Jovens, os ‘protagonistas’ da pandemia

No estado de São Paulo, de cada 10 pessoas que se infectaram com o novo coronavírus, 4 têm entre 20 e 39 anos. No auge da pandemia, continuam os registros de festas clandestinas com a aglomeração de jovens

Jovens, os ‘protagonistas’ da pandemia
Jovens são flagrados em balada clandestina em São Paulo no último fim de semana (foto: Governo do Estado de São Paulo)

Com taxas de ocupação de leitos de UTI para COVID-19 próximas a 90% no estado de São Paulo nos últimos dias, uma situação se destaca: o aumento na quantidade de internações de pessoas jovens.

Em um vídeo divulgado recentemente nas redes sociais do Governo do Estado de São Paulo, a fonoaudióloga Mariana Saconato, que atua na ala de pacientes com COVID-19 no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, relata essa mudança: “Já há alguns dias, o que tem chamado bastante a atenção da equipe é o perfil do paciente internado, principalmente na terapia intensiva: são pacientes mais jovens, inclusive, temos um de 26 anos, entubado e sem qualquer tipo de doença prévia. Temos outros de 36, 38 anos, sem comorbidades, entubados”.

No acumulado de casos de COVID-19 no estado, 41% são de pessoas entre 20 e 39 anos. Em contrapartida, a taxa de óbitos para a doença nessa faixa etária é de 3,7%, conforme atualização disponível no site do governo de São Paulo no dia 12.

“O grande sentimento que estes jovens expressam é de se arrepender. De não terem acreditado nos apelos; achado que perderiam apenas o paladar e o olfato. Muitos deles não morrem, mas levam para casa o vírus para os seus pais e avós”, comentou, em coletiva de imprensa no dia 10, o médico Jean Gorinchteyn, secretário de estado da Saúde de São Paulo.

“Quando esses pacientes jovens chegam na UTI ainda em condições de comunicação, os percebemos ansiosos, com medo. Não querem ser entubados, perguntam pelos familiares, temem não conseguir vê-los novamente e perguntam se o familiar conseguiu vaga e para qual hospital foi levado”, comenta Mariana no vídeo.

NA BALADA

Mesmo diante do número crescente de casos da doença e dos apelos para que se evitem aglomerações, na última semana agentes de fiscalização da Vigilância Sanitária e do Procon-SP e as Polícias Militar e Civil interromperam festas clandestinas na capital paulista e na Região Metropolitana de São Paulo.

Desde a retomada da fase vermelha do Plano São Paulo, em 6 de março, mais de 260 festas clandestinas foram fechadas e os responsáveis indiciados criminalmente.

Em uma delas, na madrugada do dia 13, no bairro do Campo Limpo, na zona sul, 578 jovens, entre 18 e 25 anos, se aglomeravam e a maioria estava sem máscara de proteção.

Na madrugada anterior, no Tatuapé, na zona Leste, outra festa clandestina reunia 170 pessoas, a maioria jovens e sem máscaras.

Em São Bernardo do Campo (SP), em um imóvel às margens da represa Billings, na tarde do dia 10, eram cerca de mil pessoas festejando em um imóvel. Novamente, a  maioria jovens e sem usar máscaras.

Situações como essas, que colaboram para elevar o número de jovens com a COVID-19, e a transmissão do vírus para pessoas de outras faixas etárias com quem tenham contato, têm despertado preocupação.

“Fazemos um apelo particular à juventude. O vírus está infectando e matando os mais jovens e saudáveis, valendo-se deles como vetores de transmissão. Que a juventude brasileira assuma o seu protagonismo histórico na defesa da vida e do país, desconstruindo o negacionismo que agencia a morte”, escreveram em nota, do dia 11, as entidades que participam do Pacto pela Vida e pelo Brasil: a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Ordem dos Advogados do Brasil, Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, Academia Brasileira de Ciências, Associação Brasileira de Imprensa e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

O VERDADEIRO PROTAGONISMO JUVENIL

Durante a primeira onda da pandemia de COVID-19 em março de 2020, o bispo referencial da Comissão da Conferência Episcopal para a Juventude da Indonésia, Dom Pius Riana Prapdi, falou aos jovens de seu país sobre o papel que podem assumir neste momento da humanidade.

“Prestem atenção ao que vos rodeia, façam todo o possível para protegerem a vós mesmos e suas famílias e usem vossos meios de comunicação para ajudar os outros a atender às suas necessidades”, escreveu em carta, na qual também recomendou-lhes que sigam os protocolos de saúde, entre os quais o distanciamento social.

A todo tempo, especialmente diante do atual momento, sempre são válidas as palavras do Papa Francisco durante a Vigília de Oração com os Jovens, em 27 de julho de 2013, na praia da Copacabana, durante a Jornada Mundial da Juventude.

Jovens, os ‘protagonistas’ da pandemia
Papa Francisco em encontro com os jovens durante viagem apostólica ao Chile em 2018 (foto: Vatican Media)

“O coração de vocês, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Acompanho as notícias do mundo e vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram pelas estradas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas estradas; são jovens que querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixem para outros o ser protagonistas da mudança! Vocês são aqueles que tem o futuro! Vocês… Por meio de vocês, entra o futuro no mundo”.

E aos jovens que já estão cientes sobre a gravidade da atual pandemia, dialogar com os amigos da mesma faixa etária sobre as consequências dos comportamentos de risco e a importância de uma vida de fé é um gesto concreto de testemunho cristão. Como escreve o Papa Francisco na exortação apostólica Christus vivit (2019), os jovens “sabem também evangelizar nas redes sociais com mensagens, canções, vídeos e outras intervenções […] que cada jovem ouse semear o primeiro anúncio na terra fértil que é o coração de outro jovem” (CV, 210).

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