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Um ano após plebiscito, Irlanda bate recorde em número de abortos

GUSTAVO CATANIA RAMOS

Médicos que realizam abortos no país recebem mais que o dobro do que o valor necessário para cuidar da mãe e do bebê durante a gravidez

Um ano após plebiscito, Irlanda bate recorde em número de abortos
(Crédito: Vatican Media)

Em 2019, houve um total de 6.666 abortos na Irlanda, segundo dados divulgados pelo governo do país na terça-feira, 30 de junho. O número é maior que o dobro do ano anterior, quando foram registrados 2.879 abortos.

Em 25 de março de 2018, a população irlandesa votou em referendo acerca de uma emenda à constituição que permitiria que o aborto fosse legalizado no país. Anteriormente, o aborto era permitido apenas em casos em que a vida da mãe estivesse em risco. Ao todo, 66,4% da população votou a favor de mudança no texto constitucional. Depois do referendo, o Artigo 40.3.3 da constituição passou a ter a seguinte redação: “A lei poderá fazer provisões e regular o interrupção da gravidez”.

A partir da mudança no texto constitucional, em 13 de dezembro de 2018, o Parlamento passou uma lei que permite o aborto em qualquer caso até a 12ª semana de gravidez. A lei passou a vigorar no dia 1º de janeiro de 2019.

Logo no primeiro mês da lei em vigor, foram registrados 625 abortos, o maior número entre os 12 meses de 2019. Dos 6.666 abortos registrado em 2019, apenas 24 foram registrados como risco para a vida ou a saúde da mãe. No total, 6.542 se enquadraram na categoria de “abortos prematuros”, quando o procedimento é realizado dentro das 12 primeiras semanas de gravidez sem a necessidade de qualquer justificativa.

Maeve O’Hanlon, porta-voz da Campanha Pró-Vida no país, afirmou que os números revelam que a legalização do aborto causou uma desvalorização do valor da vida na Irlanda: “Aqueles que adotam uma atitude em relação a esses números de dizer ‘nada importante aconteceu, tudo está ocorrendo conforme o planejado’ estão desvalorizando a perda de vidas causadas pela recente introdução do aborto aqui”.

“De fato, podemos virar nossos olhos da verdade daquilo que agora é sancionado pela lei e vesti-la com palavras como ‘escolha’, mas isso não mudará em nada a profunda injustiça daquilo que a nova lei permite”, continuou Maeve.

Médicos que realizam abortos na Irlanda recebem do Estado 450 euros por procedimento, o que equivale R$ 3 mil. Esse numero é “mais que o dobro do que os médicos receberiam se cuidassem da mãe e do bebê durante a gravidez. Essa é a chocante realidade daquilo que agora é permitido na Irlanda, tudo em nome do progresso”, criticou a porta-voz.

“A marca de uma sociedade verdadeiramente progressiva é aquela que trata toda vida humana como ‘alguém’ com um valor inerente, e não como ‘algo’ sem valor que pode ser rejeitado pela escolha de outro”, concluiu a ativista.

Fontes: CNA/ Gov.ie

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