No encontro de carnaval promovido pela RCC Arquidiocesana, o Arcebispo Metropolitano também falou sobre o sentido das práticas do jejum, da esmola e da caridade na Quaresma

A 32ª edição do ‘Alegrai-vos’, promovido pela Renovação Carismática Católica (RCC) da Arquidiocese de São Paulo, levou mais de 800 pessoas à Paróquia São Januário (San Gennaro), na Mooca, Região Sé, no domingo, 15, e na segunda-feira, 16, para vivenciar o carnaval como tempo do anúncio do amor de Deus, de louvor ao Senhor e de abertura à ação do Espírito Santo em suas vidas e na Igreja.
O tema deste ano foi “É Ele quem dá a todos a vida” (At 17,25b), abordado em momentos de música, louvor, pregações e testemunhos de vida.
O encerramento foi com missa, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, tendo entre os concelebrantes os Padres Wellington Laurindo dos Santos, Pároco; Francisco Antônio Rangel de Barros, Assistente Eclesiástico da RCC Arquidiocesana; Alan Santos Leite e Benedito Hércules Daniel, com a assistência dos Diáconos seminaristas Leonardo Oliveira e Victor Natali.
HUMILDADE, SINCERIDADE E PERSEVERANÇA NA FÉ
Na homilia, o Arcebispo de São Paulo comentou que Jesus sempre atende aos pedidos sinceros dos que se sentem necessitados da graça de Deus, mas que se recusou a dar sinais milagrosos aos fariseus que o indagavam para colocá-Lo à prova, como descrito no Evangelho daquele dia (cf. Mc 8,11-13).
“Há quem goste de colocar Deus à prova e disto Ele não gosta. Isto é blasfêmia, uma presunção de nossa parte, orgulho. É como se nós tivéssemos a condição de nos colocarmos com o nariz empinado, de igual para igual com Deus, e dizer: ‘prova’. Hoje também existem muitas pessoas que querem colocar Deus no banco dos réus, e quando acontece alguma coisa de mal é Deus o culpado, mas as pessoas não se perguntam sobre outras razões que, muitas vezes, são das nossas responsabilidades humanas”, sublinhou.

Dom Odilo ressaltou que o fiel deve se dirigir a Deus não com soberba, nem com orgulho, mas crendo em Sua misericórdia e pedindo com sinceridade e humildade, e de modo perseverante.
“Muitas vezes, é preciso perseverar na fé na dificuldade, na aprovação, sem ficar no ‘Deus me abandonou’, ‘Deus me esqueceu’. Deus não esqueceu! Deus está querendo, muitas vezes, ver a nossa perseverança, a nossa sinceridade, mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros. Se a algum de vós falta sabedoria, peça-a que Deus concede, mas peça com fé, sem duvidar, porque aquele que duvida é como uma onda do mar impelida e agitada pelo vento. Não pense a pessoa soberba que receberá alguma coisa do Senhor. Quem como uma onda se levanta, se agita, vaidosa e orgulhosa diante de Deus, não vai receber nada Dele”, enfatizou.
Retomando aspectos da 1ª leitura proclamada na missa (Tg 1,1-11), Dom Odilo recordou que as primeiras comunidades cristãs também conviveram com problemas de relacionamento entre seus membros, como o egoísmo, a vaidade, a soberba, a falsidade, “essas coisas humanas que estão presentes na Igreja desde o início, mas que sempre devem ser corrigidas à luz da Palavra de Deus”.
“São Tiago adverte que não são as aparências externas que contam diante de Deus, mas a sinceridade do coração, da fé, a humildade diante de Deus, a retidão de vida, a consciência com a qual você procura servir a Deus, mesmo não sendo perfeito, mas sempre buscando sinceramente os Seus caminhos para superar os próprios pecados”, prosseguiu Dom Odilo, enfatizando que aqueles que desejam estar com Deus devem buscar agir com sinceridade e honestidade.

BEM VIVER A QUARESMA
Dom Odilo também lembrou aos fiéis sobre a proximidade da Quaresma, que será iniciada na Quarta-feira de Cinzas, 18, e prosseguirá por 40 dias em preparação para a Páscoa.
“A Quaresma é um chamado que a Igreja faz para que a gente reveja a nossa vida. Como estamos vivendo? Nosso coração é sincero, é reto, é honesto diante de Deus? Procuramos viver sinceramente os Mandamentos? Procuramos cumprir sinceramente os nossos deveres cristãos? É, portanto, um tempo de avaliação, de revisão de vida, tempo de graça, de conversão, tempo de penitência”, sublinhou, recordando que a penitência não tem o sentido de castigo, mas se trata de um exercício assumido voluntariamente para a tomada de consciência, com vistas a reorientar a vida para que se chegue à celebração da Páscoa com a disposição renovada de se viver verdadeiramente como cristão.
Dom Odilo recordou que, ao longo da Quaresma, a Igreja propõe os exercícios quaresmais do jejum, da oração e da esmola/caridade.
Sobre o jejum, detalhou que não se trata simplesmente de abster-se de algum alimento, mas sim de todos os maus hábitos, como o de falar mal dos outros, por exemplo.
A respeito da esmola, Dom Odilo explicou que este conceito é ampliado para todas as formas de caridade com o próximo, de modo especial às obras de misericórdia, sejam as corporais (Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; acolher os peregrinos; visitar os enfermos; visitar os encarcerados; enterrar os mortos); sejam as espirituais (dar bom conselho; ensinar os ignorantes; admoestar os pecadores; consolar os aflitos; perdoar as ofensas; suportar com paciência as fraquezas do próximo; rezar a Deus pelos vivos e mortos).
Acerca da oração, explicou que na Quaresma os fiéis são chamados a intensificar tal prática de fé, o que inclui as orações diárias recomendadas a todos os cristãos em diferentes momentos do dia e a participação constante na Santa Missa, em especial aos domingos.: “Em qualquer momento, em qualquer lugar, podemos voltar o pensamento para Deus, rezar, agradecer, pedir a Sua ajuda, a Sua intercessão por tantas necessidades, pelas pessoas que encontramos e pela conversão, para que cresça no mundo sempre mais o fruto do Evangelho, o fruto da fé”.
O Arcebispo também exortou os participantes do ‘Alegrai-vos’ a tomar parte das iniciativas de Quaresma que forem realizadas em suas paróquias.

O SENHOR DA VIDA
Na conclusão da homilia, o Arcebispo retomou o tema do ‘Alegrai-vos’ deste ano – “É Ele quem dá a todos a vida” (At 17,25b) – para sublinhar que Jesus veio ao mundo para que todos tenham vida em abundância: “Ele ofereceu Sua vida por nós sobre a cruz. Que isso não seja em vão! Ele veio para oferecer a vida também por todas as pessoas que têm necessidade de resgate da vida, resgate da sua dignidade. Portanto, que nós possamos ser, na nossa fé, aqueles que ajudam a resgatar, a proteger a vida onde ela é mais agredida, onde ela está mais em situação de risco. Isso também pode ser um belo e bom propósito não só para a Quaresma, mas para todo este ano. Que Deus nos ajude a levar isso no coração”.
Antes da bênção final do Arcebispo, José Roberto das Candeias, Presidente do Conselho da RCC Arquidiocesana, agradeceu a todos que se empenharam para a realização do ‘Alegrai-vos’ deste ano.
(Colaborou: Felipe Santos, da RCC Arquidiocesana)





