Na noite da Quarta-feira de Cinzas, 18, a Comunidade São Judas Tadeu, pertencente à Paróquia Imaculado Coração de Maria, no Conjunto Promorar, extremo leste da capital paulista, ficou repleta de fiéis e integrantes de movimentos de luta por moradia para a celebração eucarística que marcou o início do tempo da Quaresma e a abertura oficial da Campanha da Fraternidade (CF) 2026 na Região Episcopal Belém, este ano com o tema “Fraternidade e Moradia”.

A missa foi presidida por Dom Cícero Alves de França, Bispo Auxiliar da Arquidiocese na Região Belém. Concelebrou o Padre Thiago Faccini Paro, Pároco, com a assistência do Diácono Marcel Martins, Assessor Eclesiástico da Campanha da Fraternidade na região.
CONVERSÃO E PRÁTICAS QUARESMAIS
Na homilia, Dom Cícero lembrou que as portas da Quaresma só se abrem a partir da experiência da humildade, ao reconhecermos que somos “pó e cinza”. O Bispo destacou que este grande retiro de 40 dias deve ser sustentado por três pilares: a esmola (caridade), a oração e o jejum.
Ele alertou os fiéis sobre o verdadeiro sentido da penitência, explicando que o jejum vai muito além da privação de alimentos e não deve ser confundido com dietas.
“O jejum não é somente deixar de comer as coisas, mas o jejum da língua. O jejum do pensamento, quando nós falamos mal dos outros… A conversão começa pela cabeça, isto é, pela mudança de pensamento. Precisamos aprender a jejuar com os olhos, com as mãos, com o pensamento e com a língua”, exortou o Bispo.
MORADIA: UM DIREITO

Ao conectar as práticas quaresmais com a Campanha da Fraternidade de 2026, Dom Cícero foi enfático ao afirmar que a Quaresma “perderia uma de suas pernas” se não colocasse a caridade em prática. Ele convidou a assembleia a olhar para a realidade de milhares de brasileiros que não têm onde viver.
O Bispo Auxiliar recordou as visitas pastorais que tem feito pela Região Belém, especialmente nas favelas, onde tem testemunhado de perto a dor e o sofrimento da população vulnerável. Ele fez um apelo à empatia e à ação social: “Quando estamos dentro da nossa casa protegidos do frio, do calor, da chuva… muitos irmãos e irmãs não dormem tranquilamente. Ou porque não têm onde morar, ou porque moram de maneira indigna. […] Não é um favor que nos fazem, é direito nosso”.
Dom Cícero também traçou um paralelo entre o Cristo e a população em situação de rua ou de habitação precária. “Assim como Jesus, Ele veio morar entre nós, mas Ele também não tinha casa. Ele não tinha nem onde mesmo nascer, nasceu em uma manjedoura”.
O Prelado convocou a comunidade, a sociedade e os governantes a não fecharem os olhos para esse grave problema e buscarem soluções urgentes em conjunto, lutando por aqueles que não têm voz. “Ele veio morar entre nós, e a força para lutarmos vem dele”, concluiu.
FERNANDO ARTHUR
Colaboração especial para a Região Belém





