Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’

Enfatizou o Cardeal Odilo Pedro Scherer na Missa da Ceia do Senhor, celebrada na noite da Quinta-feira Santa, 2, na Catedral da Sé

‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’ - Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Marcando o início do Tríduo Pascal, na noite da Quinta-feira Santa, 2, o Cardeal Odilo Pedro Scherer presidiu a Missa da Ceia do Senhor na Catedral da Sé.

No começo da celebração, o Arcebispo Metropolitano ressaltou que a liturgia recorda a instituição da Eucaristia, expressão da nova e definitiva aliança de Deus com toda a humanidade.

MANDAMENTO DO SERVIÇO

Durante a homilia, Dom Odilo recordou que a Última Ceia, além de rememorar a instituição da Eucaristia e o mandamento do amor, também aponta para a vocação de servir uns aos outros, como fez Jesus. Também afirmou que a instituição do sacerdócio está intimamente ligada a esse momento, pois nele os sacerdotes renovam suas promessas, enquanto os fiéis são convidados a agradecer por esse dom essencial à vida da Igreja.

Em sintonia com a intenção de oração do Papa Leão XIV para este mês, Dom Odilo pediu à assembleia de fiéis que reze pelos sacerdotes, sobretudo por aqueles que enfrentam dificuldades, a fim de que experimentem a caridade por meio da oração e do acolhimento da Igreja, permanecendo fiéis à missão e dedicando-se generosamente ao povo de Deus.

“Recordamos, primeiro, a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial; recordamos o mandamento novo do amor e, ainda, o gesto do lava-pés, no sentido do serviço fraterno, como Jesus ensinou: ‘dei-vos o exemplo para que façais a mesma coisa’. Por isso, a Última Ceia está ligada a diversas realidades importantes da nossa Igreja”, expressou Dom Odilo.

O CORDEIRO IMOLADO

O Arcebispo também aprofundou o sentido da Ceia Pascal, explicando que a tradição tem origem no povo judeu, em memória da libertação dos hebreus da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida.

“Essa ceia foi ordenada por Moisés quando o povo passou da escravidão para a liberdade, como um rito a ser celebrado todos os anos, em memória das ações grandiosas de Deus, que manifestou Sua presença salvadora ao libertar o povo tornando-o livre, um povo de Deus”, afirmou.

O Arcebispo explicou, ainda, que a celebração vivida hoje pela Igreja torna presente o momento em que o próprio Cristo se faz o Cordeiro Pascal, ao oferecer seu Corpo e seu Sangue como alimento, convidando os apóstolos a perpetuarem esse gesto em sua memória.

“A Ceia Pascal cristã não é apenas lembrança, mas atualização deste mistério: torna presente o gesto de entrega da vida de Jesus por todos nós, seu corpo doado na cruz e seu sangue derramado para o perdão dos pecados. Trata-se, portanto, da nova Ceia, sacrifício da nova e eterna aliança”, destacou.

‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’ - Jornal O São Paulo

O CENTRO DA FÉ

Ao tratar da centralidade da Eucaristia, Dom Odilo salientou que esse mistério é continuamente proclamado pela Igreja até o fim dos tempos.

“Fazemos isso em memória de Jesus, até que Ele venha novamente em glória, para que todos nós, ao celebrarmos esse mistério, participemos dos frutos da redenção: do perdão dos pecados e da vida nova que nos foi prometida por meio do sacrifício de Cristo na cruz. Por isso, a Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã”, sublinhou.

Diante disso, o Arcebispo incentivou a participação ativa dos fiéis nas missas, ao menos aos domingos, destacando a Eucaristia como sinal visível da fé que sustenta a missão da Igreja de testemunhar Jesus Cristo no cotidiano e de formar uma única família entre aqueles que se reúnem ao redor do altar.

