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Ao completar 80 anos, Fundação São Paulo olha para o futuro no evento ‘Que mundo vamos construir?’

Ao completar 80 anos, Fundação São Paulo olha para o futuro no evento ‘Que mundo vamos construir?’
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Orientada pelos princípios da fé católica, e atuando para promover o ensino em todos os níveis e modalidades, além de estimular a investigação, a pesquisa científica e a extensão de serviços à comunidade, a Fundação São Paulo (Fundasp) comemora neste mês 80 anos de história. 

Fundada em 10 de outubro de 1945 no arcebispado do Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, a Fundasp (https://www.fundasp.org.br) é mantenedora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), do Centro Universitário Assunção, da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic) e do Hospital Santa Lucinda, este último em Sorocaba (SP). 

Ao completar 80 anos, Fundação São Paulo olha para o futuro no evento ‘Que mundo vamos construir?’

As oito décadas de história da instituição foram celebradas em dois eventos: em 24 de junho, no Tucarena, com o tema “Educação Católica no Mundo Plural – atualidade, desafios e perspectivas” (veja em https://curt.link/oOAfA), e na quinta-feira, 9, no Centro Universitário Assunção, com reflexões sobre “Que mundo vamos construir? – geração beta e relação com IA”. 

Na abertura do encontro, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano e Presidente do Conselho Curador da Fundação São Paulo, lembrou que, nestes 80 anos, a Fundasp teve momentos de crescimento, de crise – como a financeira no início dos anos 2000 – e de retomada, “com muita gestão e muita tenácia”, e que hoje “continua viva e com muita vontade de prosseguir no seu serviço para os próximos tempos”. 

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AMPLA GAMA DE AÇÕES 

Em recente entrevista ao programa “Frente a Frente”, da Rede Vida de Televisão, o Padre José Rodolpho Perazzolo, Diretor Executivo da Fundasp, falou sobre a abrangência das ações da instituição, sempre com a meta de “educar e servir a partir do humanismo cristão, dos valores que Nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou e que nos são revelados no Evangelho e nos documentos da Igreja, como a Doutrina Social da Igreja, na qual muito nos pautamos”. 

Alguns indicadores foram citados no evento do dia 9. Na área da educação, por exemplo, a Fundasp destinou R$ 101 milhões para bolsas e programas de apoio a estudantes bolsistas em 2024. “Temos uma alegria imensa de promover pessoas que vêm dos recantos muito empobrecidos, sofridos, e que, a partir da graduação que realizam, acabam assumindo papéis importantes na sociedade”, ressaltou Padre José Rodolpho. 

Ao completar 80 anos, Fundação São Paulo olha para o futuro no evento ‘Que mundo vamos construir?’

Na Derdic, que atua para a educação, acessibilidade e empregabilidade das pessoas com alterações de audição, voz, motricidade orofacial, linguagem e com deficiência intelectual, ocorreram mais de 6 mil atendimentos presenciais via Sistema Único de Saúde (SUS) em 2024. Já na Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic, vinculada à Faculdade de Ciência Humanas e da Saúde da PUC-SP, houve mais de 9,2 mil atendimentos gratuitos. 

No mesmo ano, o Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da Faculdade de Direito da PUC-SP, realizou mais de 3,2 mil atendimentos gratuitos de assessoria jurídica à população em situação de vulnerabilidade; e houve mais de 1,3 mil atendimentos na Assistência Judiciária 22 de Agosto Antônio Carlos Malheiros, que tem o apoio da Fundasp. 

No Hospital Santa Lucinda, que além de ser uma unidade de prática universitária atende a população de 48 cidades do entorno de Sorocaba (SP), quase 70% da ocupação dos 1.416 leitos em 2024 foi de pacientes do SUS, a este mesmo público perfez 87% dos atendimentos ambulatoriais. Destaca-se, ainda, o Centro de Parto Santa Dulce dos Pobres, que realizou 3.181 nascimentos no ano passado, 57% via SUS. 

