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Sub-Região São Paulo aprofunda a sinodalidade e debate a CF 2026 em encontro pastoral ampliado

Sub-Região São Paulo aprofunda a sinodalidade e debate a CF 2026 em encontro pastoral ampliado

No sábado, 28 de fevereiro, bispos, coordenadores diocesanos de pastoral e representantes de pastorais e organismos eclesiais das dioceses que compõem a Província Eclesiástica de São Paulo – Guarulhos, Mogi das Cruzes, São Mi­guel Paulista, Campo Limpo, Osasco, Santos, Santo André, Santo Amaro e a Arquidiocese de São Paulo, com suas seis regiões episcopais – participaram do 6º Encontro da Ampliada das Equipes Pas­torais da Sub-Região Pastoral São Paulo. A atividade ocorreu no campus Ipiranga da PUC-SP.

O encontro foi coordenado pelo Car­deal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e Presidente da Sub-Região Pastoral São Paulo. Ele destacou a natu­reza informativa e formativa da reunião e recordou acontecimentos que marcam a vida eclesial neste ano, especialmente o processo de elaboração das novas Dire­trizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, à luz das conclusões da recente Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, e a Campanha da Fraternidade 2026, dedicada ao tema da moradia.

SINODALIDADE: CONVERSÃO ESPIRITUAL

Sub-Região São Paulo aprofunda a sinodalidade e debate a CF 2026 em encontro pastoral ampliado

Para falar sobre a implementação do Documento Final do Sínodo nas dioceses, foi convidado o Padre Antonio de Lisboa Lustosa Lopes, teólogo e doutor em Ciên­cias da Religião, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da PUC-SP e Pároco da Paróquia São João Clímaco, na Região Ipiranga.

Em sua conferência, o Sacerdote afir­mou que a Igreja vive “um dos momentos eclesiais mais decisivos desde o Concílio Vaticano II” e destacou que o Sínodo foi “um processo espiritual e eclesial que redefine o modo de ser Igreja no século XXI”. Segundo o Padre, o Documento Final “não propõe simplesmente novas estruturas, mas uma conversão eclesial profunda”, conduzindo a instituição a passar “de uma Igreja autorreferencial para uma Igreja relacional, missionária e corresponsável”.

Padre Lisboa sublinhou que “a im­plementação do Documento Final do Sínodo não depende primeiramente de estruturas, mas de uma conversão espi­ritual”. A sinodalidade, explicou, “não é um método organizacional, mas uma di­mensão constitutiva da Igreja”, que nasce da comunhão, se alimenta da escuta do Espírito e se concretiza na missão.

Entre as prioridades práticas, ele apon­tou o fortalecimento real dos Conselhos Pastorais, a promoção de uma cultura de escuta – inclusive dos afastados –, a conversão do estilo de governo pastoral e a valorização da corresponsabilidade dos leigos. “A sinodalidade começa quando deixamos de caminhar sozinhos e apren­demos a caminhar juntos”, afirmou.

O conferencista alertou o que se deve evitar: reduzir a sinodalidade a reuniões ou a simples dinâmica democrática; man­ter estruturas sem mudança efetiva de mentalidade; e temer perda de autoridade.

Ao comentar o tema, o Cardeal Sche­rer recordou que o Sínodo não teve como tema simplesmente a sinodalidade, mas “Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Ele explicou que, enquanto a sinodalidade pode ser entendida como conceito, a Igreja sinodal expressa a própria natureza e identidade eclesial. “Precisamos redescobrir ou então reviver melhor a sinodalidade que é parte da vida e da missão da Igreja desde o seu início”, afirmou.

CF 2026

Sub-Região São Paulo aprofunda a sinodalidade e debate a CF 2026 em encontro pastoral ampliado

A reflexão sobre a Campanha da Fra­ternidade 2026 foi conduzida por Cláu­dio Vieira, coordenador da iniciativa no Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Ele enfati­zou que a Campanha é uma ação anual da Igreja em todas as suas dimensões e não pertence a um grupo específico. Ao tratar do tema da moradia, recordou que não se trata apenas de discutir constru­ções, mas de olhar para as pessoas: “Não é sobre tijolo e pedra, é sobre pessoas”.

Vieira ressaltou que a casa é espaço de vínculos, cuidado e dignidade, e que a realidade urbana desafia a Igreja a re­tomar a proximidade, sobretudo após a pandemia, que fragilizou relações comu­nitárias. “Ir às casas é buscar vínculos”, afirmou, convidando as comunidades a redescobrirem a dimensão da “igreja doméstica” e a responsabilidade comum na promoção do direito à moradia digna.

Ele também chamou a atenção para as desigualdades presentes nas grandes cidades e para o fenômeno da invisi­bilidade social nas periferias. Segundo destacou, a Campanha deseja despertar a consciência de que a moradia é direi­to fundamental e expressão concreta de justiça social e fraternidade.

(Colaborou: Karen Eufrosino)

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