Foto: Luciney Martins)

“Aqui, eu experimentei esta Igreja, como o Papa Francisco pede, ‘em saída’ , que se aproxima do povo. Não tem outra satisfação maior para mim poder constatar isso”, salientou Dom Giovanni, chamando atenção, também, para a unidade do episcopado brasileiro, testemunhada, sobretudo, durante as assembleias gerais da CNBB.

O Núncio reforçou que, por meio do testemunho da unidade, os bispos mostram Deus presente no meio de seu povo. “Isso também se faz por meio da oração e de uma entrega total à vontade de Deus”, sublinhou.

“Vou me entregar nas mãos de Deus, pedindo a Maria que ela faça comigo o que fez com seu Filho ainda menino, acompanhe-me pelas mãos, que ela me conduza ao Pai, por seu Filho, para que eu possa ser presença dele na realidade que ele me der”, completou Dom Giovanni, pedindo as orações de todos os brasileiros e assegurando as suas preces por todo o povo do Brasil.

PROXIMIDADE

No fim da celebração, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo manifestou a gratidão a Deus pelo serviço prestado pelo Núncio Apostólico à Igreja no Brasil e por sua proximidade ao episcopado.

Dom Odilo afirmou, ainda, que, ao enviar Dom Giovanni para esta nova missão, o Santo Padre viu as qualidades para desempenhar bem esse trabalho. 

“Nós desejamos que a sua missão seja muito abençoada e coroada de grande êxito, voltada, em grande parte, para a presença silenciosa de testemunho, no meio de uma realidade eclesial muito diferente, sobretudo, rica de grande testemunho de fé”, afirmou, comparando a nova missão do Núncio à de São João Batista, de “preparar os caminhos do Senhor”, recordando o grande esforço de diálogo entre as Igrejas Católica e Ortodoxa nesse país.

“Talvez o senhor sinta um pouco de saudade do Brasil e nós também sentiremos saudade da sua amizade e proximidade conosco”, concluiu.

Dom Giovanni d’Aniello: ‘Levo comigo o testemunho de uma Igreja viva’
Dom Giovanni, ao lado do Cardeal Scherer (Foto: Luciney Martins)

SERVIR A IGREJA

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom Giovanni enfatizou a grande estima que tem pelo Brasil e pelo seu povo. “Levo um sentimento enorme de gratidão a Deus por ter se servido de mim para fazer algo bom por sua Igreja e aquilo que eventualmente não foi bom, certamente foi por minha culpa”. Disse.

Ao comentar sobre a nova missão, o Núncio compartilhou que ainda não conhece o país mas vai com grande disponibilidade e para servir a Igreja local e se integrar à sua realidade e cultura, especialmente na busca de um diálogo cada vez mais frutuoso com os irmãos ortodoxos. “Também farei que o que estiver ao meu alcance para que as relações entre a Santa Sé e a Federação Russa possa ser sempre mais desenvolvida e satisfatória”

Referindo-se à Arquidiocese de São Paulo a qual teve a oportunidade de visitar várias vezes, Dom Giovanni exortou a todo povo a buscar a proximidade com Deus por meio da oração e do serviço às pessoas, em particular daqueles que mais precisam, estando sempre unidos ao seu Arcebispo e à Igreja. “Continuem sempre com a fé a esperança necessária, mesmo em momentos difíceis como o desta pandemia que estamos atravessando. Quem está com Deus, com a proteção de Mãe, não tem nada a temer”, concluiu.

BIOGRAFIA

D’Aniello nasceu em Aversa (Caserta, Itália) em 5 de janeiro de 1955; foi ordenado sacerdote dia 8 de janeiro de 1978 e nomeado Bispo em 6 de janeiro de 2002; é Doutor em Direito Canônico e fala cinco línguas: Italiano, Inglês, Francês, Português e Espanhol.

começou a prestar Serviço Diplomático no dia 1º de junho de 1983, atuando no Burundi, Tailândia, Líbano, Brasil e no Setor para as Relações com os Estados da Secretaria de Estado, no Vaticano.

Antes de ser enviado ao Brasil, ele foi Núncio Apostólico na República Democrática do Congo, de 2001 a 2010, quando foi nomeado Representante da Santa Sé na Tailândia e Camboja.

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