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Cardeal Scherer preside primeira missa de 2026 e confia o novo ano à proteção da ‘Mãe do Filho de Deus’

Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e Dia Mundial da Paz, o Arcebispo Metropolitano recordou os dogmas de fé sobre a divindade de Jesus e exortou os fiéis a serem promotores de uma ‘paz desarmada

“Nós estamos aqui para colocar nas mãos de Deus este ano que está iniciando, pedir a Sua ajuda, a Sua proteção, a Sua companhia todos os dias.”

Assim afirmou o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, no começo da missa que ele presidiu na manhã da quinta-feira, 1º de janeiro, na Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção, na data em que a Igreja celebra a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, um dia santo de guarda, no qual todos os católicos são chamados a se reunir em comunidade para a celebração eucarística.

A liturgia marcou o encerramento da Oitava de Natal — período de oito dias em que a Igreja celebra o nascimento de Jesus como um único grande dia. Além disso, a data marca o 59° Dia Mundial da Paz. Dom Odilo recordou a mensagem do Papa para a ocasião, que propõe o tema de uma “paz desarmada e desarmante”.

“O Papa pede que todos nós acolhamos esta mensagem, que a gente acredite na paz e se torne verdadeiramente promotor da paz a partir da paz que em nós habita”, destacou o Arcebispo em sua saudação inicial.

O Tempo como Dom de Deus

Na homilia, o Cardeal Scherer refletiu sobre a passagem do tempo e a postura cristã diante do novo ano civil. Diferentemente da busca por superstições, o cristão é convidado a reconhecer Deus como o Senhor da História.

“Deus é o Senhor do tempo e o tempo para nós é um dom… Não somos nós senhores do tempo, o tempo nos é dado como oportunidade para que usemos bem, pratiquemos o bem e cresçamos no conhecimento de Deus”, afirmou. Ele exortou os fiéis a viverem a esperança de, um dia, participarem do “eterno dia de Deus”, que não tem poente.

Ao comentar as leituras do dia, Dom Odilo explicou que honrar Maria como “Mãe de Deus” (Theotokos) é, fundamentalmente, uma defesa da divindade de Jesus.

“Santa Maria, Mãe de Deus. Assim nós podemos, sim, dizer com toda razão… Aquele que nasceu de Maria é o Filho de Deus; nasceu humanamente, mas é o Filho de Deus”, exortou. 

O Cardeal recordou também o Concílio de Éfeso (431 d.C.), que ratificou este título para garantir a fé na união das naturezas humana e divina na única pessoa de Cristo. “Se negarmos isto, nós negamos algo muito importante… negamos até mesmo a Santíssima Trindade”, alertou.

Os Pastores como Mensageiros

Voltando ao cenário do presépio, o Cardeal destacou a atitude dos pastores que, após receberem o anúncio dos anjos, foram a Belém, encontraram o Menino e se tornaram, eles mesmos, mensageiros da Boa Nova.

Ao final da reflexão, Dom Odilo convidou a assembleia a olhar para Maria com gratidão por sua participação decisiva na história da salvação: “Muito obrigado, Maria, porque você aceitou ser a mãe do Filho de Deus… Ela tem um lugar muito especial no coração de Deus e também no coração de todos nós”.

Invocação ao Espírito Santo

Após a comunhão, os fiéis entoaram o hino Veni Creator, uma invocação solene ao Espírito Santo. Tradicionalmente cantado na festa de Pentecostes, este hino também é entoado no primeiro dia do ano para implorar a assistência divina e a sabedoria do Espírito para os dias que virão.

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