‘Ressuscitados com Ele, também nós podemos dar vida a um mundo novo, de paz e de unidade’, disse o Papa na Vigília Pascal do Sábado Santo

O Papa Leão XIV presidiu na noite do Sábado Santo, 4, a Solene Vigília Pascal na Basílica de São Pedro, a primeira de seu pontificado.
Na homilia, o Santo Padre recordou que “esta é uma Vigília repleta de luz, a mais antiga da tradição cristã, conhecida como ‘a mãe de todas as vigílias’. Nela revivemos o memorial da vitória do Senhor da vida sobre a morte e sobre os infernos’. Fazemos isso, “depois de ter percorrido, nos últimos dias, como em uma única grande celebração, os mistérios da Paixão do Deus que por nós se fez ‘alguém cheio de dores’, ‘menosprezado e desconsiderado’, torturado e crucificado”, disse o Papa.
“Existe caridade maior? Existe gratuidade mais completa? O Ressuscitado é o próprio Criador do universo que, tal como nos primórdios da história nos deu a existência a partir do nada, assim também na cruz, para nos mostrar o seu amor sem limites, nos deu a vida”, prosseguiu.
DEUS REVELA O SEU ROSTO MISERICORDIOSO
A primeira leitura, com o relato das origens, nos diz que “no princípio, Deus criou os céus e a terra, tirando do caos o cosmos, da desordem a harmonia, e confiando a todos nós, criados à sua imagem e semelhança, a tarefa de sermos seus guardiões. E mesmo quando, com o pecado, o homem não correspondeu a este projeto, o Senhor não o abandonou, mas revelou-lhe, de forma ainda mais surpreendente, no perdão, o seu rosto misericordioso”.
“’Esta noite santa’ tem, portanto, as suas raízes também ali onde se consumou o primeiro fracasso da humanidade, e estende-se ao longo dos séculos como um caminho de reconciliação e de graça.”

DEUS RESPONDE COM O PODER DO AMOR
Leão XIV lembrou que a liturgia da solene Vigília Pascal traz algumas etapas desse caminho. “Recordou-nos como Deus segurou a mão de Abraão, prestes a sacrificar o seu filho Isaac, para nos indicar que não deseja a nossa morte, mas antes que nos consagremos a ser, nas suas mãos, membros vivos de uma descendência de gente salva. Da mesma forma, convidou-nos a refletir sobre como o Senhor libertou os israelitas da escravidão do Egito, fazendo do mar – lugar de morte e obstáculo intransponível – a porta de entrada para o início de uma vida nova e livre. A mesma mensagem ressoou como um eco nas palavras dos Profetas, nas quais ouvimos os louvores do Senhor como esposo que chama e une a si, fonte que mata a sede, água que fecunda, luz que mostra o caminho da paz, Espírito que transforma e renova os corações”.
“Em todos estes momentos da história da salvação, vimos como Deus, diante da dureza do pecado que divide e mata, responde com o poder do amor que une e restitui a vida”, disse ainda o Papa, ressaltando que “pela Páscoa de Cristo, ‘sepultados com Ele na morte […] também nós caminhemos em uma vida nova […] mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus’”.
PECADO, UMA BARREIRA QUE NOS FECHA E NOS SEPARA DE DEUS
Leão XIV recordou que “na manhã de Páscoa, as mulheres, vencendo a dor e o medo, puseram-se a caminho. Queriam ir ao túmulo de Jesus! Esperavam encontrá-lo selado, com uma grande pedra à entrada e soldados a guardá-lo”.
“Isto é o pecado: uma barreira pesadíssima que nos fecha e nos separa de Deus, tentando fazer morrer em nós as suas Palavras de esperança. Maria Madalena e a outra Maria, porém, não se deixaram intimidar. Foram ao sepulcro e, graças à sua fé e ao seu amor, foram as primeiras testemunhas da Ressurreição”.
“No terremoto e no anjo, sentado sobre a pedra derrubada, viram o poder do amor de Deus, mais forte do que qualquer força do mal, capaz de ‘dissipar o ódio’ e ‘derrubar os poderosos’. O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que nenhum túmulo pode aprisionar’, disse ainda o Papa.
“Tal como as mulheres, que correram a levar o anúncio aos irmãos, também nós queremos partir, esta noite, desta Basílica, para levar a todos a boa nova de que Jesus ressuscitou e que, com a sua força, ressuscitados com Ele, também nós podemos dar vida a um mundo novo, de paz e de unidade, enquanto ‘multidão de homens e, ao mesmo tempo, […] um único homem, pois, embora os cristãos sejam muitos, Cristo é um só».”
PEDRAS QUE PARECEM INAMOVÍVEIS
O Papa recordou que “também nos nossos dias não faltam sepulcros para abrir, e muitas vezes as pedras que os fecham são tão pesadas e tão bem vigiadas que parecem inamovíveis”.
“Algumas oprimem o coração do homem, como a desconfiança, o medo, o egoísmo, o rancor; outras, consequência daquelas que se encontram no interior, destroem os vínculos entre nós, como é o caso da guerra, da injustiça, do fechamento entre povos e nações. Não nos deixemos paralisar por elas!”
“Muitos homens e mulheres, ao longo dos séculos, com a ajuda de Deus, as removeram, talvez com grande esforço e por vezes à custa da própria vida, mas com frutos de bem dos quais ainda hoje beneficiamos. Não se trata de personagens inacessíveis, mas de pessoas como nós que, fortalecidas pela graça do Ressuscitado, na caridade e na verdade, tiveram a coragem de falar, como diz o Apóstolo Pedro, ‘para transmitir palavras de Deus’ e de agir ‘com a força que Deus lhe concede, para que em todas as coisas Deus seja glorificado’”.
“Deixemo-nos inspirar pelo seu exemplo e, nesta Noite Santa, façamos nosso o seu compromisso, para que, em todo lugar e sempre, cresçam e floresçam no mundo os dons pascais da concórdia e da paz”, concluiu.
Na celebração da Vigília Pascal, é tradição na Igreja que haja o batismo de catecúmenos. Por esta razão, o Papa batizou dez adultos nesta missa, sendo cinco da Diocese de Roma, dois do Reino Unido, dois de Portugal e um da Coreia do Sul.
Fonte: Vatican News





