‘São José enfrentou os momentos de aflição com fidelidade e confiança em Deus’

Afirmou o Cardeal Scherer, em missa na Paróquia São José do Belém

‘São José enfrentou os momentos de aflição com fidelidade e confiança em Deus’
Dom Odilo preside missa na Paróquia São José do Belém (Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu, na noite desta sexta-feira, 19, a missa da Solenidade de São José, na Paróquia São José do Belém, na zona leste da capital paulista.

Ao contrário dos anos anteriores, a festa do Padroeiro não foi comemorada com dez missas e os cerca de 10 mil devotos que passavam na igreja durante todo o dia. Desta vez, houve uma única missa, sem a presença de fiéis, que acompanharam a liturgia pelas mídias digitais. A restrição faz parte das medidas adotadas para conter a pandemia da COVID-19, que enfrenta seu período mais crítico nas últimas semanas.

Ao longo do dia, a igreja ficou aberta para que os fiéis pudessem visitá-la e fazer suas orações à São José. Os padres ficaram à disposição para o atendimento de confissões e para bênçãos individuais., seguindo os protocolos sanitários e sem aglomerações.

“Celebramos São José de uma forma diferente, embora estejamos no Ano de São José, proclamado pelo Papa Francisco. Mas precisamos colaborar para frear o contágio desta pandemia que tem deixado tantas pessoas doentes e mortos.  Que São José interceda por todos os doentes, por todas as famílias que estão em luto e por todos os que vivem a aflição deste tempo”, afirmou Dom Odilo no início da homilia, convidando todos a olharem para o exemplo do Padroeiro que também viveu muitas situações de aflição e soube enfrenta-las com fidelidade e confiança em Deus.

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Festa da família

O Arcebispo sublinhou que a Solenidade  de São José é uma “festa de família”. “Olhamos para são José como esposo, noivo, marido, pai, padroeiro de toda a Igreja colocada sob o seu cuidado”, disse.

O Cardeal acrescentou que São José não foi somente pai e protetor da família de Nazaré, mas da família dos irmãos de Jesus que se reúnem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. “Os irmãos de Jesus somos nós que cremos nele e procuramos testemunhar e viver o Evangelho”, completou.

As leituras bíblicas dessa liturgia também ressaltam a  dimensão da paternidade. A primeira leitura, fala da aliança de Deus com Davi, prometendo-lhe que ele teria uma descendência e um desses descendentes se sentaria no trono Davi para sempre. Trata-se do messias, o Cristo, que, no Evangelho, é aclamado pelo povo na entrada triunfal em Jerusalém como “Filho de Davi”.

Fiel à promessa

O Arcebispo referiu-se a São José como o “último dos patriarcas do Antigo Testamento”, que une a herança e a promessa do povo de Israel à fé do povo da Nova Aliança, que vive a promessa realizada em Jesus Cristo.

“São José aparece como homem que vive a firmeza da fé e participa com Jesus da realização da promessa de Deus aos patriarcas, mas, ao mesmo tempo, entregando esta promessa, de sua realização e plenitude, através de Jesus Cristo, do Evangelho e da Igreja”, completou o Cardeal  

Na segunda leitura, São Paulo escreve aos romanos que os filhos de Abraão e dos demais patriarcas são aqueles que vivem a fé por eles professada, não necessariamente sendo seus descendentes segundo a carne. De igual modo, todos aqueles que acolhem Jesus Cristo, também são descendentes de Abraão segundo a fé e herdeiros das promessas de Deus. “Somos esse povo que vive as promessas de Deus e continua a caminhar na história”, reforçou.

‘São José enfrentou os momentos de aflição com fidelidade e confiança em Deus’
(Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Obediente à vontade de Deus

“São José deu testemunho de como acolher no dia a dia as promessas de Deus e também as surpresas de Deus que o envolviam pessoalmente no cuidado de Maria e de Jesus menino”, afirmou Dom Odilo, frisando que São José não ensinou por palavras, mas com a vida e testemunho como se colocar na vontade de Deus e como realizá-la, como acolher com fé e prontidão as surpresas de Deus.

“Não sabemos se São José acompanhou os anos da vida pública de Jejus. Porém,  ele viveu tudo com profunda fé, com fidelidade à realização do plano de Deus. Por isso, ele é chamado homem justo, isto é, santo, íntegro, reto, homem em sintonia com Deus”, acrescentou o Purpurado.  

Mencionando a Carta Apostólica Patris corde, na qual é convocado o Ano de São José, Dom Odilo ressaltou que o Papa Francisco convida todo o povo a olhar para esse Santo de uma forma nova, como alguém que Deus escolheu para estar no coração da Igreja, não apenas na Sagrada Família de Nazaré, mas na família de Jesus que continua.

“Que São José olhe pelas famílias do nosso tempo, tão necessitadas, pobres, doentes, com sofrimentos. Interceda por todos, de modo particular, por esta paróquia a ele dedicada, para que seja um testemunho e uma referência, para daqui irradiar o exemplo de São José para a toda esta cidade”, concluiu o Arcebispo.

Portas abertas

O Pároco, Padre Marcelo Maróstica Quadro destacou ao O SÃO PAULO, que, apesar de situação excepcional em que a festa foi celebrada, a paróquia recebeu a visita de muitos fiéis ao longo do dia. “Muitas pessoas vieram para fazer a sua oração pessoal, confessar, e receber uma benção individual”, relatou.

O Sacerdote também disse que, ao longo do dia, muitos fiéis que, sabendo que Dom Odilo celebraria no início da noite, pediram ao pároco que transmitisse ao arcebispo o agradecimento pelo fato de as igrejas estarem abertas. “Agradecemos pelo seu esforço para que nossas igrejas continuem sendo um sinal da presença de Deus, lugares onde nosso povo possa fazer a experiência do encontro com Cristo vivo e ressuscitado”, manifestou o Pároco ao Cardeal.

No ano passado, a festa do Padroeiro foi celebrada dias antes do início do primeiro período de suspensão das missas com a participação dos fiéis. Já naquela ocasião, houve o controle do acesso à igreja para as celebrações e o seguimento dos protocolos preventivos. A tradicional quermesse de rua também foi suspensa para evitar aglomerações.

Padre Marcelo destacou que, naquela época, ainda não se sabia muito sobre o vírus, mas já havia um esforço da igreja para evitar ao máximo o contágio. “Hoje, novamente nos unimos a esse esforço para preservar vidas”, afirmou.

Novo altar

No fim da missa, foi apresentado à comunidade o projeto do novo altar da igreja matriz, que será instalado no presbitério. Esse era um desejo antigo da comunidade, que espera ser concretizado em agosto, mês de aniversário de criação da paróquia, quando acontecerá o rito de dedicação da igreja e do novo altar.

‘São José enfrentou os momentos de aflição com fidelidade e confiança em Deus’
Desenho do projeto do novo altar

Padre Thiago Faccini, Vigário Paroquial e também Assessor do Setor de Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal Pastoral para Liturgia da CNBB, foi o responsável pelo projeto do novo altar e do conjunto composto pelo ambão (mesa da Palavra), a sedia (cadeira do presidente das celebrações) e a fonte batismal. Ele explicou que o projeto foi elaborando tendo como referência os elementos artísticos e arquitetônicos dos altares laterais da igreja e da Capela do Santíssimo, mantendo, assim, a harmonia do espaço celebrativo.   

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