Doutrina da Fé diz que Igreja não pode abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo

Nota explicativa também reitera necessidade de acompanhamento pastoral para homossexuais

Doutrina da Fé diz que Igreja não pode abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo
Foto: Vatican Media

Desde as últimas duas assembleias sinodais sobre a família, em 2014 e 2015, surgiram algumas dúvidas entre bispos, padres e outros fiéis sobre como lidar concretamente com uniões de pessoas do mesmo sexo. Uma nota explicativa da Congregação para a Doutrina da Fé, autorizada pelo Papa Francisco, respondeu na segunda-feira, 15, que a Igreja não pode dar a bênção a essas uniões, mas é necessária a atenção pastoral voltada a pessoas homossexuais.

O motivo de base para a negativa inicial é o fato de que essas uniões são extraconjugais, ou seja, “implicam prática sexual fora do Matrimônio”. A nota diz que há “elementos positivos” nas relações estáveis de pessoas do mesmo sexo, “que devem ser apreciados e valorizados”, mas uma bênção sobre a união seria uma “imitação do sacramento do Matrimônio”, que, conforme a tradição da Igreja, só pode ser celebrado entre homem e mulher.

A bênção é um “sacramental”, ou seja, consiste em “um sinal sagrado por meio do qual, com uma certa imitação dos sacramentos, são significados e, por ação da Igreja, são obtidos efeitos sobretudo espirituais”,  orienta o Concílio Vaticano II, citado no documento.

Por essa relação direta com os sacramentos, “a bênção das uniões homossexuais não pode ser considerada lícita, pois constituiria de certo modo uma imitação ou uma referência de analogia com a bênção nupcial”, isto é, a do matrimônio, diz a nota da Doutrina da Fé.

ATENÇÃO PASTORAL

A nota convida pastores e comunidades “a acolher com respeito e delicadeza as pessoas com inclinação homossexual que manifestem a vontade de viver em fidelidade aos desenhos revelados por Deus”. Devem encontrar formas adequadas de incluí-los pastoralmente. A proibição da bênção de uniões, diz o texto, “não pretende ser motivo de discriminação”, mas “esclarecer o rito litúrgico”.

Permanece válida, porém, a bênção a indivíduos. “Deus não deixa de abençoar cada um dos seus filhos peregrino neste mundo”, acrescenta o documento, assinado pelo Cardeal Luis Ladaria, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e o Arcebispo Dom Giacomo Morandi, Secretário da mesma instituição.

Na exortação apostólica Amoris laetitia, Papa Francisco incentivou percursos de “crescimento na fé” para que pessoas homossexuais “possam ter a ajuda necessária para compreender e realizar plenamente a vontade de Deus em sua vida”. Entretanto, conforme comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, a nota do Vaticano distingue as pessoas da união. “O juízo negativo sobre a bênção de uniões de pessoas do mesmo sexo não implica um juízo sobre as pessoas”, diz o comunicado.

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