“Somos a Igreja de Jesus Cristo reunida em torno do altar, que representa o próprio Cristo, aquele que se entregou por nós na cruz. Na Eucaristia, somos também a Igreja que responde com fé: ‘Creio, Senhor’, e que suplica: ‘Senhor, escutai a nossa prece’. Somos a Igreja que oferece seus dons com alegria e confiança, que louva e adora o Pai por meio de Jesus, na graça do Espírito Santo. Somos ainda a Igreja que recebe o Corpo e o Sangue de Cristo como alimento, o Pão da Vida que nos sustenta”, afirmou Dom Odilo.

‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’ - Jornal O São Paulo

‘A EUCARISTIA É INSEPARÁVEL DA CARIDADE’

O Cardeal também refletiu sobre o significado do rito do lava-pés, destacando que o gesto de Jesus ao lavar os pés dos discípulos, no mesmo contexto da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, revela que a caridade é inseparável da vida eucarística.

“Não participa plenamente da Eucaristia quem não se compromete com o cuidado dos irmãos, quem não vive a caridade. A celebração eucarística nos conduz necessariamente ao serviço, ao amor concreto, à doação. Temos inúmeras oportunidades de viver isso no dia a dia. Tudo depende da intenção do coração: podemos agir pensando apenas em nós mesmos ou buscando o bem do próximo. Quando colocamos o outro no centro, tudo se transforma”, pontuou.

 “Servir, muitas vezes, exige sair da zona de conforto e ir ao encontro de quem sofre, dos mais necessitados e daqueles que vivem na angústia. É esse movimento que dá sentido concreto ao amor cristão”, prosseguiu.

‘A Eucaristia é, para nós, o momento mais importante da vida cristã’ - Jornal O São Paulo

ELE VEIO MORAR ENTRE NÓS

Após a homilia, o Arcebispo realizou o rito do lava-pés que neste ano, em alusão ao tema da CF 2026 – “Fraternidade e Moradia”, teve a participação de representantes de instituições dedicadas ao acolhimento e à defesa dos direitos de pessoas em situação de rua ou sem moradia digna.

Ao final da missa, o altar foi desnudado e todos os adornos do presbitério retirados. Depois, houve a transladação do Santíssimo para a Capela do Santíssimo da Catedral da Sé, onde aconteceu a vigília e adoração, com a presença do Cardeal Scherer, dos concelebrantes e fiéis.

Na sexta-feira, 3, às 15h, na Catedral da Sé, o Cardeal Scherer presidirá a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, celebração que acontecerá neste mesmo horário em todas as paróquias da Arquidiocese de São Paulo.

O TESTEMUNHO DE FÉ DOS QUE TIVERAM OS PÉS LAVADOS


“É uma experiência diante da qual não me sinto digna. Essa vivência também me trouxe uma profunda reflexão: quantas pessoas eu ainda não consegui acolher, quantas ainda não pude servir? Diante da realidade que vivemos hoje, são tantas as pessoas que sofrem violência e exclusão, que poderiam estar aqui no meu lugar. Eu trago comigo todas essas pessoas. É como se não fossem apenas os meus pés sendo lavados, mas os pés de cada pessoa que hoje sofre algum tipo de violência, abandono ou que está dormindo nas ruas”. (Marina Inês Leandro – da Equipe Arquidiocesana da CF 2026 e integrante da diretoria da Caritas Arquidiocesana de São Paulo)

“Ao lembrar de tudo o que já passei, reconheço que Jesus sempre teve misericórdia de mim e nunca deixou de me amar. Vejo que Deus tem um projeto muito bonito, não só na minha vida, mas na vida de todos os irmãos. E, sinceramente, não encontro palavras para expressar a gratidão que sinto por estar aqui. Nunca imaginei viver algo assim. É uma honra representar a Missão Belém”. (Erivan Souza da Silva, missionário Missão Belém, já foi acolhido e hoje acolhe)

“Em primeiro lugar, também pela função que exerço na cidade de São Paulo, é preciso sempre olhar para o ser humano, para as pessoas, indistintamente, e fazer o bem. É fundamental buscar o bem viver de todos, especialmente em uma cidade tão grande e desafiadora. (Regina Santana, secretária municipal dos Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo)

Deixe um comentário