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A Quaresma é ‘um tempo especial da misericórdia de Deus para todos nós’ 

Na Missa da Quarta-feira de Cinzas, o Cardeal Scherer recordou que este é o período favorável para a reconciliação com o Senhor e para crescimento na vida cristã

A Quaresma é ‘um tempo especial da misericórdia de Deus para todos nós’  - Jornal O São Paulo
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Na tarde da Quarta-feira de Cinzas, 18, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, presidiu na Catedral da Sé a missa com o rito de imposição das cinzas, marcando o início do tempo da Quaresma. A celebração também assinalou a abertura da Campanha da Fraternidade 2026 na Arquidiocese, que neste ano propõe a reflexão sobre o tema “Fraternidade e Moradia”.

Concelebraram bispos auxiliares e sacerdotes, com a assistência de diáconos e a participação de religiosos e fiéis leigos, além de representantes de pastorais e movimentos ligados à temática da moradia. 

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A Quarta-feira de Cinzas é dia especialmente penitencial, no qual os cristãos manifestam o desejo de conversão por meio do rito da imposição das cinzas. Durante o gesto, o celebrante profere uma das fórmulas litúrgicas retiradas da Sagrada Escritura: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19) ou “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). O sinal recorda a condição humana e a necessidade permanente de retorno a Deus. 

Assim como na Sexta-feira da Paixão, a Igreja prescreve para este dia o jejum e a abstinência de carne, como forma de penitência em memória da Paixão de Cristo. A abstinência é obrigatória aos maiores de 14 anos; o jejum, aos fiéis entre 18 e 59 anos, excetuando-se os enfermos ou debilitados. 

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TEMPO FAVORÁVEL 

Na homilia, Dom Odilo ressaltou que, com essa liturgia, os católicos iniciam o caminho de preparação para a Páscoa, “maior de todas as celebrações da Igreja, núcleo central da fé e da vida dos cristãos”. Recordando que a Igreja chama este período de “Tempo Santo da Quaresma”, afirmou tratar-se de “um tempo de graça, um tempo de penitência, sim, mas também um tempo especial da misericórdia de Deus para todos nós”. 

O Cardeal destacou que o convite quaresmal é à revisão sincera de vida. “A pergunta sempre de novo é esta: estamos vivendo aquilo que significou o nosso Batismo?”, indagou. Segundo ele, a Quaresma conduz à renovação das promessas batismais na celebração pascal, recordando que, com Cristo, os cristãos morrem ao pecado para ressurgir para uma vida nova. 

Citando a Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios, sublinhou o apelo apostólico: “Somos embaixadores de Cristo” e “Suplicamos-vos: deixai-vos reconciliar com Deus”. E reforçou: “Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação”, indicando que a reconciliação com o Senhor é caminho concreto para acolher a misericórdia divina. 

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PRÁTICAS AUTÊNTICAS 

Ao comentar o Evangelho proclamado na missa (cf. Mt 6,1-6.16-18), Dom Odilo advertiu contra uma religiosidade apenas exterior. Recordando o ensinamento de Jesus sobre a esmola, a oração e o jejum, afirmou com clareza: “A religião não é a arte da enganação de Deus”. As práticas quaresmais, explicou, devem brotar de um coração convertido, não de gestos feitos “para se mostrar”. 

Segundo o Arcebispo, se o jejum, a oração e a esmola não forem autênticos, “não vão bem”. Devem ser realizados com humildade e sinceridade, como expressão de uma vida que se volta verdadeiramente para Deus. “Faça verdadeiramente diante de Deus, de coração sincero, arrependido, humilde, então sim essas práticas serão agradáveis a Ele”, exortou. 

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O Cardeal também convidou os fiéis a examinarem a própria vivência cristã. “Como está a minha prática religiosa? Como está a minha vida cristã?”, refletiu. Alertou, também, para o risco de uma fé reduzida ao mínimo: “A gente não deve se contentar diante de Deus com o mínimo do mínimo”. Recordando que Deus “deu o máximo de si” ao entregar o Filho para a salvação da humanidade, incentivou a uma resposta generosa, capaz de produzir frutos concretos. 

A Quaresma, acrescentou o Arcebispo, é tempo de crescimento na fé, na união com Deus e na caridade. Os dons recebidos no Batismo não devem permanecer estéreis, mas frutificar na vida pessoal e na transformação do mundo. 

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AMOR AO PRÓXIMO 

Nesse horizonte, Dom Odilo situou a Campanha da Fraternidade como expressão das consequências sociais da fé. “Amor a Deus, amor ao próximo, são inseparáveis”, recordou. Se alguém afirma amar a Deus, mas ignora as necessidades do irmão, “está precisando de conversão, está precisando de crescimento”. 

Ao propor o tema da moradia, a Campanha da Fraternidade 2026 convida à reflexão sobre a dignidade das famílias e as condições habitacionais em meio aos desafios urbanos e sociais. Trata-se, segundo o Arcebispo, de examinar a vida pessoal e comunitária à luz de situações concretas em que há “insuficiência de fraternidade”. 

Ao final da celebração, foi realizado o envio simbólico para a vivência da CF 2026 na Arquidiocese, com a entrega de exemplares do texto-base a representantes das regiões e vicariatos episcopais. O gesto expressou o compromisso de levar às comunidades a reflexão proposta e de promover iniciativas que traduzam, em ações concretas, a caridade cristã. 

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