Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Encontro arquidiocesano destaca a atuação das equipes de Liturgia na Igreja

Atividade foi assessorada pelo Padre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, que recordou ascpectos da Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium

Encontro arquidiocesano destaca a atuação das equipes de Liturgia na Igreja - Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

Com a participação de representan­tes das equipes de liturgia paroquiais, a Comissão Arquidiocesana de Liturgia realizou no sábado, 21, no Centro Uni­versitário Assunção, na zona Sul, o En­contro Arquidiocesano de Formação Litúrgica, com a proposta de melhor elu­cidar a missão das equipes de liturgia na Igreja.

A atividade foi iniciada com a Ora­ção das Laudes, conduzida por Dom Edilson de Souza Silva, Bispo Auxiliar da Arquidiocese e Referencial para a Litur­gia Arquidiocesana, que em breve refle­xão comentou que a Quaresma é tempo oportuno para a meditação da Palavra de Deus, a realização da caridade e a reno­vação da graça do Batismo, um processo de conversão que conduz à santificação a partir da mudança de mentalidade e de comportamentos.

A PASTORAL NA IGREJA

Encontro arquidiocesano destaca a atuação das equipes de Liturgia na Igreja - Jornal O São Paulo

O encontro foi assessorado pelo Pa­dre Luiz Eduardo Pinheiro Baronto, li­turgista, professor universitário, Cura da Catedral da Sé e Coordenador Arquidio­cesano da Comissão da Santificação.

Inicialmente, ele explicou que a pas­toral é a forma pela qual a Igreja cuida de suas ovelhas, tendo como referência o agir de Jesus. Também sublinhou que a pastoral é alimentada por um espírito de comunhão e participação, atualmente mais conhecido como sinodalidade, e tem como mística dar visibilidade a Cristo no mundo, algo que jamais deve ser esqueci­do pelos agentes pastorais sob o risco de que o foco passe a ser mais nas pessoas do que em Cristo.

“Toda missão da Igreja é de cunho evangelizador e pastoral porque atualiza a prática de Jesus”, destacou o Sacerdote, também sublinhando que os agentes pas­torais precisam conhecer tanto a Jesus, ou seja, ser pessoas iniciadas na fé e que a vi­vam com maturidade, quanto o Povo de Deus a quem servem em nome da Igre­ja, devendo estar próximos às pessoas e ser sabedores de suas dificuldades e aflições cotidianas.

Padre Baronto comentou ainda que a pastoral é uma ação planejada, refleti­da e organizada, e que este agir se dá em três dimensões transversais, alicerçadas no que disse Jesus aos apóstolos no Evan­gelho segundo Mateus (cf. Mt 28,19-20): fazer discípulos, ou seja, o anúncio da fé; batizar, que envolve a dimensão sacramen­tal da ação evangelizadora, conduzindo à santificação do povo; e ensinar sobre como viver a fé, o que contempla a dimensão do testemunho.

A AÇÃO DA PASTORAL LITÚRGICA

Mencionando o ponto 10 da Sacrosanc­tum Concilium, Padre Baronto ressaltou que a Pastoral Litúrgica tem como grande objetivo promover a liturgia como fonte e cume da vida eclesial. No ponto 14 da mes­ma constituição conciliar é lembrado que a liturgia é a primeira e necessária fonte da qual os fiéis haurem o espírito genuina­mente cristão. O Sacerdote comentou ain­da que na Liturgia, Jesus, o Pastor, reúne-se sacramentalmente com o seu rebanho, que é a Igreja.

“Nós trabalhamos em uma pastoral que visa à santificação do povo de Deus. Ganhar ou não o Reino dos Céus depende da qualidade da nossa Liturgia”, sublinhou Padre Baronto, comentando que isso não se resume apenas às missas, mas também às bênçãos, aos sacramentais, à celebração das Exéquias e ao sacramento da Unção dos Enfermos.

Ao falar sobre o ponto 7 da Sacrosanctum Concilium, na qual se aponta a liturgia como o exercício da função sacerdotal de Cristo, Padre Baronto lembrou que toda celebração litúrgica é ação sagrada por ex­celência, por ser obra de Cristo sacerdote e do seu corpo que é a Igreja.

