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Durante a pandemia, doações de sangue e leite materno têm baixa significativa

Redução nos índices gera impactos na saúde de bebês, em tratamentos médicos e cirurgias   

Durante a pandemia, doações de sangue e leite materno têm baixa significativaDistante socialmente e com medo do contágio pelo novo coronavírus, parte da população se mantém isolada, cumprindo as recomendações das autoridades de saúde, medida fundamental para diminuir a propagação da COVID-19. Mesmo, porém, com a sensação de que tudo está sem funcionamento, desde que a pandemia global foi declarada, é fundamental que a empatia com as pessoas em diferentes tratamentos seja mantida.

Uma das formas de solidariedade é a doação, que tem como um de seus tantos sinônimos a palavra presente. Em tempos de pandemia, o ato de presentar alguém pode estar longe do lugar comum, mas é extremamente necessário e pode salvar vidas.

CADA GOTA FAZ A DIFERENÇA

Nos quatro primeiros meses deste ano, o índice de doação de leite materno apresentou queda de 5% em comparação com o mesmo período de 2019. Para recuperar os estoques, o Ministério da Saúde lançou, no último dia 19, a campanha “Doe leite materno. Nessa corrente pela vida, cada gota faz a diferença”. A data marcou também o Dia Mundial de Doação de Leite Humano, que acontece desde 2016.

O objetivo da campanha é conscientizar que, mesmo diante da pandemia de COVID-19, as mães que apresentam boa condição de saúde devem continuar a doar o leite materno.

O Brasil possui uma Rede Global de Bancos de Leite Humano (RBLH), iniciativa do Ministério da Saúde, administrada pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). Ao todo, são 225 unidades de bancos de leite humano, 217 postos de coleta, além da coleta domiciliar em alguns estados.

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Andrea Spinola, pediatra neomastologista e coordenadora do Banco de Leite Humano Maria José Guardia Mattar, do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, contou que com a pandemia, “as doações começaram a baixar, e chegamos a ter um estoque de apenas três dias, ou seja, em três dias acabaria todo o leite reservado para a UTI neonatal. Isso nos deixou muito preocupados, pois sabemos a importância e do valor nutritivo desse leite para a recuperação dos bebês”.

A pediatra ressaltou, também, que a pandemia trouxe desafios para todos os setores, inclusive para os bancos de leite, pois as mulheres em período de amamentação estão mais receosas de sair de casa para realizar a doação. Ela esclareceu, porém, que não é necessário que a mãe se dirija a um posto de coleta, pois existe a possibilidade de que os profissionais se encarreguem de ir à residência retirar a doação.

CUIDADOS REDOBRADOS

Uma preocupação apontada pela médica é o de informar sobre os métodos preventivos da doação em tempos de coronavírus. Andrea reiterou que, antes mesmo da pandemia, já existia um protocolo de segurança para evitar a disseminação de doenças, tendo como preocupação primordial a coleta segura tanto para quem doa quanto para os profissionais envolvidos: “Todo o risco de contaminação está sendo minimizado”, completou.

A médica enfatiza que, para ser doadora, a mulher precisa apresentar boa saúde e lembra, ainda, que os exames realizados durante o pré-natal são utilizados para a análise.

FONTE DE VIDA

“Um agradecimento a todas as doadoras do Brasil e todos os profissionais que trabalham com banco de aleitamento materno. Esse trabalho muda a vida desses bebês, pois sabemos que um prematuro, quando se alimenta de leite materno, tem uma evolução muito melhor”, refletiu.

A pediatra confirmou, também, que, para fazer a doação, não é preciso uma grande produção de leite: “Um pouco que sobrou faz diferença na vida de um bebê prematuro. É possível retirar 20ml diariamente, e em cinco dias, já temos 100ml, quantidade que pode alimentar até 10 bebês”.

A campanha tem provocado um efeito positivo. Segundo Andrea, somente no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, desde seu lançamento, 50 ligações de novas doadoras são recebidas diariamente. Os profissionais estão realizando a coleta de leite materno em 20 casas e o estoque que antes suportava três dias, já garante a alimentação de bebês prematuros por dez dias. No entanto, a pediatra enfatiza que ainda são priorizados os pacientes gravemente enfermos e, para que todos possam ser alimentados, é preciso um número ainda maior.

DE PORTAS ABERTAS

Os bancos de leite humano são espaços de acolhida para mães com qualquer tipo de dificuldade na amamentação, conforme explicou a pediatra. Às mulheres que desejam doar, são oferecidos todos os materiais necessários como gorro, máscaras e frascos higienizados.

CLIQUE E ACESSE A LISTA DE BANCOS DE LEITE

DOE SANGUEDurante a pandemia, doações de sangue e leite materno têm baixa significativa

Em abril de 2019, segundo dados fornecidos pelo Departamento de Comunicação da Fundação Pró-Sangue, o estado de São Paulo registrou 9.364 doações de sangue. Em comparação com o mesmo mês de 2020, esse número caiu para 6.937, ou seja, uma diferença de 2.427 doações. A alta queda no mês de maior acréscimo de casos de COVID-19 impacta procedimentos cirúrgicos eletivos ou de urgência e tratamentos que dependem da transfusão de sangue com regularidade.

Para evitar a disseminação do coronavírus entre os doadores, foram adotadas estratégias como: reforço do número de vagas para o agendamento individual, para evitar aglomerações e diminuir o tempo de permanência das pessoas nos postos de coleta; disponibilização de álcool em gel nos diferentes espaços em que o processo de coleta ocorre; distribuição de máscaras aos doadores que não as possuem; e distanciamento presencial adequado, com demarcação no piso e maior espaçamento entre as cadeiras.

NOVAS MEDIDAS

A Fundação Pró-Sangue não realiza a testagem do coronavírus em doadores, mas, segundo os dados enviados à reportagem, os candidatos com sintomas de gripe ou febre são considerados inaptos por um período de 15 dias após recuperação clínica completa.

Quem teve contato com casos suspeitos ou confirmados de COVID-19 deve aguardar 14 dias após o último dia de contato para realizar a doação de sangue. Candidatos cujos exames acusaram resultado positivo para o novo coronavírus só poderão doar após 30 dias depois da recuperação completa.

QUEM QUER DOAR

Para efetuar a doação de sangue é necessário fazer um agendamento on-line prévio pelo site ou pelo clicando aqui.

CONHEÇA A FUNDAÇÃO PRÓ-SANGUE

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