Confira nossa versão impressa

São Camilo de Lellis: o homem que serviu a Jesus nos enfermos

O santo é patrono dos enfermos, dos hospitais e dos profissionais da saúde

São Camilo de Lellis: o homem que serviu a Jesus nos enfermos
Província Camiliana Brasileira

Nesta terça-feira, 14, a Igreja celebra São Camilo de Lellis, patrono dos enfermos, dos hospitais e dos profissionais da saúde, que deixou de lado a própria enfermidade para cuidar do próximo. 

‘MENINO REBELDE’

Quando Camilo nasceu, 1550, seu pai já tinha 55 anos e a mãe, 60. Por isso, ele os perdeu quando ainda era muito novo.

Depois da morte da mãe, Camilo se tornou um menino rebelde e o pai resolveu levá-lo consigo para o trabalho. Mesmo Camilo sendo muito jovem, o pai conseguiu com seus superiores uma primeira oportunidade de trabalho para o filho. Grande e forte, mas sem estudos, Camilo trabalhava nos serviços pesados.

Camilo de Lellis passou um bom tempo da sua vida acompanhando o pai. Quando completou 16 anos, tentou ingressar no exército. Sem sucesso da primeira vez, aos 19 viajava na companhia do pai para se alistar novamente. O que ele não esperava é que seu pai adoeceria no meio do trajeto e, em pouco tempo, antes mesmo de completar a viagem, morreria.

UMA DECISÃO

Mesmo com a perda do pai, Camilo não desistiu do seu sonho de se tornar militar, sendo, finalmente aceito. Contudo, sua permanência no Exército não durou muito! Sozinho no mundo, ele viveu os prazeres que o mundo lhe oferecia. Viciou-se em jogos de cartas, assim como tinha sido com seu pai. Ganhava muito dinheiro e, na mesma proporção, o perdia.

Chegou ao ponto de ficar sem nada, vivendo nas ruas como pedinte. E, era exatamente nesses momentos de dor e sofrimento que Deus começava a falar ao seu coração. Não foram poucas as vezes em que tentava recomeçar e fraquejava. Até que, um dia, finalmente, ele tomou uma decisão para sua vida.

CHAMADO

Durante muito tempo, Camilo carregou as dores de uma ferida no peito do pé direito. Ela surgiu ainda na juventude, quando tinha por volta de 20 anos de idade. Iniciou, primeiro, como uma pequena bolha que, de tanto mexer, tornou-se ferida e, aos poucos, foi tomando a perna inteira.

Esta ferida tornou-se, com o tempo, um canal da graça de Deus para sua missão. Foi por causa dela que ele não permaneceu no exército e, pelo mesmo motivo, o convento franciscano o dispensou, orientando-o que fosse à Roma tratar o problema no Hospital de São Tiago dos Incuráveis. 

Foi nesse hospital que São Camilo teve a inspiração de começar o seu serviço às pessoas enfermas. Mesmo com a ferida em seu pé que não cicatrizava e todo sofrimento que ela lhe trazia, Camilo atendeu ao chamado de Deus e abraçou com firmeza a sua missão: tratar cada doente como se fosse o próprio Senhor.

O CUIDADO COM OS ENFERMOS

No auge dos seus 30 anos, São Camilo sentiu o chamado de fazer mais pelos enfermos. Nessa época, ele já tinha passado por três longos períodos de tratamento no Hospital de São Tiago para curar de sua ferida. De tanto viver por lá, ao mesmo tempo em que se tratava, também trabalhava, chegando a ser administrador do hospital.

Observando todo o contexto daquele lugar, São Camilo percebeu que ainda era possível fazer mais pelos doentes. Ele queria cuidar de suas enfermidades, mas, além disso, dar um lugar digno para cada paciente. Ele dizia que o cuidado dado a um paciente de hospital deveria ser o mesmo que uma mãe dá ao seu filho único quando este está enfermo.

No início, São Camilo buscou mudar o modo como os funcionários faziam as coisas, o que não deu muito certo. Buscou, então, voluntários que fizessem por amor, sem qualquer troca financeira. Encontrou cinco rapazes dispostos a trabalhar com ele. Como uma espécie de companhia, eles reuniam-se à noite numa igrejinha localizada ao lado do hospital para organizar o trabalho de cuidado aos enfermos.

MINISTROS DOS ENFERMOS

Logo, esse trabalho começou a despertar desavenças com a equipe do Hospital São Tiago dos Incuráveis. Pouco tempo depois, Camilo e seus companheiro foram convidados a se retirar de lá. Encontraram em um outro hospital, também em Roma, uma porta aberta para continuar a desenvolver aquele trabalho. O Hospital do Espírito Santo era considerado o maior da cidade naquela época.

Conseguiram alugar uma casa para servir de sede da companhia e, a partir daí, a missão foi tomando proporções cada vez maiores. Aos 32 anos, São Camilo decidiu se tornar padre. Foi aceito no seminário e, mesmo sem ter nenhum bem em seu nome, exigência para financiar os estudos, a providência divina agiu por meio de benfeitores que custearam tudo, permitindo assim que um dia ele fosse ordenado.

