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Igreja em São Paulo prepara a retomada das atividades do sínodo arquidiocesano

Igreja em São Paulo prepara a retomada das atividades do sínodo arquidiocesano
Celebração na Catedral da Sé, em fevereiro, marcou o início da fase arquidiocesana do sínodo (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

No próximo dia 28, estava prevista a realização da sétima sessão da assembleia do sínodo arquidiocesano de São Paulo, que marcaria a conclusão do último ano do caminho iniciado em 2017. Devido à pandemia de COVID-19, porém, os trabalhos foram suspensos por tempo indeterminado.

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, contudo, enfatizou que o sínodo não foi completamente interrompido e que esses tempos difíceis ensinaram muitas lições ao processo de renovação pastoral da Igreja em São Paulo. Durante a reunião realizada no dia 26 de outubro, a Comissão de Coordenação Geral do sínodo arquidiocesano iniciou as reflexões para a retomada gradual das atividades sinodais.

Na ocasião, Dom Odilo reconheceu que, sem a possibilidade de atividades presenciais relacionadas ao sínodo, houve, naturalmente, uma desaceleração no processo; por outro lado, ele avaliou que tudo está “no horizonte da providência de Deus”, e destacou que a emergência sanitária colocou luz a uma série de questões importantes para o “caminho de comunhão, conversão e renovação missionária”, proposto como tema do sínodo.

“Muitas coisas que vivemos pastoralmente este ano nos ajudarão a pensar de uma forma nova as propostas que levaríamos para a assembleia sinodal arquidiocesana”, afirmou o Arcebispo, sublinhando que, durante este ano, os templos estavam praticamente vazios, mas a Igreja foi para as casas. “Essa foi, justamente, uma das questões postas no sínodo: a renovação missionária a partir da família, da base. Pudemos, portanto, compreender melhor o que significa isso”, disse.

Renovação pastoral

O Cardeal também avaliou que houve uma maior tomada de consciência sobre a renovação dos métodos pastorais, como a Catequese, que se viu desafiada a descobrir novas formas de continuar, mesmo que remotamente. “A pandemia nos colocou fora dos trilhos e, agora, temos que ajustar os caminhos a partir de uma nova experiência de vida”, sublinhou o Arcebispo.

Observou-se, por meio da comissão sinodal, que muitas paróquias já começaram a implementar algumas mudanças que foram identificadas no levantamento de campo da realidade religiosa e pastoral, feito em 2018. Essa atual realidade proporcionou o aparecimento de novas lideranças nas comunidades e novos perfis de agentes de pastoral.

Para Dom Devair Araújo da Fonseca, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Relator-Geral da assembleia do sínodo, a pandemia evidenciou as diferenças socioculturais que haviam sido identificadas ao longo do caminho sinodal. Ele também chamou a atenção para o crescimento da ação missionária. “Mesmo sem sair de casa, as pessoas encontraram maneiras de se fazer presentes na vida dos outros, sobretudo pelos meios de comunicação e pelas redes sociais digitais”.

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Nesse sentido, questões como o anúncio querigmático, desafio bastante ressaltado no primeiro relatório geral do sínodo, logo ganhou força por meio de inúmeras iniciativas criativas promovidas pelas comunidades. “A inovação pastoral aconteceu de muitas formas. Descobriu-se que é possível realizar uma série de coisas, de outras formas. Evidentemente, não substituem o encontro presencial, mas são possíveis quando não há tal possibilidade”, acrescentou Dom Devair.

De igual modo, a comunicação, tema que chamou a atenção na pesquisa de campo, também foi potencializada ao longo dos meses de isolamento social. Foi observado que, em muitas paróquias, não apenas as missas dominicais passaram a ser transmitidas, mas também as celebrações diárias e outros momentos. E isso não se limitou às liturgias. Muitos padres passaram a promover encontros de formação bíblico-catequética com seus paroquianos por meio das plataformas digitais.

Dom Odilo também destacou o crescimento das iniciativas de promoção da caridade, organizadas pelas paróquias e grupos de fiéis, tornando as comunidades eclesiais lugares de referência para as pessoas que desejavam ajudar os mais pobres.

Colher frutos

O Cardeal Scherer afirmou que os próximos passos para a retomada concreta das atividades sinodais estão sendo estudados pela Comissão de Coordenação Geral do sínodo, com o objetivo de animar o clero e os fiéis a respeito dos frutos que estão sendo colhidos este ano.

Nesse sentido, as comunidades paroquiais serão motivadas a avaliar sua caminhada recente e compartilhar as experiências e aprendizados, o que será de grande valor para as reflexões e análises da assembleia sinodal. Os detalhes da retomada serão anunciados em breve por Dom Odilo, que continua pedindo as orações de todo o povo católico de São Paulo pelo caminho sinodal.

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