Um dos maiores instrumentos musicais da América Latina está sem funcionar há duas décadas
No coração da cidade, a Catedral da Sé de São Paulo é um marco religioso, arquitetônico e artístico. Com seu peculiar estilo neogótico, na beleza de seus altares, capitéis, vitrais e mosaicos, aqueles que a frequentam podem vivenciar a experiência do sagrado no culto divino por meio da beleza. No entanto, uma de suas principais obras de arte não está disponível para seus visitantes. O imponente órgão de tubos, considerado um dos maiores da América Latina, está completamente calado há mais de 20 anos.
Considerado o maior instrumento musical da cidade de São Paulo, com cerca de 11 mil flautas (tubos), o órgão da Sé foi fabricado especialmente para a Catedral pela empresa italiana Balbiani & Rossi, em Milão, entre os anos de 1953 e 1954.
Inaugurado dez meses após a abertura da Catedral, em 1954, o órgão é separado em três partes: duas (dos lados direito e esquerdo do altar-mor) abrigam os tubos e seus sistemas de compressores e foles; entre elas (sobre uma plataforma de madeira que acompanha o primeiro andar da parte traseira do templo) localiza-se o console de comando, com cinco teclados, 124 registros e um conjunto de pedais. Uma verdadeira obra de arte e engenharia.
Desde a década de 1980, o instrumento funcionava parcialmente, devido à deterioração gradual dos seus componentes, o alto custo e o grau elevado de especialização para sua manutenção. A situação se agravou durante o período de restauro geral da Catedral, entre 1999 e 2002, quando os tubos de instalações elétricas foram danificadas pela poeira e cimento. O último registro de funcionamento do órgão foi nos ensaios que antecederam a reabertura da Sé, em setembro de 2002. Depois disso, nunca mais foi ouvido.
PROJETO
O projeto de restauro do órgão começou há 10 anos, quando foram calculados os altos custos para desmontar e transportar o instrumento para Azzio, no norte na Itália, onde existe há cerca de 200 anos a oficina de restauro de órgãos Mascioni, herdeira da técnica da família que construiu o instrumento. Está registrado na Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet, por meio da qual empresas e pessoas físicas podem destinar parte dos recursos que iriam para o pagamento do Imposto de Renda ao financiamento de obras culturais, no caso, o restauro do órgão. Também é possível fazer doações diretas para o restauro.
“A Catedral serve à nossa cidade. Além de um templo dedicado ao louvor divino, é um centro cultural. Temos uma grande possibilidade de reavivar o centro de São Paulo, contribuir com a cultura da cidade e do estado e favorecer o acesso da população à cultura e à arte”, destacou o Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, Cura da Catedral, durante um evento que reuniu empresários e a imprensa para tratar do tema, no dia 27 de novembro.
O Sacerdote explicou, ainda, que o início da captação e recursos foi interrompido devido à pandemia de COVID-19. Agora, o contato com os possíveis doadores está sendo retomado e algumas empresas já se comprometeram com o projeto.
CAMPANHA
Entre as ideias para angariar fundos, reflete-se na possibilidade da criação de uma campanha em que as pessoas fossem convidadas a “apadrinhar” cada uma das flautas do órgão, experiência que teve bom êxito para o restauro dos vitrais.
“A Catedral, e os demais templos católicos são verdadeiras obras nas quais as pessoas podem ter contato com o sagrado também por meio da beleza e da arte. No entanto, falta o sentido da audição, porque a experiência de entrar aqui sem música não é completa. É como um corpo sem alma”, ressaltou o Maestro Delphim Rezende Porto, Diretor de Música da Catedral da Sé. Para ele, o restauro do órgão da Sé tem um sentido ainda mais especial, já que foi a última pessoa a tocar o órgão em março de 2002, antes de o instrumento parar de funcionar totalmente.
O Maestro também enfatizou que, além de enriquecer a dignidade do culto litúrgico na Igreja-mãe da Arquidiocese e do acesos à música de qualidade, os estudantes de música que se especializam em órgão de tubo poderão ter acesso a um instrumento cada vez mais raro na cidade, ainda mais com esse porte.
COMO SERÁ O RESTAURO?
- Desmontagem completa do instrumento;
- Restauro de 100% do sistema pneumático;
- Limpeza e requalificação individual dos mais de 10 mil tubos;
- Troca de 6.500 membranas que compõem as partes do instrumento;
- Restauro e descupinização geral dos setores em madeira;
- Recondicionamento de 100% da parte elétrica;
- Fabricação e instalação de complementos (internos ou externos) com mais de 2 mil tubos: complementando o preenchimento sonoro de toda a Catedral.
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