Arcebispo de São Paulo presidiu a missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor na Catedral da Sé

“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos” (Sl 117). Com este convite à alegria pascal, a Catedral da Sé, lotada de fiéis, acolheu, na manhã do domingo, 5, a missa da Páscoa da Ressurreição do Senhor, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano.
Considerada a celebração mais importante do calendário litúrgico católico, o Domingo de Páscoa recorda a vitória da vida sobre a morte e o testemunho dos apóstolos diante do túmulo vazio. O “Senhor verdadeiramente ressuscitou”, conforme narrado no Evangelho de São João (20, 1-9).
BUSCAR AS COISAS DO ALTO
No início da homilia, Dom Odilo retomou a exortação de São Paulo e destacou o vínculo entre a ressurreição de Cristo e a vida dos fiéis: “Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde está Cristo sentado à direita de Deus”. “As palavras de São Paulo fazem referência ao batismo, que é a participação na ressurreição de Cristo e, portanto, a vida cristã […] significa buscar as coisas do alto, viver como cristãos, buscar o que é de Deus, o que é coerente com a dignidade recebida no batismo”, explicou.
Ao aprofundar o núcleo da fé pascal, o Arcebispo afirmou o sentido central da celebração. “A Igreja inteira celebra hoje a grande festa da Páscoa e proclama, na fé, que Jesus Cristo ressuscitou e passou da morte para a vida”, ressaltou. Em seguida, detalhou o significado desse mistério para o próprio Cristo. “Para Jesus significa que Ele, depois de ter sido condenado à morte, mesmo sendo inocente, depois de ter sido torturado cruelmente, morreu na cruz e foi sepultado, voltou à vida do seu verdadeiro corpo humano, o mesmo Jesus, porém, não mais nas condições anteriores à sua morte, mas divinamente glorificado em seu corpo e alma humana”, observou.
O Cardeal ressaltou ainda a continuidade entre o Cristo histórico e o Ressuscitado e o impacto disso para a fé cristã. “É sempre o mesmo Cristo, o mesmo Jesus que os apóstolos conheceram, que foi condenado à morte de cruz e que foi sepultado”, disse, destacando também o significado dessa verdade para os fiéis: “Para os discípulos, para nós, para os cristãos, a ressurreição de Jesus é a confirmação divina da nossa fé”.

TESTEMUNHAS
Nesse sentido, Dom Odilo evidenciou o testemunho apostólico e a confirmação da missão de Jesus. “Deus o ressuscitou dos mortos, afirmam as testemunhas depois da sua ressurreição […] Isto significa que, ressuscitando Jesus dentre os mortos, Deus confirmou sua pregação, sua credibilidade de maneira absoluta. Não há mais motivo para se duvidar da autoridade e da veracidade de Jesus e de sua pregação”, disse.
O Cardeal prosseguiu apresentando as consequências dessa verdade para toda a humanidade. “Ele, de fato, é o Filho de Deus, aquele que foi enviado ao mundo para ser salvação para todos os povos. Mediante a sua ressurreição, Jesus foi confirmado definitivamente como caminho, verdade e vida para seus discípulos e para toda a humanidade”, sublinhou. Ele acrescentou ainda o papel de Cristo ressuscitado na relação entre Deus e os homens: “Jesus ressuscitado é o pontífice que une o céu à terra […] o eterno intercessor em favor da humanidade junto de Deus, Pai”.
MISTÉRIO SALVÍFICO
Relacionando a Páscoa ao mistério da encarnação, o Arcebispo destacou seu cumprimento na ressurreição. “A ressurreição de Jesus dentre os mortos é o objetivo final e o ponto de chegada do mistério da sua encarnação”, afirmou. Ele recordou também o sentido dessa realidade para todos os fiéis. “Mediante a sua ressurreição no seu verdadeiro corpo humano, [Cristo] participa da glória divina […] e também já nos representa a todos no céu e indica a grande meta da nossa existência”, explicou.
Ao tratar da vida cristã, Dom Odilo retomou novamente São Paulo e sublinhou suas implicações concretas. “No batismo também nós já fomos sepultados com Cristo na morte, para que, como Cristo ressuscitado dos mortos […] assim também nós passemos da morte para a vida e caminhemos numa vida nova”, afirmou. Em seguida, reforçou o chamado à conversão. “O homem velho que está em nós já foi crucificado com Ele […] assim também vós considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus em Cristo Jesus”, disse.
O Arcebispo destacou ainda o horizonte novo aberto pela ressurreição. “Para nós que temos fé a ressurreição de Jesus significa que temos um futuro, um horizonte luminoso pela frente e não estamos fadados a ficar apenas na estreiteza dos nossos limites”, afirmou. Ele completou essa reflexão apontando para a dimensão transcendente da esperança cristã. “A ressurreição de Jesus abriu-nos o horizonte do infinito de Deus e nos convida a adentrar no mistério do próprio Deus”, ressaltou.

RENOVAÇÃO
Dirigindo-se de modo especial aos que sofrem, o Purpurado manifestou um desejo de esperança e renovação. “Hoje desejo de todo o coração que o Ressuscitado renove o ânimo e a esperança de quem sofre, de quem talvez cansou, de quem está desiludido da vida”, afirmou. Ele recordou também a presença constante de Cristo junto aos seus. “Ele nos oferece a sua paz, que significa a certeza, a segurança de que não estamos sozinhos”, disse.
Por fim, Dom Odilo encorajou os fiéis a viverem essa esperança no cotidiano e a perseverarem no caminho da fé. “Coragem, portanto, a todos. Deus, ressuscitando Jesus dos mortos, faz com que Jesus seja o nosso companheiro no caminho da vida. Ele nos abriu o caminho, Ele já venceu e nos conduz. Caminhemos, portanto, com Ele nos caminhos da nossa vida todos os dias”, exortou.
OITAVA DA PÁSCOA
Na conclusão da missa, o Padre Luiz Eduardo Baronto, Cura da Catedral, transmitiu sua saudação pascal ao Arcebispo e aos fiéis. Ele também recordou que a celebração da Páscoa se prolonga por toda a semana, na chamada Oitava da Páscoa, recomendando aos fiéis que mantenham, nos próximos dias, a saudação pascal como expressão da alegria pela ressurreição do Senhor.
Por fim, o Cardeal Scherer entoou com os fiéis a oração Rainha do Céu (Regina Coeli), que substitui a oração mariana do Angelus durante o Tempo Pascal, que se conclui somente no domingo de Pentecostes, que, este ano, será celebrado em 24 de maio.