AMPLA PARTICIPAÇÃO DO POVO DE DEUS

Padre Baronto também lembrou que a Pastoral Litúrgica deve fazer com que o povo de Deus se torne parte da Litur­gia, o que é detalhado no ponto 14 da qual é desejo da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas.

O Sacerdote falou sobre cinco as­pectos que o documento conciliar in­dica sobre essa participação, que deve ser: Ativa (o povo se envolve na cele­bração); Interior (deve ser ter atenção aos momentos de silenciar na liturgia, de escutá-la profundamente); Cons­ciente (o coração e a mente do fiel devem estar em sintonia com Liturgia para bem compreendê-la); Frutuosa (participar da celebração deve redun­dar em comportamentos individuais e comunitários compatíveis a quem teve o encontro com o Evangelho de Jesus); e Plena (o fiel deve ter atenção plena ao que está sendo celebrado, o que re­quer tanto o esforço pessoal quanto de quem conduz a liturgia para não gerar dispersão).

EQUIPES DE LITURGIA E DE CELEBRAÇÃO

Encontro arquidiocesano destaca a atuação das equipes de Liturgia na Igreja - Jornal O São Paulo

Ainda de acordo com o Assessor do encontro, a Liturgia é uma ação eclesial e comunitária, que demanda a existên­cia de uma equipe litúrgica em cada paróquia, que se paute em reflexão, es­tudo e ação.

Padre Baronto detalhou algumas das funções próprias da equipe de li­turgia paroquial, entre as quais orga­nizar a vida litúrgica da igreja matriz e comunidades; atuar no conjunto da pastoral da paróquia; oferecer aos di­versos ministérios encontros de for­mação; preparar subsídios de apoio; delegar representantes para formações regionais e arquidiocesanas; preparar as grandes celebrações de âmbito paro­quial, como as missas com Crismas e as da festa do padroeiro; e viabilizar que a Liturgia seja dignamente celebrada.

O Sacerdote destacou que não se deve confundir a equipe de liturgia com a de celebração, sendo que nesta última estão os diretamente encarre­gados pelas celebrações da Eucaristia, da Palavra, do Batismo, do Matrimô­nio, das Exéquias, entre os quais os lei­tores, ministros extraordinários da Sa­grada Comunhão, membros da equipe de acolhida, salmistas, comentaristas, cantores e instrumentistas.

“Todos os ministérios devem atuar em sinergia na Liturgia, estar em espí­rito de comunhão e de diálogo”, indicou Padre Baronto, enfatizando que, por exemplo, as equipes de canto não podem caminhar de modo independente dos demais ministérios da Liturgia.

A SERVIÇO DO POVO E DO MISTÉRIO PASCAL DE CRISTO

Por fim, Padre Baronto citou o ponto 19 da Sacrosanctum Concilium, no qual se aponta para a necessária boa forma­ção litúrgica do clero, e que este fomente com consistência o zelo, a educação li­túrgica e a participação ativa dos fiéis na Liturgia. “Cuidar da formação litúrgica é cuidar de algo sublime, fundamental na missão de quem é dispensador do misté­rio de Deus”, concluiu.

Antes do encerramento do encontro, Padre Baronto e Dom Edilson respon­deram a dúvidas dos participantes sobre o canto litúrgico e a correta maneira de envolver mais pessoas na Pastoral Litúr­gica. Ao final, o Bispo Auxiliar agrade­ceu aos que se empenham na Liturgia e rezou para que o Espírito Santo ajude a todos a celebrar de forma consciente e a ativa a Liturgia nas comunidades paroquiais.

Encontro arquidiocesano destaca a atuação das equipes de Liturgia na Igreja - Jornal O São Paulo

Em entrevista ao O SÃO PAULO, Dom Edilson sublinhou que as forma­ções promovidas pela Comissão Arqui­diocesana de Liturgia buscam ajudar as equipes a favorecer a participação ativa e consciente dos fiéis em toda ação litúr­gica. “Nós estamos a serviço do povo de Deus e da celebração do Mistério Pas­cal de Cristo, que é a fonte e cume de toda a vida eclesial, para onde tudo vai e de onde tudo emana, para que possa­mos continuar a missão que Jesus nos confiou”, concluiu.

Deixe um comentário