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Em encontro com seminaristas, Dom Odilo destaca que o seminário é ‘escola do Evangelho’

Em encontro com os seminaristas, o Cardeal Scherer ressaltou que a formação prepara o futuro padre para ser sinal eficaz de Cristo na Palavra, nos Sacramentos e na Caridade Pastoral

Em encontro com seminaristas, Dom Odilo destaca que o seminário é ‘escola do Evangelho’ - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Os seminaristas e formadores do Seminário Arquidiocesano Imaculada Conceição participaram, na segunda­-feira, 2, do tradicional encontro com o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, que marca o início do ano formativo na Arquidiocese. A atividade foi realizada no Seminário Propedêuti­co Nossa Senhora da Assunção, na Vila Nova Cachoeirinha, reunindo os estu­dantes das quatro casas de formação.

A programação teve início com um momento de convivência fraterna entre os vocacionados, incluindo um campe­onato de futsal que integrou os semina­ristas das diferentes etapas formativas. Em seguida, houve um encontro for­mativo conduzido pelo Arcebispo e por Dom Cícero Alves de França, Bispo Au­xiliar da Arquidiocese na Região Belém e responsável pelo acompanhamento da Pastoral Vocacional e dos seminários arquidiocesanos.

TESTEMUNHAS QUALIFICADAS

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Em sua reflexão, o Cardeal Scherer recordou que o seminário é parte viva da Igreja e deve ser compreendido como “escola do Evangelho”. Mais do que um espaço acadêmico, afirmou, trata-se de uma comunidade formativa que prepara os futuros presbíteros para serem teste­munhas qualificadas de Cristo. “O sacer­dote recebe a graça do sacerdócio para ser sacerdote”, destacou, sublinhando que a ordenação não confere apenas uma função, mas configura a própria existên­cia do padre como sinal eficaz de Cristo.

Dom Odilo explicou que o padre é chamado a ser sinal eficaz de Jesus Cris­to no anúncio da Palavra, na celebração dos sacramentos e na vivência da carida­de pastoral. “O povo entende que o pa­dre é bênção”, afirmou, ressaltando que o ministério sacerdotal não se reduz a um exercício profissional, mas envolve toda a vida do presbítero, chamado a ser pre­sença do Bom Pastor 24 horas por dia. O Arcebispo também incentivou os se­minaristas a cultivarem profundo amor e conhecimento da Igreja, acompanhando a vida da Arquidiocese, da Igreja no Bra­sil e do magistério do Papa.

ABRIR-SE AO ESPÍRITO

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Dom Cícero, por sua vez, enfatizou a centralidade da consciência no processo formativo. “A formação trabalha com a consciência”, afirmou, recordando que, em última instância, o verdadeiro prota­gonista da formação é o Espírito Santo. Segundo ele, é fundamental que o semi­narista “abra a consciência”, permitindo a internalização das atitudes de Cristo. “A formação não trabalha apenas compor­tamentos, mas atitudes”, destacou.

O Bispo Auxiliar alertou ainda para o risco de uma formação superficial, que não transforma interiormente. Ele incen­tivou os seminaristas a realizarem diaria­mente o exame de consciência e a cuida­rem da “saúde da consciência”, para que a experiência de Deus não seja distorcida. Ao tratar da caridade pastoral, recordou que ela consiste em ter “os mesmos senti­mentos de Jesus”, sobretudo no trato com as pessoas que sofrem. Também exortou os vocacionados a crescerem na fé, enten­dida como dom de Deus e como amor concreto a Jesus Cristo.

PROCESSO FORMATIVO

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O Seminário Arquidiocesano Ima­culada Conceição é constituído pelo Seminário Propedêutico Nossa Senhora da Assunção, pelo Seminário de Filoso­fia Santo Cura d’Ars e pelo Seminário de Teologia Bom Pastor. A Arquidiocese conta ainda com o Seminário Missio­nário Internacional Redemptoris Mater São Paulo Apóstolo, confiado ao Cami­nho Neocatecumenal, destinado à for­mação de presbíteros diocesanos para a missão. Atualmente, as quatro casas somam 83 seminaristas, entre os quais sete diáconos.

A formação sacerdotal segue as di­retrizes da Ratio Fundamentalis Institu­tionis Sacerdotalis, publicada pela Santa Sé em 2016, que propõe uma formação integral nas dimensões humana, espiritu­al, pastoral, intelectual e missionária. As etapas formativas – Propedêutico, Disci­pulado e Configuração – evidenciam o caráter vocacional do processo.

No Propedêutico, os candidatos ini­ciam a vida comunitária e espiritual própria do seminário. No Discipulado, cursam os três anos de Filosofia, apro­fundando a dimensão do seguimento de Cristo. Na etapa da Configuração, ao longo dos quatro anos de Teologia, in­tensificam a assimilação da identidade sacerdotal de Cristo. Após a conclusão da Teologia, são ordenados diáconos e realizam estágio pastoral mais intenso, incluindo experiência missionária em dioceses do Norte ou Nordeste do País.

DIMENSÕES

A dimensão intelectual ocupa parte significativa do percurso, mas integra-se às demais dimensões. A vida espiritual tem como centro a Eucaristia diária, a Liturgia das Horas, a Lectio Divina e a adoração eucarística semanal, além das práticas de piedade cristã. Cada semi­narista conta com acompanhamento espiritual pessoal e comunitário.

A dimensão pastoral se concretiza nos estágios realizados aos fins de se­mana em paróquias e organismos da Arquidiocese, bem como nas atividades missionárias durante as férias de julho. Os seminaristas atuam na catequese, na liturgia, na formação de lideranças, no acompanhamento de jovens e famílias e no serviço da caridade, conforme a etapa formativa em que estejam.

O encontro com o Arcebispo, no início do ano, reafirma a unidade do caminho formativo e renova nos semi­naristas a consciência de que o chamado ao sacerdócio é, antes de tudo, resposta generosa ao amor de Deus e serviço fiel à Igreja.

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