
Na manhã desta Quinta-feira Santa, 2, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, reuniu o clero arquidiocesano na Catedral da Sé para a celebração da Missa do Crisma.
Nesta celebração, são abençoados os óleos usados nos sacramentos do Batismo e Unção dos Enfermos e é consagrado o óleo do Crisma, usado nos sacramentos do Batismo, Confirmação, nas ordenações sacerdotais e episcopais, além das dedicações de altares e templos. Também nesta missa, os padres renovam suas promessas sacerdotais diante do arcebispo, por ocasião da recordação da instituição do sacerdócio ministerial.
Na homilia, Dom Odilo recordou o sentido da Quinta-feira Santa, ao mencionar a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. “Este é um dia fundacional, sobretudo em torno da Eucaristia e do sacerdócio, quando se reúne a Igreja, povo sacerdotal, para oferecer a Deus o sacrifício e ser enviada em missão”, afirmou.
DOM E SERVIÇO
Dirigindo-se aos sacerdotes, o Arcebispo destacou o sentido do ministério ordenado como serviço. “Nós existimos como sacerdotes ordenados para servir ao povo sacerdotal. Não somos autores dos dons, mas servidores, em nome de Jesus Cristo”. E acrescentou: “O ministério ordenado existe em função do povo sacerdotal, para que ele possa viver o seu chamado e a sua missão”.
Com base na exortação de São Paulo a Timóteo, o Cardeal convidou o clero a “reavivar o dom recebido pela imposição das mãos”, ressaltando que esse processo começa pela fé. “Reavivar o dom é, antes de tudo, reavivar a fé. Sem a fé, tudo perde o seu sentido, tudo fica sem rumo”, sublinhou.
Dom Odilo também recordou que o ministério continua a obra de Cristo na Igreja. “Hoje, em cada comunidade, no exercício de cada sacerdote, continua a acontecer a missão de Cristo”, disse. Ao mesmo tempo, enfatizou que esse dom é confiado à fragilidade humana: “Este grande dom é confiado à nossa fraqueza. Não deixamos de ser humanos”.

DESAFIOS
O Arcebispo mencionou ainda situações concretas do exercício do ministério, como cansaço, desânimo e dificuldades. “Reavivar o dom significa superar os desânimos, a rotina, o desencanto, o cansaço”. E utilizou uma comparação: “O desânimo é uma espécie de anemia que precisa ser superada indo à fonte”.
Nesse sentido, indicou o caminho para sustentar o ministério. “Não há outra fonte senão Ele que nos chamou”, afirmou, acrescentando que “é preciso reavivar o fogo, alimentar a chama com a Palavra de Deus, com a Eucaristia e com a fraternidade presbiteral”.
COMUNHÃO
Ao tratar da vida presbiteral, o Purpurado ressaltou a importância da comunhão: “A comunhão no presbitério é onde temos a força, o apoio. Muitas vezes, a falta de comunhão é o que precipita nas crises”. E advertiu: “Quando buscamos a Igreja que queremos nós, nos desencantamos; quando buscamos a Igreja que Jesus Cristo quis, redescobrimos o sentido”.
O Cardeal também afirmou que o exercício do ministério requer disposição para enfrentar dificuldades. “Deus não nos deu um espírito de covardia, mas de fortaleza”. E acrescentou: “Sofrer pelo Evangelho faz parte da missão”.
Ao final, Dom Odilo exortou os sacerdotes a renovar a entrega. “Reavivemos hoje a gratidão pelo dom recebido. ‘Senhor, quem sou eu? Mas eis-me aqui’”. E concluiu: “Reaviva o dom que há em ti, na comunhão com os irmãos, na missão com a Igreja, na união com Cristo”.

SAUDAÇÃO
Em nome do clero arquidiocesano, o Padre Ricardo Cardoso Anacleto dirigiu uma saudação ao Arcebispo. Ele recordou o aniversário de 49 anos de ministério sacerdotal de Dom Odilo.
Na saudação, destacou o testemunho do Arcebispo no exercício do ministério, referindo-se a ele como “um pastor que põe tudo ao serviço da salvação das almas, próximo do povo no sofrimento e na alegria”.
Também mencionou a atuação de Dom Odilo na cidade de São Paulo. “Tem sido um navegador dos mares das várias culturas desta metrópole, guiado pelo espírito de Cristo, que a todos acolhe”, disse.
Ao expressar a relação do presbitério com o Arcebispo, Padre Ricardo afirmou: “Nós o sentimos como uma luz que a bondade divina concedeu ao nosso sacerdócio”. Ele concluiu reiterando a comunhão: “Queremos nos manter como sinal afetivo e efetivo da comunhão eclesial que confirmamos e renovamos diante de vossa autoridade de pai e pastor”.
TRÍDUO PASCAL
Ainda nesta quinta-feira, às 18h, na Catedral da Sé, Dom Odilo preside a Missa da Ceia do Senhor, com o rito do lava-pés, que abre o Tríduo Pascal. Na sexta-feira, 3, às 15h, preside a ação litúrgica da Paixão do Senhor. No sábado, 4, às 19h, será realizada a Vigília Pascal. No domingo, 5, às 11h, o Cardeal preside a missa da Solenidade da Ressurreição do Senhor.
As celebrações serão transmitidas pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais da Arquidiocese de São Paulo.






