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Há 75 anos, morria o Beato Karl Leisner, sacerdote ordenado em campo de concentração

Ele foi beatificado em 1996, por São João Paulo II

Há 75 anos, morria o Beato Karl Leisner, sacerdote ordenado em campo de concentração
(Crédito: Movimento de Schoenstatt)

Em 12 de agosto de 1945, morria em um hospital de Munique, na Alemanha, o sacerdote Karl Leisner, único padre ordenado em um campo de concentração.

Entre 1938 e 1945, os nazistas enviaram ao campo de concentração de Dachau 2.720 padres, seminaristas e religiosos católicos.  “Os religiosos de Dachau tinham os mesmos sofrimentos que seus companheiros leigos. Dos 2.720 religiosos, 1.034 morreram no campo”, afirmou em uma entrevista o escritor Guillaume Zelle, autor de um livro sobre o campo de Dachau. Aproximadamente 50 clérigos mortos nesse campo foram beatificados e declarados mártires pela Igreja.

Karl Leisner nasceu na Alemanha, em 1915. Desde cedo, sentiu o chamado ao sacerdócio. Com 19 anos, entrou no seminário da Arquidiocese de Munique e se filiou ao Movimento de Schoenstatt.

Ordenado diácono em 1939, Leisner adoeceu devido a uma tuberculose e foi internado em um hospital. Em novembro daquele ano, Leisner foi arrastado a uma prisão de Friburgo, Alemanha. A razão da prisão foi uma denúncia de que Leisner era um crítico de Hitler.

Em 14 de dezembro de 1941, o então diácono é enviado ao campo de concentração de Dachau. As condições duríssimas a que era submetido pioraram ainda mais o estado de saúde de Leisner. Apesar disso, era capaz de alegrar os prisioneiros e dar-lhes esperança.

Em 6 de setembro de 1944, Dom Gabriel Piguet, Bispo da Diocese de Clermont-Ferrand, na França, foi, também, enviado ao campo. O diácono Leisner viu nisso a providência divina e pediu para receber a ordenação no campo de concentração.

A autorização do Arcebispo de Munique, a que Leisner devia obediência, foi obtida pela ação de uma leiga, que se tornaria religiosa e que conseguiu fazer o contato entre o diácono e seu bispo.

O campo de Dachau possuía uma capela, em que os sacerdotes podiam celebrar. A capela foi construída graças à ação diplomática do Vaticano. O sacrário, o altar, os bancos e tudo o mais foram feitos com materiais encontrados no campo.

A ordenação, então, foi celebrada, no dia 17 de dezembro de 1944, aproximadamente três anos após Leisner chegar ao campo. O diácono paramentou-se com um alva sob sua roupa de prisioneiro. Os paramentos do Bispo foram feitos por outros sacerdotes prisioneiros.

Judeus e outros prisioneiros ajudaram a distrair os guardas durante a cerimônia. Um violonista judeu ofereceu-se para tocar o violino com a intenção de tirar a atenção dos guardas para a capela. 

Dom Piguet, sobrevivente do campo de concentração, relatou o profundo impacto que a ordenação teve em quem a assistiu. Ele sentiu “como se esta tivesse sido na minha catedral ou na capela do meu seminário. Nada, não faltava nada no que diz respeito à grandeza religiosa de tal ordenação, que é provavelmente única nos anais da história”.

Em 26 de dezembro, Leisner pôde celebrar sua primeira e única missa. Em maio de 1945, foi libertado do campo. Com a saúde muito debilitada, foi enviado a um hospital em Munique, onde faleceu há exatamente 75 anos.

Em 23 de junho de 1996, em Berlim, o Papa João Paulo II o beatificou. Na mesma cerimônia, o Padre Bernhard Lichtenberg, morto em Duchau no ano de 1943, também foi beatificado.

Fontes: Religión em Libertad e ACI

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