Diácono permanente da Arquidiocese de São Paulo é ordenado na Basílica de São Pedro 

Entre os 23 diáconos permanentes ordenados está Luís Roberto Zaratin Soares, da Arquidiocese de São Paulo
Fotos: Vatican Media

Na manhã do domingo, 23, Dom Rino Fisichella, Pró-Prefeito do Dicastério para a Evangelização, presidiu, por delegação do Papa Francisco, a missa de encerramento do Jubileu dos Diáconos na Basílica de São Pedro. Na ocasião, foram ordenados 23 diáconos permanentes de diversos países, entre os quais, Luís Roberto Zaratin Soares, da Arquidiocese de São Paulo. 

Na homilia, Dom Fisichella destacou a gratuidade como elemento central do ministério diaconal, enfatizando três aspectos fundamentais da vida cristã: o perdão, o serviço desinteressado e a comunhão. 

Dirigindo-se aos diáconos que receberam a ordenação, fez uma ressalva: “Digo e sublinho intencionalmente que ‘descerão’ os degraus do ministério, e não que ‘subirão’, pois, com a Ordenação, não se sobe, mas desce-se, torna-se pequeno, abaixa-se e despoja-se”. 

Por fim, confiou o ministério dos diáconos à intercessão da Virgem Maria e de São Lourenço, padroeiro dos diáconos, para que sejam “apóstolos do perdão, servos desinteressados dos irmãos e construtores de comunhão”. 

BRASILEIRO 

Aos 56 anos, Luís Roberto é originário da Paróquia Nossa Senhora da Consolação, na Região Sé. Casado há 34 anos com Daniella e pai de dois filhos adultos, Luís Gustavo e Luís Guilherme, seu chamado para a vocação diaconal surgiu em 2011, enquanto servia na Paróquia São Luís Gonzaga, dos Jesuítas, também na Região Sé. Lá, conheceu o Diácono Carlos Galeão Camacho, que se tornou seu orientador no processo de discernimento vocacional. 

“Ele foi para mim um grande exemplo, mentor e professor”, afirmou o Diácono Luís Roberto ao O SÃO PAULO. No início, sua família ficou surpresa, mas os filhos já crescidos, ele ingressou na escola diaconal em 2014, iniciando sua formação no propedêutico. 

Durante os anos de preparação, Luís Roberto percebeu que sua vocação ia além do serviço litúrgico. “A tríplice missão do diácono (liturgia, anúncio da Palavra e caridade) foi se materializando de forma distinta e integrada”, explicou, acrescentando que essa experiência lhe trouxe graça e consolo espiritual, sentindo Cristo agir em sua vida para servir ao povo de Deus, dentro e fora da Igreja. 

“Estarei disponível para assistir o povo de Deus da forma mais plena possível, seja no Batismo, nos matrimônios, nos hospitais ou nos funerais. Até o fim dos tempos”, declara o novo Diácono. 

DIACONATO 

O diaconato é o primeiro grau do sacramento da Ordem – seguido do presbiterato (padres) e do episcopado (bispos). A palavra grega diakonia significa serviço. 

O serviço dos diáconos é documentado desde os tempos apostólicos, como relata o livro dos Atos dos Apóstolos (cf. 6,1-6) sobre a instituição dos sete homens encarregados do serviço à Palavra, às mesas e aos necessitados. 

Diferentemente dos padres e bispos, os diáconos não presidem a Eucaristia (missa), a Reconciliação (Confissão) e a Unção dos Enfermos, mas podem ministrar o sacramento do Batismo e abençoar matrimônios. Além disso, colaboram na formação catequética dos fiéis e acompanhamento das famílias na organização dos serviços caritativos da comunidade. 

A instituição diaconal foi florescente na Igreja do Ocidente até ao século V. Depois, por várias razões, acabou por permanecer como etapa intermediária para os candidatos à ordenação sacerdotal. O Concílio de Trento, no século XVI, dispôs que o diaconato permanente fosse retomado como nos primórdios, mas não chegou a se concretizar. 

Foi somente o Concílio Vaticano II que estabeleceu que o diaconato pudesse “ser restaurado como grau próprio e permanente da hierarquia” e “ser conferido a homens de idade madura, também casados”, como destaca a constituição dogmática Lumen gentium. Em 1967, São Paulo VI estabeleceu as regras gerais para a restauração do diaconato permanente por meio da carta apostólica Sacrum diaconatus ordinem, podendo ser conferido a homens casados. 

O JUBILEU 

O Jubileu dos Diáconos contou com uma programação repleta de momentos de oração, reflexão e partilha. As atividades incluíram catequeses, testemunhos e discussões sobre o papel dos diáconos em uma Igreja sinodal e missionária. 

Houve também uma peregrinação à Porta Santa e uma vigília de oração, que reuniu os participantes em diferentes igrejas e basílicas de Roma, divididos segundo sua diversidade linguística e cultural. 

Além de Luís Roberto, outro brasileiro foi ordenado diácono na missa do domingo, em Roma: Rogério Reis de Paiva, da Arquidiocese de Porto Alegre (RS). 

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