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Dom Cícero no Domingo da Páscoa: ‘O amor tem pressa’

Em homilia na Paróquia São Pedro Apóstolo, na Mooca, o Prelado refletiu sobre a passagem da morte para a vida, o verdadeiro sentido do Domingo e a necessidade de ser ‘homens e mulheres novos’

Por Fernando Arthur
Colaboração Especial para a Região Belém

Dom Cícero no Domingo da Páscoa: ‘O amor tem pressa’ - Jornal O São Paulo

No Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor, 5, a comunidade da Paróquia São Pedro Apóstolo, na Mooca, Decanato Santa Maria e São José, reuniu-se para celebrar a vitória de Cristo sobre a morte. A missa solene foi presidida por Dom Cícero Alves de França e concelebrada pelo Padre Sidinei Fernandes, colaborador. 

A missa foi antecedida por uma pequena procissão com a imagem do Cristo Ressuscitado, durante a qual os fiéis, com balões brancos nas mãos, proclamaram a Ressurreição do Senhor. 

Dom Cícero proferiu uma homilia centrada no significado do túmulo vazio e na urgência de viver a ressurreição nas realidades do cotidiano.

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O TÚMULO VAZIO E A PRESSA DO AMOR

Refletindo sobre o Evangelho segundo São João, proclamado no Domingo de Páscoa, o Bispo recordou que o evangelista utiliza os “sinais” como método pedagógico. No Evangelho, a palavra túmulo é citada sete vezes. Dom Cícero destacou que o túmulo, que na ótica humana costuma ser um atestado de derrota, em Cristo torna-se o sinal supremo da vitória.

Ao mencionar a corrida de Pedro e do “discípulo amado” após o anúncio de Maria Madalena de que o corpo não estava lá, o Bispo Auxiliar destacou a atitude daquele que Jesus amava, que correu à frente e chegou primeiro: “O amor tem pressa. Quem ama tem pressa, quem ama corre mais rápido e chega primeiro ao túmulo. E este discípulo amado viu as faixas dobradas sobre a pedra e creu.”

Dom Cícero ressaltou, porém, que a prova definitiva da Ressurreição não é apenas a ausência do corpo, mas o fato histórico de que Jesus apareceu vivo e de pé: “Ele não é somente aquele que vive, Ele é o vivente, e quem está nele, vive para sempre”.

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DOMINGO: DIA DA NOVA CRIAÇÃO

Dom Cícero também enfatizou o resgate do verdadeiro sentido do Domingo. Ele pontuou que a sociedade atual tem convertido o primeiro dia da semana em um mero “dia de descanso”, esquecendo-se de sua raiz cristã primordial. Remetendo ao livro do Gênesis, ele explicou que a ressurreição no primeiro dia representa a “nova criação”.

Nesse sentido, exortou a assembleia a não se acomodar às velhas práticas. “Ressuscitar é deixar o homem velho, a mulher velha. É sepultar definitivamente tudo aquilo que é velho, toda podridão que trazemos dentro de nós.”

Dom Cícero também fez um convite à mudança de vida: “É dar uma chance para si mesmo, é não se acomodar a viver no túmulo, é sair, é mudar de vida. Hoje nós somos recriados.”

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AS MORTES COTIDIANAS E A LIBERTAÇÃO DOS ‘INFERNOS’

Dom Cícero questionou os fiéis sobre os túmulos metafóricos nos quais muitas pessoas se encontram deitadas em vida, perdendo a alegria de viver diante dos problemas. Ele utilizou um exemplo bem próximo à realidade paulistana, para ilustrar a urgência dessa ressurreição diária.

“Quando nós vamos à Cracolândia e conseguimos tirar uma pessoa daquele inferno, desta morte, esta pessoa diz: ‘agora eu sou um homem novo’ […]. Pois bem, infernos nós temos em nossas vidas, mortes nós experimentamos em nossa vida. Ousemos encontrar Jesus ressuscitado.”

Ao final da homilia, Dom Cícero deixou uma provocação à comunidade, convidando todos a abandonarem as marcas do medo e da desesperança. Sem a fé no Ressuscitado, lembrou Dom Cícero, a morte e a própria vida nos aterrorizam.

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