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Entre o digital e o presencial: viver a fé em tempos on-life

Entre o digital e o presencial: viver a fé em tempos on-life - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Em um tempo em que a vida acontece em múltiplas telas, no­tificações e feeds, a espiritualida­de também atravessa o digital. A fé já não se expressa apenas nos espaços físicos, mas circula por mensagens, transmissões, ima­gens e buscas feitas nas redes sociais. Para uma geração que cresceu conectada, essa integra­ção entre o on-line e o off-line não é exceção, mas parte da ex­periência cotidiana, inclusive na forma de rezar, buscar sentido e viver a vida comunitária.

Diante desse cenário, o desa­fio se coloca: como viver a fé de forma autêntica em uma socie­dade hiperconectada, sem perder a profundidade da experiência cristã, e de que maneira a Igreja pode ocupar os ambientes digi­tais sem reduzir a espiritualidade a conteúdos rápidos ou a substi­tutos da presença comunitária? Essas questões atravessam o con­ceito de on-life, que ajuda a com­preender uma realidade em que tecnologia, relações humanas e vida espiritual se entrelaçam.

O DIGITAL APROXIMA, MAS NÃO SUBSTITUI A PRESENÇA

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

É a partir desse olhar que Aline Imercio, jornalista e mem­bro da Pastoral da Comunicação do Santuário Nossa Senhora do Sagrado Coração, reflete sobre os desafios e as possibilidades da pastoral digital hoje. Para ela, essa fusão entre o on-line e o of­f-line já faz parte da vivência de muitos fiéis, especialmente das novas gerações: “Para quem cres­ceu conectado, é difícil imaginar o dia a dia sem o celular. O digital faz parte da vida, e a Igreja, como comunidade viva, também está inserida nesse contexto”.

Segundo Aline, esse movi­mento se tornou ainda mais evi­dente após a pandemia, quando muitas paróquias precisaram se adaptar aos meios digitais para manter o vínculo com os fiéis. “Mesmo comunidades que antes não atuavam nas redes precisa­ram aprender. Hoje, é comum que as pessoas entrem em conta­to pelo WhatsApp ou Instagram para buscar informações sobre Batismo, Confissão ou Cateque­se”, explica.

Ao mesmo tempo, ela destaca que o digital deve ser compreen­dido como um apoio à vida co­munitária, e não como substitu­to da presença. “É fundamental reforçar que estar na missa, bus­car o sacramento da Confissão e ir aos encontros da comunidade continua sendo essencial. O am­biente digital não substitui a ex­periência presencial”, ressalta.

A hiperconectividade, quan­do não é bem dosada, também impacta a vivência espiritual. “Muitas vezes, a necessidade de estar conectado o tempo todo faz com que as pessoas se distraiam durante a homilia ou deixem de viver plenamente um momento importante, porque estão pre­ocupadas em registrar tudo no celular”, observa Aline.

A PASCOM NÃO SE RESUME AO FEED

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Thayna Franzo

Nesse contexto, a Pastoral da Comunicação assume um papel que vai além da divulgação de eventos e horários. “A missão principal da Pascom é evange­lizar por meio da comunicação”, afirma Aline, ao lembrar que essa pastoral já existia antes das redes sociais, e se valia de meios como jornais, folhetos e regis­tros da vida comunitária, e que hoje se amplia com as novas lin­guagens digitais.

Ela também destaca que a Pascom exerce um papel impor­tante no diálogo com as demais pastorais e serviços da Igreja.

Segundo Aline, nem todas as áreas da comunidade se sentem à vontade no ambiente digital, o que torna necessária uma postu­ra acolhedora por parte da equi­pe de comunicação. Ao incen­tivar a partilha de informações, pedidos e registros das ativida­des, a Pascom contribui para integrar os trabalhos e ampliar a participação da comunidade, sem substituir outras pastorais, mas ajudando a tornar suas ações conhecidas e valorizadas.

Esse contato constante com o público revela as dores, dúvidas e expectativas de quem está do outro lado da tela. Para Aline, saber lidar com essas manifestações é parte da missão pastoral.

O COMPROMISSO COM A FÉ

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Luciney Martins/O SÃO PAULO

Aline chama a atenção para um desafio que atravessa toda a pas­toral digital hoje: a circulação de fake news e conteúdos manipula­dos, como as deepfakes. Segundo ela, a Pastoral da Comunicação precisa ter extremo cuidado com tudo o que publica e comparti­lha. “Mesmo no ambiente digital, falamos em nome da comunida­de e do que é sagrado. Por isso, é fundamental apurar, verificar e ter discernimento antes de divulgar qualquer informação”, alerta.

Para ela, o critério é claro: o mesmo respeito presente na li­turgia, no jornal paroquial e na acolhida deve existir nas redes so­ciais: “A comunicação é um servi­ço à evangelização. Seja no papel, seja no digital, ela exige verdade, discernimento e compromisso com a fé”.

Por ThayNa Franzo
Assessora de imprensa e membro da Pascom da Paróquia Santo Inácio de Loyola e São Paulo Apóstolo, Região Sé.



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