Enxergando a necessidade de um nome para a companhia, os membros se reuniram e discerniram que ela se chamaria Companhia dos Ministros Enfermos. Depois do nome, as primeiras regras desta companhia foram escritas e aprovadas. Em 1586, a companhia conseguiu aprovação pontifícia do Papa Sisto V, tornando-se uma congregação religiosa. Em 1591, o Papa Gregório XIV aprovou os estatutos e, o que antes era congregação, virou uma Ordem Religiosa: a Ordem dos Ministros Enfermos.

MISSIONÁRIOS DOS ENFERMOS

O chamado feito a Camilo já estava dando frutos. Em pouco tempo, novas vocações surgiram e, ao mesmo tempo, os próprios hospitais já estavam pedindo ajuda dos missionários para cuidarem dos enfermos. Começou pelos hospitais de Roma até, mais tarde, a fundação de casas missionárias: em Nápoles, Milão e Gênova.

Além disso, eles também começaram a ser chamados para servirem em conflitos militares por meio do auxílio aos feridos. Depois, novas casas foram surgindo, inclusive fora da Itália. Hoje, a Ordem dos Ministros Enfermos, popularmente conhecidos como Camilianos está presente nos cinco continentes do mundo. No Brasil, eles chegaram em 1922, na cidade de Mariana (MG).

SERVIU ATÉ O FIM

São Camilo esteve à frente da Ordem Religiosa por 15 anos. Com 67 de idade, em 1607 ele já estava muito cansado visto todo esforço físico e intelectual desprendido para desempenhar a missão. A ferida em sua perna que lhe acompanhava desde a juventude, estava piorando. Com isso, ele decidiu renunciar ao cargo de direção da Ordem, mas permaneceu firme na assistência aos enfermos.

Com menos responsabilidades, Camilo voltou a trabalhar no Hospital do Espírito Santo. Em 1613, após a eleição de um novo Superior Geral, São Camilo foi chamado a acompanhá-lo em uma visita às casas da Ordem. Eles seguiram de Roma para Gênova. Chegando, muito debilitado, os irmãos queriam que Camilo permanecesse por lá, com medo de que ele morresse na viagem de volta.

MORTE

Foi então que São Camilo profetizou o dia de sua morte. Ele pediu para que não se preocupassem, pois não morreria ali. Segundo ele, sua morte seria em Roma, no dia de São Boaventura em 14 de julho. Mais tarde, tais palavras se confirmaram. No dia 14 de julho de 1614, São Camilo deu o último suspiro. O sino da Igreja tocou às nove horas da noite anunciando a sua morte.

Conforme a notícia foi se espalhando, muitas pessoas foram para lá prestar condolências e rezar por Camilo que, ainda em vida, já tinha conquistado fama de santo. Em 1742, Camilo foi beatificado e, alguns depois, em 1746 foi canonizado pelo Papa Bento XIV. No final do Século XIX, o Papa Leão XIII o declarou patrono dos doentes e dos hospitais do mundo inteiro, junto com São João de Deus. Já no Século XX, o Papa Pio XI o declarou patrono dos profissionais que trabalham em hospitais.

INFLAMADO PELA CARIDADE

Ao escrever sobre a vida de São Camilo, um de seus companheiros na Ordem destacou que o fundador vivia sempre inflamado pela virtude da caridade. “Quando tratava de algum doente, parecia doar-se com tanto amor e compaixão que, de bom grado, tomaria sobre si toda doença, para aliviar-lhe as dores ou curar as enfermidades”, ressaltou.

O texto ainda enfatizou que São Camilo, contemplava nos doentes, “com tão sentida emoção, a pessoa de Cristo que, muitas vezes, quando lhes dava de comer, pensando serem outros cristos, chegava a pedir-lhes a graça e o perdão dos pecados”.

“Mantinha-se diante deles com tanto respeito, como se estivesse realmente na presença do Senhor. De nada falava com mais frequência e com mais fervor do que da santa caridade. O seu desejo era imprimi-la no coração de todos os homens”.

- publicidade -

Notícias relacionadas

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Compartilhe!

Últimas Notícias

Seminaristas da Arquidiocese são admitidos como candidatos às ordens sacras

Cardeal Odilo Scherer celebrou o rito de admissão de três seminaristas como candidatos ao sacerdócio

Nova lei de segurança amplia repressão a dissidentes na China

Sob o argumento de manter a soberania nacional, governo chinês tem perseguidos críticos, como o empresário de mídia Jimmy Lai

Famílias: chamadas à transmissão da vida e à defesa da dignidade humana

'Família e compromisso com vida foi o destaque da live realizada na quinta-feira, 13, na programação arquidiocesana da Semana Nacional da Família

São Domingos de Gusmão é tema de live

A Paróquia Sagrada Família, em parceria com o Frei Franklim Drumond, OP, residente no Convento Nossa Senhora...

São Paulo registra 26,6 mil óbitos e 686,1 mil casos de coronavírus

461 mil pessoas já estão recuperadas da COVID-19; taxas de ocupação de UTIs são de 56,4% na Grande SP e 57,8% no...

Newsletter