No próximo dia 15 de novembro, a Igreja realiza em todo o mundo o 10º Dia Mundial dos Pobres. A celebração foi introduzida pelo Papa Francisco, para ser realizada todos os anos no domingo anterior ao de Cristo Rei. Isso faz todo sentido no contexto da Liturgia, uma vez que, no domingo de Cristo Rei, somos confrontados com o grande julgamento, em que o Cristo Senhor nos questiona sobre nossas atitudes em relação aos pobres (cf. Mt 25,31-46).
O objetivo do Dia Mundial dos Pobres, conforme indicava o Papa Francisco na carta apostólica Misericordia et Misera (2016), no final do Ano da Misericórdia, é trazer o pobre para o centro da cena e das atenções da Igreja, da sociedade e dos poderes públicos. Geralmente, os pobres são desconhecidos, ignorados e até escondidos. Motivada, não por uma ideologia qualquer, mas pelo Evangelho de Jesus e pelos deveres cristãos, a Igreja tem a missão de colocar o pobre no centro de suas atenções e das atenções da sociedade.
O tema da mensagem do Papa Leão XIV para este 10º Dia Mundial dos Pobres é tomado de uma expressão do Salmo 14: “O Senhor é o refúgio dos pobres” (Sl 14,6). A mensagem do Papa está disponível na internet (Google) e pode ser lida integralmente por todos. Destaco a questão de fundo da mensagem: os pobres têm o direito de receber a atenção da Igreja e de todas as organizações da Igreja, pois reconhecem na Igreja, de alguma maneira, a presença e a ação de Deus. Eles nunca deveriam ser desiludidos por nós, quer na sua busca de todo tipo de ajuda, quer na assistência religiosa e participação na vida das nossas comunidades.
Lembro o que dizia São João Paulo II: se dermos todo tipo de atenção e ajuda material aos pobres, mas não lhes damos o Evangelho, ainda lhes daremos muito pouco. Fico feliz em constatar que já existem muitas iniciativas em nossa Arquidiocese para esse cuidado dos pobres. E, ao ver os pobres ao redor de nossas igrejas e até nos bancos das igrejas, rezando e, talvez, cochilando um pouco, lembro-me da frase que constitui o tema da mensagem do Papa: o pobre tem seu refúgio na “casa de Deus”. É um bom sinal. Que eles não fiquem desamparados à sombra da casa de Deus.
Neste ano, o Vicariato Episcopal para a Caridade Social está promovendo uma série de iniciativas para dinamizar a “jornada” mundial dos pobres em nossa Arquidiocese. As iniciativas visam à divulgação mais ampla da mensagem do Papa, promovendo a reflexão sobre ela. Mas também são realizadas várias experiências concretas de atenção aos pobres, nas suas mais diversas necessidades. Outro objetivo é envolver muitos voluntários nessas ações do Vicariato. A realização do Dia Mundial dos Pobres serve para despertar a consciência sobre a presença dos pobres entre nós, em nossa cidade e no mundo, levando ao questionamento sobre as raízes da pobreza e as vias de sua superação. Devemos estar atentos a não desatender à voz da Igreja, que se faz ouvir por meio da palavra do Papa.
A realização do Dia Mundial dos Pobres não deve ser “terceirizada”, confiando-a a algum grupo ou organização em particular; ela é e deve ser a expressão de uma ação eclesial, envolvendo a comunidade inteira da Igreja. Em nossas paróquias, comunidades e organizações eclesiais, que envolvem também as pastorais, obras sociais, associações de fiéis, movimentos, novas comunidades eclesiais, escolas, colégios e instituições de ensino superior ligadas à Igreja, bem como toda forma de comunicação da Igreja. Não nos contentemos em fazer uma referência aos pobres em nossas missas e celebrações. De nós todos, que somos da Igreja, espera-se a acolhida aos pobres, levando-os ao centro das atenções para ouvi-los, estando com eles, dando-lhes a certeza de que a Igreja, que eles olham como “sinal de Deus”, seja refúgio verdadeiro para eles.
Certamente, não podemos resolver todas as necessidades dos pobres, nem dar a eles tudo o que lhes é devido por uma questão de justiça e humanidade. Por isso, a voz das comunidades da Igreja também pode levar o grito dos pobres aos ouvidos de quem governa, legisla e administra a justiça. A solução da pobreza passa por decisões e ações políticas voltadas à promoção da justiça e da solidariedade social. E todos os filhos da Igreja também participam, de alguma maneira, da responsabilidade na edificação do bem comum, em que os pobres sejam devidamente atendidos e promovidos em sua humana dignidade.




