
Celebrado pela primeira vez em 11 de fevereiro de 1993, o Dia Mundial do Enfermo foi criado por São João Paulo II com o propósito de que cresça cada vez mais, na Igreja e em toda a sociedade, “a atitude de escuta, de reflexão e de compromisso real perante o grande mistério da dor e da doença”.
Para sua 34ª edição, celebrada na quarta-feira, 11, o tema escolhido pelo Papa Leão XIV é “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro”. Na introdução da mensagem, o Pontífice destaca que a Parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37) é sempre atual e necessária “a fim de redescobrirmos a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão, e chamar a atenção para os necessitados e para os que sofrem, como são os doentes”.
PROXIMIDADE E PRESENÇA
Leão XIV afirma que a atitude do bom samaritano de não ser indiferente ao sofrimento daquele que vira ferido mostra “o olhar de Jesus, que o levou a uma proximidade humana e solidária”, a qual contrasta com a atual “cultura do efêmero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença, que impede de nos aproximarmos e pararmos no caminho para olhar as necessidades e os sofrimentos à nossa volta”.
“Ninguém é próximo de outro enquanto não se aproxima voluntariamente dele. Por isso, fez-se próximo aquele que teve misericórdia [cf. Santo Agostinho, Sermão 171,2]. O amor não é passivo, mas vai ao encontro do outro; ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar. Por isso, o cristão faz-se próximo daquele que sofre, seguindo o exemplo de Cristo, o verdadeiro Samaritano divino que se aproximou da humanidade ferida”, sublinha o Pontífice.
A MISSÃO PARTILHADA DE CUIDAR
O Santo Padre lembra que a compaixão conduz à ação, “é um sentimento que brota do interior e leva a assumir um compromisso com o sofrimento alheio. Nesta parábola, a compaixão é a característica distintiva do amor ativo. Não é teórica nem sentimental, mas traduz-se em gestos concretos: o samaritano aproxima-se, cura, responsabiliza-se e cuida”.
Entretanto, o samaritano não age individualmente na atenção ao enfermo: “‘o samaritano procurou um estalajadeiro que pudesse cuidar daquele homem, como nós estamos chamados a convidar outros e a encontrar-nos em um ‘nós’ mais forte do que a soma de pequenas individualidades’. [cf. Fratelli tutti, 78]”.
Leão XIV recorda, ainda, que na exortação apostólica Dilexi te referiu-se ao cuidado aos doentes não como uma “‘parte importante’ da missão da Igreja, mas como uma autêntica ‘ação eclesial’ (DT 49)”. Ainda de acordo com o Papa, quando todos percebem-se verdadeiramente membros de um mesmo corpo sentem a mesma compaixão do Senhor pelo sofrimento do próximo. “A dor que nos comove não é uma dor alheia, é a dor de um membro do nosso próprio corpo, ao qual a nossa Cabeça nos manda acudir para o bem de todos. Nesse sentido, identifica-se com a dor de Cristo e, oferecida cristãmente, acelera o cumprimento da oração do próprio Salvador pela unidade de todos”.
MOVIDOS PELO AMOR DE DEUS
“Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lc 10,27). Leão XIV cita esta passagem bíblica para recordar que a primazia do amor a Deus tem direta consequência na forma de o homem amar e se relacionar: “O amor ao próximo é a prova tangível da autenticidade do amor a Deus, como atesta o Apóstolo João: ‘A Deus nunca ninguém o viu; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós. […] Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1 Jo 4, 12.16)” (DT 26).
Leão XIV também diz desejar vivamente “que nunca falte no nosso estilo de vida cristão esta dimensão fraterna, ‘samaritana’, inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo. Inflamados por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos”.
Na conclusão da mensagem, o Papa suplica a intercessão da Virgem Maria “por todos aqueles que sofrem e que precisam de compaixão, escuta e consolo”, cita uma antiga oração mariana pelos que vivem na doença e na dor, e concede sua bênção apostólica “a todos os doentes, às suas famílias e aos que cuidam deles; também aos profissionais e agentes da Pastoral da Saúde e, muito especialmente, aos que participam deste Dia Mundial do Enfermo”.

“Quantos doentes, quantos idosos, estão esperando nossa ajuda solidária, nossa presença fraterna. No Dia Mundial dos Doentes, em 11 de fevereiro, Dia de Nossa Senhora de Lourdes, lembremos disto: façamo-nos solidários, bons samaritanos, ao lado dos nossos doentes, lembrando-nos sempre de ajudá-los também a se aproximarem de Deus, mediante à oração, à fé e à entrega da sua vida na confiança em Deus. Ao doente não pode faltar essa referência à fé, pois isso dá sentido até mesmo à doença, aos momentos de dor e ao fim da vida. Se nós estamos confiantes em Deus, tudo isso tem um novo sentido. Que Deus abençoe a todos os nossos queridos doentes”.
(Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, ao comentar o tema da mensagem do 34º Dia Mundial do Enfermo)
PELA ÓTICA DOS SANTOS, A ATENÇÃO AOS ENFERMOS E A FÉ DIANTE DA DOENÇA

“O Senhor assim deu a mim, Frei Francisco, começar a fazer penitência: porque, como estava em pecados, parecia-me por demais amargo ver os leprosos. E o próprio Senhor me levou para o meio deles, e fiz misericórdia com eles”.
(Testamento de São Francisco de Assis)
“Quando nenhum hospital quiser aceitar algum paciente, nós aceitaremos. Essa é a última porta e por isso eu não posso fechá-la. Tudo seria melhor se houvesse mais amor”.
(Santa Dulce dos Pobres, o ‘Anjo bom da Bahia’)


“Que ninguém pretenda entrar no céu sem a recomendação dos doentes e dos pobres”;
“Os doentes são a pupila e o rosto de Deus”.
(São Camilo de Lellis, criador da Ordem dos Ministros dos Enfermos – Camilianos)
“A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração”.
(Santa Teresa de Calcutá)


“Confiar em Deus na doçura e na paz da prosperidade é algo que quase todos sabem fazer; mas abandonar-se inteiramente a Ele em meio a furacões e tempestades [uma alusão a uma condição de enfermidade] é característico de Seus filhos”.
(São Francisco de Sales)
“Antes de tudo e acima de tudo, deve-se cuidar dos enfermos, de modo que os sirvam verdadeiramente como a Cristo”.(Regra de São Bento – capítulo 36 ‘Dos irmãos enfermos’)


“Quando se ama tudo é alegria, a cruz não pesa, o martírio não se sente, vive-se mais no Céu do que na terra”.
(Santa Maria Bertilha Boscardin, freira italiana que dedicou-se ao cuidado dos enfermos na época da 1ª Guerra Mundial, mesmo convivendo com um câncer)





