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‘Assim que se muda o mundo: não com o poder nem com a força, mas com as Bem-aventuranças’

Afirmou o Papa Francisco em missa que presidiu neste sábado, 6, em Bagdá, como parte de sua visita apostólica ao Iraque

‘Assim que se muda o mundo: não com o poder nem com a força, mas com as Bem-aventuranças’ - Jornal O São Paulo
Papa Francisco durante missa na Catedral Caldeia de São José, neste sábado, dia 6 (foto: Vatican Media)

Depois do encontro com líderes religiosos na cidade de Ur, terra de Abraão, o Papa Francisco voltou a Bagdá e presidiu neste sábado, 6, a Santa Missa na Catedral Caldeia de São José.

Nesta que foi sua primeira homilia no Iraque, o Papa falou sobre a sabedoria, o testemunho e as promessas.

“A sabedoria foi cultivada nestas terras desde tempos muito antigos”, disse o Pontífice, comentando, ainda, que com o livro da Sabedoria é possível aprender uma perspectiva invertida sobre os privilegiados pela sabedoria: “Para o mundo, quem tem menos é descartado e quem tem mais é privilegiado; para Deus, não: quem tem mais poder é sujeito a um exame rigoroso, enquanto os últimos são os privilegiados de Deus”.

AS BEM-AVENTURANÇAS

“Jesus, a Sabedoria em pessoa, completa esta inversão no Evangelho: não num momento qualquer, mas no início do primeiro discurso, com as Bem-aventuranças”, disse Francisco, detalhando, ainda, que a inversão é total pois os pobres, os que choram, os perseguidos são declarados bem-aventurados.

“Para Deus não é maior quem tem, mas quem é pobre em espírito; não quem pode tudo sobre os outros, mas quem é manso com todos; não quem é aclamado pelas multidões, mas quem é misericordioso com o irmão”.

O AMOR É A NOSSA FORÇA

“A proposta de Jesus é sapiente, porque o amor, que é o coração das Bem-aventuranças, embora pareça frágil aos olhos do mundo, na realidade vence”, disse o Papa.

“O amor é a nossa força, a força de tantos irmãos e irmãs que também aqui foram vítimas de preconceitos e ofensas, sofreram maus tratos e perseguições pelo nome de Jesus”, disse, ressaltando, ainda, que a glória e vaidade no mundo passam, mas o amor permanece.

PARA SE TORNAR BEM-AVENTURADO

“Mas como se vivem as Bem-aventuranças?”, questionou o Papa, respondendo logo a seguir:

“Para se tornar bem-aventurado, não é preciso ser herói de vez em quando, mas testemunha todos os dias. O testemunho é o caminho para encarnar a sabedoria de Jesus. É assim que se muda o mundo: não com o poder nem com a força, mas com as Bem-aventuranças”

Testemunhar o amor de Jesus, como descreve São Paulo, em primeiro lugar é considerar que “a caridade é paciente”. Trata-se de um termo que exprime, na Bíblia, a paciência de Deus. 

Francisco esclareceu que o homem ao longo da história continuou a trair a aliança pelas suas fraquezas, mas o Senhor nunca o abandonou, permaneceu sempre fiel, perdoou, recomeçou.

“A paciência de recomeçar sempre é a primeira qualidade do amor, porque o amor não se indigna, mas sempre recomeça”, afirmou, complementando: “Quem ama não se fecha em si mesmo, quando as coisas correm mal, mas responde ao mal com o bem, lembrando-se da sabedoria vitoriosa da cruz” .

FORÇA HUMILDE DO AMOR

O Papa disse, ainda, que diante de situações funestas, das adversidades, sempre se apresentam duas tentações: a fuga – “fugir, virar as costas, desinteressar-se”; e a reação irritada, com força.

“Nem a fuga nem a espada resolveram coisa alguma. Ao contrário, Jesus mudou a história. Como? Com a força humilde do amor, com o seu paciente testemunho. O mesmo somos nós chamados a fazer; assim Deus realiza as suas promessas”.

PROMESSAS DE DEUS

Ainda na homilia, o Santo Padre  falou sobre as promessas de Deus: A sabedoria de Jesus, encarnada nas Bem-aventuranças, pede o testemunho e oferece a recompensa, contida nas promessas divinas. De fato, vemos que a cada Bem-aventurança segue uma promessa: quem as vive terá o reino dos céus, será consolado, saciado, verá a Deus”.

As promessas divinas, ressaltou o Papa, se realizam a partir das fraquezas humanas. “Deus faz bem-aventurados aqueles que percorrem até ao fim o caminho da sua pobreza interior. Esta é a estrada; não há outra”.

Citando exemplos de Abraão, Moisés, Maria e Pedro, que viveram a promessa por meio das fraquezas humanas e foram bem-aventurados, o Pontífice afirmou: “Às vezes, queridos irmãos e irmãs, podemos sentir-nos incapazes, inúteis. Não lhe demos crédito, pois Deus quer fazer maravilhas precisamente por meio das nossas fraquezas”, e complementou:  “É certo que somos provados, muitas vezes caímos, mas não devemos esquecer que, com Jesus, somos bem-aventurados”.

PARA TODOS

Na conclusão da homilia, disse o Papa: “Querida irmã, querido irmão, talvez olhes para as tuas mãos e te pareçam vazias, talvez sintas insinuar-se no coração a desconfiança e penses que a vida é injusta contigo. Se tal suceder, não temas! As Bem-aventuranças são para ti, para ti que estás na aflição, com fome e sede de justiça, perseguido”.

“Aqui, onde na Antiguidade surgiu a sabedoria, nestes tempos se levantaram tantas testemunhas, muitas vezes transcuradas nos noticiários mas preciosas aos olhos de Deus; testemunhas que, vivendo as Bem-aventuranças, ajudam Deus a realizar as suas promessas de paz”, finalizou.

Fonte: Vatican News

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