A Fundasp também administra, desde 2013, o Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva. 

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ÉTICA E JUSTIÇA SOCIAL NO USO DAS TECNOLOGIAS 

No evento comemorativo, o Cardeal Scherer falou da permanente preocupação da Igreja sobre como a relação entre capital e trabalho impacta a vida das pessoas, panorama que motivou o Papa Leão XIII a publicar a encíclica Rerum novarum, em 1891, perante a forte crise social decorrente da Primeira Revolução Industrial; e lembrou que este é um tema ainda atual, agora com o amplo emprego das tecnologias da informatização e da inteligência artificial. 

“Há uma preocupação sobre as consequências do uso que se faz dessas novas tecnologias. Se, de um lado, elas podem facilitar e agilizar o trabalho, também podem deixar no desemprego multidões de trabalhadores. Se favorecem e facilitam as relações interpessoais, podem também deixar muitas pessoas na solidão, exatamente pelo uso inadequado e tóxico desses instrumentos. Se podem favorecer a pesquisa e a informação, também podem ser usadas para espalhar falsidades e gerar uma tremenda confusão nas relações humanas. O problema não está nas tecnologias, mas no uso que se faz delas”, enfatizou Dom Odilo, destacando que essa é uma preocupação também do Papa Leão XIV, que tem se debruçado sobre as consequências ético-morais e antropológicas da utilização das novas tecnologias. 

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Os impactos da IA no processo educativo foram debatidos em uma conferência com três especialistas. 

O professor doutor Michael J. Ferreira, da Georgetown University, universidade católica mais antiga dos Estados Unidos, destacou que é possível fazer bom uso da IA para uma formação humanística desde que esta contribua com os potenciais do ser humano e não para fazer tudo por ele. “Muito se fala que a IA vai transformar a educação, mas temos de pensar que toda vez que houve uma tecnologia nova, as mudanças tiveram efeito em todo o mundo em volta da educação”, comentou. 

Mestre em Educação pela USP e diretor do Colégio São Domingos, o professor Luis Fernando Weffort comentou que mais do que se preocupar com a IA, a escola do futuro deve “investir mais na inteligência real dos estudantes, na busca de uma relação com o conhecimento autêntico, investigativo, em um convite a pensar junto, apresentando o mundo como um mistério, como algo absolutamente aberto, desafiador e enigmático”. 

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Diretor Acadêmico do Laboratório de Política, Comportamento e Mídia (Labô) da PUC-SP, o professor Luiz Felipe Pondé, doutor em Filosofia, analisou, do ponto de vista histórico e sociológico, a chegada à geração Beta (como tem se chamado os nascidos a partir de 2025) e o avanço da IA: “Temos pouca possibilidade de enfrentar a entrada da inteligência artificial em várias áreas de nossa vida, inclusive na Educação”. Ele ponderou que é preciso estar atento para que tais tecnologias não levem à exclusão das pessoas, tendo em conta que a lógica da modernidade é “controlar tudo, avançar mais e ter resultados”. 

No evento comemorativo também se homenageou a Irmã Valdete Contin, da Congregação das Cônegas de Santo Agostinho, que trabalha há 60 anos na Fundasp, atualmente na função de assessora especial. 

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NOVIDADES 

Na entrevista à Rede Vida de Televisão, Padre José Rodolpho lembrou que, como parte das comemorações dos 80 anos da Fundasp, ainda haverá o lançamento de um livro e a realização de um evento cultural celebrativo no Teatro Tuca. 

O Diretor Executivo da Fundasp também falou de dois projetos futuros: a criação de um instituto de inteligência artificial; e de um curso ou departamento que trate das questões do urbanismo e sustentabilidade das cidades. A íntegra da entrevista pode ser vista no YouTube da emissora, no link a seguir: https://curt.link/KxHEK

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(Colaborou: Karen Eufrosino)

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