Logo do Jornal O São Paulo

Dom Cícero preside a ordenação sacerdotal de três religiosos barnabitas

Em Missa realizada na Paróquia São Rafael Arcanjo, na Mooca, Dom Cícero conferiu o segundo grau do sacramento da Ordem a José Antônio, Maelson e Robert; em sua homilia, o Bispo Auxiliar da Região Belém destacou a dimensão do sacrifício e exortou os novos padres a serem “como a estrela que conduz a Cristo”

Na tarde do sábado, 3, a Paróquia São Rafael Arcanjo, na Mooca, Decanato Santa Maria e São José da Região Episcopal Belém, acolheu com júbilo a celebração eucarística na qual foram ordenados presbíteros três membros da Ordem dos Clérigos Regulares de São Paulo (Barnabitas): José Antônio Oliveira da Silva, CRSP; Maelson Santos Rocha, CRSP; e Robert Cardoso, CRSP.

A missa solene foi presidida por Dom Cícero Alves de França, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém, e concelebrada por sacerdotes da congregação e do clero arquidiocesano, além da presença de religiosos, familiares e fiéis vindos de diversas partes do Brasil e do exterior.

Pela imposição das mãos e a Oração Consecratória, os três diáconos foram configurados a Cristo Sacerdote, assumindo a missão de servir à Santa Mãe Igreja e ao povo de Deus.

Viver o ordinário, experimentar o extraordinário

Durante a homilia, Dom Cícero dirigiu-se aos eleitos com palavras que entrelaçaram a liturgia do altar com a vida prática do ministério. Ao refletir sobre os dons do pão e do vinho, o Bispo ofereceu uma síntese da vida sacerdotal:

“O pão, Robert, nos recorda o que é ordinário na vida. O vinho, Maelson, nos recorda a festa e a alegria. Pois bem, José Antônio, ser padre é viver o ordinário, experimentando o extraordinário”, afirmou.

O Bispo Auxiliar resgatou o sentido etimológico da palavra “sacrifício” — tornar sagrado aquilo que não é — para lembrar que o padre é um mediador que aproxima Deus da humanidade. “Ser padre é não se deixar dominar pelos próprios interesses. É não pertencer mais a si”, exortou Dom Cícero, questionando os ordenandos sobre a disposição de “sacrificar as vossas vidas por amor”.

Inspirado pela liturgia da Epifania do Senhor, Dom Cícero utilizou ainda a imagem da Estrela de Belém para ilustrar a missão dos novos presbíteros: “Como padres, vocês devem ser como esta estrela que leva os homens e mulheres do tempo em que vivemos ao encontro com Jesus. Mas a luz não são vocês. Não sejam adoradores de vocês mesmos”.

Trajetórias de fé e entrega

Os três neossacerdotes trazem consigo histórias marcadas pela fé familiar e por um longo itinerário de formação, que incluiu experiências internacionais.

Padre José Antônio Oliveira da Silva Natural de Sergipe, José Antônio é filho de Raimundo Vidal e Maria Elha. Sua vida eclesial começou cedo: batizado aos três meses, fez a Primeira Eucaristia aos dez anos e, aos doze, já auxiliava como catequista. O despertar vocacional ocorreu aos 16 anos, motivado pelo Monsenhor José de Souza Santos. Inicialmente, ingressou no seminário diocesano de Santos (SP) em 2007. Após um período de discernimento, sentiu o chamado à vida religiosa em 2018, ingressando nos Barnabitas. Sua formação incluiu o propedêutico em São Paulo, filosofia e teologia em Belo Horizonte, e o noviciado no Chile. Recentemente, concluiu o mestrado em Espiritualidade na Itália. Ordenado diácono em junho de 2024, Padre José Antônio prepara-se agora para sua primeira missão sacerdotal na Argentina.

Padre Maelson Santos Rocha Terceiro dos seis filhos de Washington (in memoriam) e Maria das Dores, Padre Maelson traz a herança de um “solo familiar profundamente cristão”. Desde jovem, atuou na Sociedade de São Vicente de Paulo e em diversas pastorais (Batismo, Catequese e Liturgia). Sua caminhada vocacional teve início em 2009 com os Padres Vicentinos, mas encontrou sua plenitude na Família Barnabita a partir de 2018. Seu período de noviciado, realizado em Santiago do Chile em 2021, foi marcado pelos desafios da pandemia de Covid-19. Enviado à Itália para especialização, obteve o título de mestre em Antropologia Cristã. Atualmente, exerce seu ministério na Província Italiana, atuando como vice-reitor do Collegio San Luigi e na Paróquia San Paolo Maggiore, em Bologna.

Padre Robert Maria Cardoso O caçula dos ordenandos, com 28 anos, é natural de Guarulhos (SP). Filho de Hildebrando (in memoriam) e Maria Acioneide, cresceu em uma família numerosa e vibrante, com cinco irmãos. Sua iniciação cristã na Comunidade São João Batista foi precoce: batizado aos sete anos, logo engajou-se como coroinha e catequista. Foi no convívio paroquial, inspirado pelo testemunho de seu pároco de origem, Padre Jefferson, que Robert percebeu o chamado ao sacerdócio. Após onze anos de estudos, oração e amadurecimento, sua ordenação coroa um “sim” generoso cultivado desde a infância.

A cerimônia foi encerrada com os agradecimentos emocionados dos novos padres, que agora iniciam suas missões de “lançar a âncora da esperança” e conduzir o povo a Cristo, seguindo o carisma de Santo Antônio Maria Zaccaria, fundador dos Barnabitas.

Deixe um comentário