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Nos EUA, escolas privadas fecham com a crise do novo coronavírus

JOÃO FOUTO

Nos últimos 20 anos, as matrículas nas escolas privadas têm caído nos Estados Unidos, sendo as dificuldades financeiras o principal motivo. Com a crise do novo coronavírus, muitas escolas estão fechando suas portas definitivamente.

Nos EUA, escolas privadas fecham com a crise do novo coronavírus
Fonte: National Catholic Education Association

A Associação Nacional de Educação Católica (National Catholic Education Association – NCE), que colabora com professores para dar continuidade à missão da Igreja nas escolas privadas, tem acompanhado a situação.

“Muitas famílias de renda média não são mais capazes de cobrir os custos, que giram em torno de 5 mil dólares por ano para alunos da escola elementar, e mais de 12 mil para alunos da escola secundária”, afirmou Dale McDonald, diretora de pesquisa da NCE, ao canal de notícias Rome Reports.

As famílias de classe média têm rendas demasiado grandes para receber auxílios, mas não o suficiente para cobrir inteiramente os custos da educação. Por outro lado, muitas escolas enfrentam problemas financeiros e não são capazes de reduzir seus preços para ajudar essas famílias.

Na Itália, a crise do coronavírus provocou o fechamento de 66 escolas privadas. Frei Jesús Parreño, diretor da escola Instituto Highland, localizada em Roma, disse ao Rome Reports que, embora a escola tenha crescido nos últimos dez anos, este ano será diferente. “Graças a Deus temos uma estrutura consolidada que nos permitirá abrir no ano que vem. Mas abriremos com sofrimento e grande sacrifício”, disse ele.

Todavia, o problema não é apenas financeiro: engloba também a falta de fé. Há anos algumas famílias têm se questionado sobre o porquê de pagar por uma educação católica. “É uma situação de fé, há menos vocações e, portanto, menos escolas católicas e menos famílias católicas. Uma coisa leva à outra, e as escolas estão envolvidas nisso”, disse frei Jesús Parreño.

“Existe um problema pastoral, no sentido que menos de 25% das famílias que se identificam como católicas frequentam a igreja regularmente”, completou Dale McDonald. Essa maioria, que supera os 75%, não ouve falar das escolas católicas ou não chega a conhecer até que ponto elas podem ser úteis a seus filhos.

Também por esse motivo, muitas escolas católicas dos Estados Unidos têm buscado alunos de famílias não católicas. Por outro lado, várias famílias não católicas buscam essas escolas porque nelas encontram uma formação integral que falta em outras propostas formativas. “Em nossas escolas católicas, as crianças aprendem autodisciplina, generosidade, inclusão e cooperação umas com as outras, e assim aprendem a respeitar as opiniões dos outros e promover tolerância social e política”, explicou Dale McDonald.

Fonte: Rome Reports

REFLEXÃO

A importância das escolas privadas de pequeno e médio porte e os efeitos nefastos das crises econômicas

As crises econômicas manifestam um grave problema da estrutura que vigora em nossas sociedades. Enquanto os mais ricos, normalmente, têm à disposição vários meios de suportar a crise e os governos se endividam e aumentam impostos, as pequenas e médias iniciativas sofrem mais e, em muitos casos, fecham.

Essa situação abre espaço para o fortalecimento da iniciativa pública, que então ocupa espaços que, ao menos idealmente, não lhe competem.

A massificação da educação – isto é, seu monopólio pelo governo ou por empresas gigantes – já traz em si graves problemas. Fere o princípio de subsidiariedade, presente no catecismo da Igreja (cfr. n.1882-1885), tirando das iniciativas menores – das famílias, pequenas associações etc. – uma competência chave para entregá-la a instituições impessoais, burocráticas e, por vezes, alheias à finalidade da verdadeira educação – as grandes empresas querem lucro e os governos, votos e ideologias.

Além disso, grandes empresas e governos tendem, ao menos em parte, a reproduzir a visão de mundo dominante na sociedade em que estão inseridos. A visão de mundo hoje, no Ocidente, é composta principalmente de uma mistura de ideologias destrutivas – marxismo, cientificismo, liberalismo etc. – que se opõe à natureza e ao Evangelho. Por esses motivos, a saúde das escolas privadas, principalmente daquelas pequenas e católicas, deve receber de nós, cidadãos e cristãos, especial atenção.

(por João Fouto)

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