
No coração da metrópole, onde o concreto muitas vezes esconde a dificuldade humana e os desafios do acesso à moradia, a realização do “Fórum I: Cidades e Moradias Dignas”, organizado pela UNIAPAC ADCE-SP Jovem, sob a coordenação de Gabriela Guariso, reforçou a prática do Evangelho no dia a dia das cidades.
Inspirado pela Campanha da Fraternidade de 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”, o evento, realizado no campus Consolação da PUC-SP, no sábado, 28 de março, foi um convite a repensar o papel da cidade sob a luz da fé e as recentes orientações do Papa Leão XIV.
Entre o Sagrado e o Social
O encontro aconteceu em uma das salas do campus ao lado do Parque Augusta. O ambiente foi preparado para receber uma comunidade em busca de respostas práticas.
À frente, a Bíblia aberta, a imagem de Nossa Senhora Aparecida e uma vela acesa, simbolizando que a luz de Cristo deve guiar as decisões de quem lidera a cidade.
O rito de abertura foi um momento forte de espiritualidade e oração, conduzido pelo Padre José Maria Mohomed Júnior, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral.
Um dos momentos mais marcantes foi a oração do Dirigente Cristão, feita coletivamente: “Senhor Onipotente e Pai bondoso, que criaste todas as coisas temporais para servir e deleitar o homem no caminho para seu destino final, e que nos chamaste a colaborar Contigo na Tua criação e na Tua providência, ao marcar-nos com a vocação de dirigente cristão de empresa”.
Ao rezarem juntos, os participantes firmaram o compromisso de que sua profissão não se separa da ética cristã. O gesto lembrou o chamado do Papa Leão XIV para que a economia seja “o rosto visível da ajuda de Deus”.
Um dos alicerces da reflexão

A fala do Padre José Maria Mohomed Júnior foi uma das bases para as discussões. Com a experiência de quem atua nas ruas e periferias, o sacerdote conectou a teologia à dura realidade vivida em regiões da cidade como a Sé, o Brás e o Belém.
O Sacerdote enfatizou que o cristão em São Paulo precisa ter consciência da fragilidade de quem vive sem teto.
Ele explicou que o Papa Leão XIV tem pedido uma “ecologia humana integral”, que coloca as pessoas acima do dinheiro.
Padre José Maria destacou que a Campanha da Fraternidade não é um tema de estudo, mas uma “dor de cabeça boa” que a todos deve incomodar. Ao analisar o panorama habitacional em São Paulo, ele foi direto: “Como falar do Reino de Deus para quem não tem a segurança de um teto?”.
O protagonismo dos fiéis e a logística da esperança
A organização do Fórum mostrou a força do povo de Deus em sintonia com a Igreja.
O painel teve a mediação de Celina Hanna C. Omori, fundadora do Instituto Missão Aparecida (IMA), e uniu as diferentes visões dos convidados com foco no bem das pessoas.
A logística do evento ensinou de forma prática o que significa cuidar da “Casa Comum”. Os participantes montaram terrários – pequenos jardins em vasos – como símbolo do cuidado que o fiel deve ter com o ambiente urbano.
Além disso, houve a degustação de produtos de cultivadores das cidades paulistas de Caçapava e Taubaté, no Vale do Paraíba.
Ao final, o público pôde fazer perguntas aos especialistas sobre como construir moradias dignas e saudáveis.
A História e o Direito à Cidade

O debate foi enriquecido pela convergência de olhares de painelistas com vasta experiência técnica e social, como o Padre José Maria Mohomed Júnior, que trouxe a perspectiva da Igreja Vigilante e o olhar sobre as periferias.
Já o professor Francisco Borba Ribeiro Neto, sociólogo e ex-coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP, que trouxe o rigor da análise acadêmica sobre a Doutrina Social.
Também houve a participação de Sidney Bruno, co-fundador e diretor do Comuta Reformas, negócio de impacto focado em melhorias habitacionais acessíveis.
Já Fernando Ferreira, chefe de Gabinete da Secretaria Municipal de Relações Internacionais, apresentou as políticas públicas e o papel da gestão municipal.
Essa união mostra a importância de ligar a fé à gestão da cidade, enfrentando problemas como o custo de vida urbano e a população de rua. Como diz o Papa: “A cidade santa começa no teto de cada cidadão”.
O compromisso após o amém
Os momentos finais focaram na ação concreta. Diferentemente do início solene, o encerramento trouxe anúncios práticos sobre os próximos encontros da juventude cristã sobre sustentabilidade e economia circular, reforçando que a jornada de formação é contínua.
O encerramento aconteceu no terraço verde da sala, com vista para o Parque Augusta. Foi nesse cenário de harmonia entre a cidade e a natureza que os participantes se reuniram para a fotografia oficial do evento.
Como mencionado no evento, sob a proteção de São José, o carpinteiro, padrinho da construção e moradia, a comunidade partiu com a missão de transformar oração em tijolos e dignidade social.
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Para assistir a íntegra do evento no YouTube, acesse:
Por Lenah Sakai
Especial para o Jornal O São Paulo





