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Cardeal Odilo Pedro Scherer abre o Ano Jubilar Franciscano

Na missa de abertura do Jubileu, o Arcebispo Metropolitano recordou que São Francisco difundiu ao mundo a mensagem de Cristo

Cardeal Odilo Pedro Scherer abre o Ano Jubilar Franciscano - Jornal O São Paulo

Diante do altar da primeira igreja dedicada a São Francisco na cidade de São Paulo, frades, religiosas e leigos da família franciscana reuniram-se no sábado, 21, para a missa de abertura do Ano Jubilar Franciscano, em memória dos 800 anos do trânsito do Pai dos Pobres, em 1226.

A celebração eucarística foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano, no Convento São Francisco, na região central. A solenidade marcou oficialmente na Arquidiocese o início das comemorações do Ano Jubilar Franciscano, em sintonia com toda a Igreja.

Instituído pela Santa Sé, por meio de decreto da Penitenciaria Apostólica, o Jubileu teve início em 10 de janeiro de 2026 e prosseguirá até 10 de janeiro de 2027.

Durante o Ano Jubilar, os fiéis poderão alcançar a indulgência plenária mediante o cumprimento das condições habituais (Confissão sacramental, participação na Eucaristia e oração nas intenções do Papa), associadas à vivência devota das celebrações jubilares e à peregrinação a igrejas e espaços franciscanos.

MODELO FIEL DE CRISTO

Cardeal Odilo Pedro Scherer abre o Ano Jubilar Franciscano - Jornal O São Paulo

O decreto pelo qual se promulgou o Ano Jubilar Franciscano apresenta o período como um tempo de renovação para toda a Igreja. Inspirados em Francisco de Assis, os fiéis são convidados a contemplar um modelo pleno de perfeição cristã.

“Quando a caridade cristã enfraquece, a ignorância se espalha juntamente com os maus costumes, e quem exalta a concórdia entre os povos o faz mais por egoísmo do que por sincero espírito cristão; quando o virtual prevalece sobre o real, dissensões e violências sociais passam a integrar o cotidiano, e a paz se torna, a cada dia, mais incerta e distante. Que este Ano de São Francisco estimule todos nós, cada um segundo suas próprias possibilidades, a imitar o Pobrezinho de Assis, a nos formar, tanto quanto possível, segundo o modelo de Cristo, e a não tornar vãos os propósitos do Ano Santo recém-concluído: que a esperança que nos fez peregrinos se transforme agora em zelo e fervor de caridade concreta”, lê-se no decreto.

‘ASSIS É AQUI’

Para o Frei Gustavo Medella, Vigário Provincial, guardião e Pároco do Convento Santuário São Francisco, a abertura do Ano Jubilar Franciscano na Arquidiocese possui um significado particular, pois pela força da espiritualidade franciscana, a celebração permite afirmar que “o Convento São Francisco se torna Assis”.

“Neste pedaço de chão, após 800 anos da passagem de Francisco de Assis, ele continua vivo entre nós e em nós. Esta não é apenas uma celebração da família franciscana, mas de toda a Igreja particular em São Paulo e no mundo, pois estamos reunidos em torno de alguém que sabia congregar e promover o diálogo, a comunhão e a proximidade com Deus”, afirmou o Vigário Provincial.

Para o Frade, Francisco permanece presente na metrópole em cada gesto concreto de solidariedade e generosidade, em uma cidade que “sonha ser cada vez mais aberta e inclusiva, na qual todos possam viver com dignidade, de forma feliz, garantindo o pão de cada dia, tendo acesso ao lazer e cultivando a própria fé. Esse é o grande sonho de Francisco e o grande sonho da família franciscana para a cidade de São Paulo”.

De acordo com Frei Gustavo, ao longo do Ano Jubilar os fiéis poderão peregrinar por mais de 20 igrejas dedicadas a São Francisco na Arquidiocese de São Paulo. O percurso permitirá recordar a vida do santo e, mais do que rezar ou pedir sua intercessão, “buscar, em seu exemplo, ações e atitudes que nos ajudem a nos tornar pessoas melhores, mais generosas, atentas ao cuidado com o outro e com a nossa casa comum, o planeta Terra. Assim, será possível viver o sonho que Deus sonhou em Francisco”, completou.

SANTO DA COMUNHÃO

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O Frei Paulo Roberto Pereira, Ministro Provincial da Província da Imaculada Conceição, destacou que a abertura do Ano Jubilar Franciscano, em sintonia com a Igreja em São Paulo, reafirma que a vida franciscana se realiza em unidade eclesial. Segundo ele, a vida consagrada é um dom da Igreja colocado a serviço de sua missão, tendo como marca essencial a construção da unidade: “Esse é um sinal indispensável: o franciscano deve ser testemunha da comunhão”.

O Religioso também recordou a gratidão da família franciscana pela escolha do nome do Papa Francisco, gesto que, segundo ele, fortaleceu ainda mais o compromisso com os ideais do Pobrezinho de Assis. “Assim como fomos profundamente agradecidos, esse gesto acendeu em nós a consciência de que precisamos viver com ainda mais fidelidade o carisma de São Francisco. Ele é modelo de virtude, luz e referência em muitos aspectos, mas, antes de tudo, é irmão: irmão de toda criatura, do mais pobre e até daquele que reza de modo diferente de nós”, ressaltou.

Para o Ministro Provincial, o legado franciscano se expressa, sobretudo, na fraternidade e na minoridade. “O convite que a vida de São Francisco nos faz é à fraternidade, e a urgência desse chamado já se manifesta em todos os setores da sociedade e em todo o mundo”, frisou.

O HOMEM DA ESPERANÇA

Cardeal Odilo Pedro Scherer abre o Ano Jubilar Franciscano - Jornal O São Paulo

Na homilia da missa, Dom Odilo Scherer ressaltou que este tempo de graça convida não apenas os católicos, mas todas as pessoas, a olhar para a vida de São Francisco de forma mais aprofundada, reconhecendo nele um sinal de esperança, fraternidade e renovação da Igreja a partir do amor ao Evangelho.

“São Francisco continua a ser importante para nós, como cristãos, para toda a Igreja e para o mundo. Por isso, hoje ele é reconhecido também fora do âmbito cristão-católico como um irmão de muitos que não são cristãos, mas que nele se reconhecem como irmãos. Em Francisco, veem um filho de Jesus Cristo, portador de uma mensagem clara, que não é a mensagem de Francisco, mas a mensagem do próprio Jesus, e que, por meio de São Francisco, continua a ser vivida e anunciada”, manifestou o Arcebispo.

UMA LUZ QUE NÃO SE APAGA

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Ao término da missa, ocorreu a exposição da Relíquia de São Francisco de Assis, que poderá ser venerada pelos fiéis durante todo o período jubilar. Na procissão que conduziu a relíquia até o altar, os frades caminharam com velas acesas nas mãos, em sinal da presença luminosa do Pobrezinho de Assis na vida da Igreja.

ACESSE AQUI RELAÇÃO DAS IGREJAS DE PEREGRINAÇÃO NA ARQUIDIOCESE

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No contexto do oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, no sábado, 21, aconteceu a exumação dos restos mortais do Santo na Basílica Superior de Assis. À tarde, ocorreu a celebração da transladação e das Vésperas, na presença de cerca de 300 frades, presidida pelo Cardeal Ángel Fernández Artime, Legado Pontifício. Mais de 370 mil peregrinos compareceram. Os restos mortais ficarão expostos até 22 de março, podendo ser venerados publicamente pela primeira vez na história. (por Redação)

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