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Paróquia: a Igreja viva no meio das casas dos filhos de Deus

Paróquia: a Igreja viva no meio das casas dos filhos de Deus
Fachada da Igreja Santa Dulce dos Pobres, matriz da paróquia criada no sábado, 26 de setembro, na Arquidiocese de São Paulo Foto: Luciney Martins)

A criação da 305ª paróquia da Arquidiocese de São Paulo, no sábado, 26 de setembro, às vésperas do início do mês dedicado às missões, é uma ocasião oportuna para refletir sobre o significado da paróquia em uma perspectiva missionária.

A partir desta edição, O SÃO PAULO publica uma série de matérias sobre a paróquia, inspirando-se no documento publicado em julho pela Congregação do Clero, em forma de instrução pastoral, intitulado “A conversão pastoral da comunidade paroquial a serviço da missão evangelizadora da Igreja”.

RAÍZES BÍBLICAS

Para compreender melhor a natureza e missão de uma paróquia, é preciso entender o próprio significado da palavra paróquia e suas raízes bíblicas. Esse termo se origina no verbo grego paroikêin, que, dentre vários significados, indica “viver junto a” ou “habitar nas proximidades”. Pode, também, indicar a situação de alguém que não tem residência fixa, um “estrangeiro” ou “peregrino”, de outras terras, que fixa sua morada em um determinado lugar.

Essa expressão aparece, por exemplo, na narrativa bíblica dos discípulos de Emaús, que, ao serem abordados por Jesus, perguntam-lhe: “Tu és o único peregrino (paróikêis) em Jerusalém que ignora os fatos que aconteceram esses dias?” (Lc 24,18).

Já a palavra paroikía pode ser traduzida por “morada em terra estrangeira”, e aparece algumas vezes tanto no Antigo quanto no Novo Testamento para se referir à morada do povo de Deus, peregrino neste mundo, porém, fixado em um determinado lugar e contexto histórico.

TERRITÓRIO EXISTENCIAL

 A esse respeito, a instrução pastoral acima mencionada ressalta uma característica da paróquia, que “é o seu radicar- -se ali onde cada um vive cotidianamente”. Nesse sentido, o documento reforça que o princípio territorial permanece plenamente vigente, sobretudo do ponto de vista canônico.

“Porém, especialmente hoje, o território não é mais apenas um espaço geográfico delimitado, mas o contexto em que cada um exprime a própria vida feita de relações, de serviço recíproco e de tradições antigas. É neste ‘território existencial’ que se encontra todo o desafio da Igreja no meio da comunidade”, observa o texto.

Outro aspecto enfatizado pela instrução é que a renovação evangelizadora exige novas atenções e propostas pastorais diversificadas, para que a Palavra de Deus e a vida sacramental possam alcançar a todos. “Realmente, a inserção eclesial hoje prescinde sempre mais dos lugares de nascimento e de crescimento dos membros e está mais orientada para uma comunidade de adoção, na qual os fiéis fazem uma experiência mais ampla do povo de Deus, de fato, de um corpo que se articula em tantos membros, em que cada um trabalha para o bem de todo o corpo”, destaca.

ESTRUTURA CADUCA?

Na exortação apostólica Evangelii gaudium (2013), o Papa Francisco afirma que “a paróquia não é uma estrutura caduca”; pelo contrário, possui uma grande capacidade de assumir formas muito diferentes, “que requerem a docilidade e a criatividade missionária do pastor e da comunidade”. Recordando as palavras de São João Paulo II em outro documento – a exortação apostólica Christifidelis laici (1988) – , o atual Pontífice enfatizou que a paróquia continuará a ser “a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos”.

“A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração”, acentuou o Santo Padre, acrescentando, ainda, que, por meio de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. “É comunidade de comunidades, santuário em que os sedentos vão beber para continuar a caminhar, e centro de constante envio missionário”, completou.

CONVOCADA PELO ESPÍRITO

A instrução pastoral da Santa Sé reforça que a comunidade paroquial “é o contexto humano no qual atua a missão evangelizadora da Igreja”. Nesse sentido, o texto apela para a necessidade de redescobrir a iniciação cristã, “que gera uma vida nova” e está inserida no “mistério da mesma vida de Deus”.

“A paróquia, portanto, é uma comunidade convocada pelo Espírito Santo para anunciar a Palavra de Deus e fazer renascer novos filhos à fonte batismal; reunida por seu pastor, celebra o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor e testemunha a fé na caridade, vivendo em permanente estado de missão, para que a ninguém falte a mensagem salvífica, que doa a vida”, completou o documento.

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