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Dom Odilo ressalta que a CF é uma campanha de evangelização, acima de partidarismos

Com o objetivo de “promover, a partir da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população”, teve início na Quarta-feira de Cinzas, 18, a Campanha da Fraternidade 2026.

A 63ª edição traz como tema “Fraternidade e Moradia”, e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) e, como em todas as edições da CF, buscará mobilizar as comunidades católicas para unir oração, reflexão e atitudes concretas em favor dos mais vulneráveis, bem como propor em todos os âmbitos da sociedade uma ampla reflexão sobre a temática tratada.

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Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

O SENTIDO DA CF

Na coletiva de imprensa em que falou sobre a CF 2026, na tarde do dia 18, na Catedral da Sé, antes da missa de abertura da Quaresma, o Cardeal Odilo Pedro Scherer enfatizou que se trata de um campanha de evangelização e que ocorre na Quaresma, um tempo no qual a Igreja faz um chamado à conversão para que as pessoas busquem sempre mais amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo, o que se traduz em gestos de fraternidade. “Na nossa fé, amar a Deus e amar o próximo são inseparáveis”, enfatizou.

“A cada ano, a Campanha da Fraternidade nos chama à reflexão, à tomada de posição sobre alguma questão da vida concreta para suscitar a consciência sobre alguma questão na qual existem sinais muito claros de falta de fraternidade e de justiça”, detalhou o Arcebispo.

Dom Rogério Augusto das Neves, Bispo Auxiliar de São Paulo e Referencial para a Campanha da Fraternidade na Arquidiocese, recordou que a CF se insere na penitência quaresmal da esmola, convidando a superar os próprios interesses para agir de modo fraterno: “Quem quiser aproveitar a proposta da CF para viver bem a Quaresma nesse aspecto, recebe um grande auxílio para uma conversão anual, constante e real. Vale a pena não perder de vista a espiritualidade da Quaresma ao celebrar a campanha”.

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A TEMÁTICA DA HABITAÇÃO

Ao discorrer sobre a temática da CF 2026, Dom Odilo disse haver muitos sinais evidentes sobre os problemas ao direito à moradia digna no Brasil, como a grande quantidade de pessoas vivendo em situação de rua, muitas outras em habitações precárias como cortiços e favelas nas extensas periferias, altamente suscetíveis a perigos como deslizamentos, inundações e insalubridade.

“Evidentemente, não é só um problema de moradia. Ele se relaciona a questões de educação, de acesso ao trabalho e de justiça social. Por isso, a Campanha da Fraternidade o aborda em suas diversas dimensões, tentando ajudar na tomada de consciência para que, assim, este assunto não fique apenas nos espaços internos da Igreja, mas também chegue às câmaras municipais, às assembleias legislativas, às escolas, às universidades, que repercuta na imprensa”, prosseguiu o Arcebispo Metropolitano.

Questionado pelos jornalistas sobre os gestos concretos que podem ser feitos pelos católicos ao longo da CF 2026, Dom Odilo destacou que a primeira atitude é torná-la conhecida na Igreja e em toda a sociedade.

“A tomada de consciência da questão é fundamental nesse primeiro momento. O nosso desejo é que o tema possa repercutir na mesa de quem toma decisões de políticas habitacionais, de políticas econômicas, e que o povo possa se organizar e fazer chegar projetos de lei sobre a temática na Câmara, na Assembleia Legislativa e até no Congresso Nacional”, disse Dom Odilo.

O Arcebispo recordou que a Igreja em São Paulo mantém trabalhos de atuação em favor da população em situação de rua, como é o caso da Pastoral do Povo da Rua e da Missão Belém; e que embora o poder público tenha buscado agir em favor desta população, o problema ainda é muito amplo e requer respostas em um ritmo mais rápido.

O AGIR NA COMUNIDADE ECLESIAL

Assessor Arquidiocesano para a CF 2026, o Padre Antônio Naves, da Pastoral da Moradia, destacou que a Igreja em São Paulo tem buscado acompanhar os movimentos de luta por moradia diga em diferentes pontos da cidade.

O Sacerdote sugeriu que as paróquias tenham como propósito centrar esforços para que nenhuma família em sua área de abrangência viva sem o teto, e que a todas as pessoas em situação de rua haja a garantia de moradia e tratamento digno. Também motivou que haja reflexões sobre o déficit habitacional na cidade para a população mais pobre, ao mesmo tempo em que avança a especulação imobiliária.

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RISCO DE INSTRUMENTALIZAÇÃO DA CF 2026

Dom Rogério e Dom Odilo também responderam a questionamentos sobre o risco de a CF 2026 ser instrumentalizada politicamente por tratar da temática habitacional em um ano eleitoral.

Na avaliação do Bispo Auxiliar da Arquidiocese, os católicos devem participar de modo prudente dos debates sobre o tema, sem jamais renunciar às verdades da fé perante soluções que sejam propostas: “A prudência é que deve prevalecer. Nós, católicos, precisamos avançar em nosso discernimento e não ter medo de dizer até onde a gente pode ir, e quando a gente deve recuar. Não se trata de querer que a Igreja assine embaixo de tudo que se apresente”.

Dom Odilo recordou que o tema da moradia certamente tem implicações políticas, mas que a Igreja não o trata por vieses partidários, mas sim a partir da realidade, propondo que cada um possa contribuir com base naquilo que acredita. “A igreja propõe a questão com o olhar da realidade, do sofrimento das pessoas, da necessidade de maior fraternidade para ter maior coerência na vida social, maior justiça na convivência”, enfatizou.

ASSISTA A ÍNTEGRA DA COLETIVA DE IMPRENSA

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OBJETIVO GERAL
Promover, a partir da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1) Analisar a realidade da moradia precária, muitas vezes admitida como normal, a qual culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas no Brasil;
2) Identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como identificar iniciativas pastorais, governamentais e de organização popular que promovam moradia;
3) Conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos;
4) Corrigir a compreensão da moradia como mera mercadoria, objeto de especulação ou mérito individual;
5) Fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres, caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia;
6) Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradias em todas as esferas sociais e políticas.

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