
A Arquidiocese de São Paulo adequou o Fundo de Auxílio Fraterno Presbiteral (FAFPRES), por meio de decreto do Cardeal Odilo Pedro Scherer, datado de 19 de março. Instituído em 2024, no contexto das Normas Administrativas e Financeiras da Arquidiocese de São Paulo, o FAFPRES nasceu para assegurar maior segurança aos clérigos idosos ou impossibilitados de continuar exercendo o ministério pastoral.
“São sacerdotes que deram a vida pela Igreja e não podem ser abandonados na hora da necessidade”, afirmou Dom Odilo ao O SÃO PAULO, na ocasião da instituição do fundo, diante de uma realidade cada vez mais presente na Arquidiocese. Com o passar dos anos, muitos padres enfrentam limitações de idade ou de enfermidade, que os impedem de exercer plenamente o ministério. Nessa etapa de vida, sua presença continua fecunda, marcada pela oferta silenciosa de suas limitações. Em sintonia com a tradição da Igreja, que prevê assistência em situações de “doença, invalidez ou velhice”, o fundo se apresenta como expressão da fraternidade presbiteral.
AUXÍLIO FRATERNO
Essa atenção se traduz também em necessidades concretas como a permanência de padres acolhidos na Casa São Paulo, destinada especialmente aos idosos e enfermos, que implica custos contínuos. Em diversos casos, alguns presbíteros necessitam de cuidadores, terapias, exames e procedimentos médicos, incluindo atendimentos de urgência e cirurgias, que nem sempre contam com cobertura integral, seja nos serviços públicos de saúde, seja nos planos privados.
O fundo também possibilita auxílio complementar para despesas com medicamentos não cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), bem como para tratamentos oftalmológicos e odontológicos que não contam com cobertura integral dos seguros de saúde ou da rede pública.
Essas realidades evidenciam a importância de uma estrutura estável e solidária que permita à Igreja responder com dignidade às necessidades de seus ministros. Também revelam uma dinâmica de fraternidade: os sacerdotes que hoje contribuem para esse cuidado, no futuro, poderão dele necessitar.
RECURSOS
Desde sua criação, o fundo é sustentado por diferentes fontes, como o saldo do antigo Fundo de Autogestão, que deu origem ao FAFPRES, o dízimo mensal dos próprios sacerdotes e, também, doações recebidas. Trata-se, assim, de um instrumento que expressa a partilha e a solidariedade na vida da Igreja.
A adequação partiu da experiência dos dois primeiros anos de funcionamento. Segundo o decreto, os recursos previstos inicialmente se mostraram insuficientes para atender plenamente às finalidades do fundo, sobretudo diante das crescentes demandas relacionadas à saúde e à assistência ao clero. Assim, a atualização busca garantir sua sustentabilidade a médio e longo prazo.
NOVA CONTRIBUIÇÃO
Entre as principais medidas está a criação de uma contribuição mensal das paróquias para o fundo, com base em critérios definidos a partir de sua realidade econômica e de suas entradas anuais.
O decreto também estabelece uma coleta anual em favor do Seminário da Arquidiocese, a ser realizada no primeiro fim de semana de agosto. A medida visa a fortalecer a formação sacerdotal e reforça a ligação entre a atenção aos presbíteros e a promoção de novas vocações.
Mais do que uma disposição administrativa, o conjunto dessas iniciativas expressa, portanto, a comunhão e a solicitude da Igreja por aqueles que servem e conduzem o povo de Deus.





