
A semana do Papa Leão XIV foi marcada por diversas declarações em defesa da dignidade humana, mensagem que tem transmitido desde o início do seu pontificado. Na sexta-feira, 6, em audiência com membros e funcionários do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, responsável por acompanhar os movimentos laicais, a Jornada Mundial da Juventude e projetos voltados para a promoção da mulher, o Papa falou sobre o tema da formação da vida cristã.
Ele disse: “É indispensável cuidar em nossas comunidades dos aspectos formativos voltados para o respeito à vida humana em todas as suas fases, em particular aqueles que contribuem para prevenir qualquer forma de abuso contra menores e pessoas vulneráveis, bem como para acompanhar e apoiar as vítimas.” Uma defesa não só da vida humana, mas da sua dignidade como valor absoluto.
A VIDA COMO BEM MAIOR
Nesse sentido, em mensagem publicada no domingo, 8, dia dedicado à oração contra o tráfico de pessoas, o Sumo Pontífice afirmou que “a verdadeira paz começa com o reconhecimento e a proteção da dignidade dada por Deus a cada pessoa”. Em uma sociedade cada vez mais violenta, a perda da vida humana, a morte, se tornou apenas “dano colateral” de projetos de poder.
“A instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes que exploram as pessoas mais vulneráveis, em particular os deslocados, os migrantes e os refugiados”, denunciou. “Nesse paradigma falho, mulheres e crianças são as mais afetadas por esse comércio atroz. Além disso, a crescente disparidade entre ricos e pobres obriga muitos a viver em condições precárias, tornando-os vulneráveis às promessas enganosas dos recrutadores.”
ENCONTRO COM CRISTO

Em outra mensagem, enviada a um congresso de sacerdotes de Madri, na Espanha, o Santo Padre voltou ao tema da dignidade humana. Em uma cultura que parece cada vez mais indiferente à fé e à vida interior, ele afirmou identificar pontos de luz, especialmente entre os jovens.
“A absolutização do bem-estar não trouxe a felicidade esperada; uma liberdade desvinculada da verdade não gerou a plenitude prometida; e o progresso material, por si só, não conseguiu satisfazer o desejo profundo do coração humano”, comentou o Papa.
Assim, o sacerdote necessário hoje é aquele que não se define somente pela “multiplicação de tarefas ou pela pressão dos resultados”, mas que é “configurado a Cristo, capaz de sustentar o próprio ministério a partir de uma relação viva com Ele, alimentada pela Eucaristia e expressa em uma caridade pastoral marcada pela sincera doação de si mesmo”.
A amizade com Cristo, observou o Papa durante a oração do Angelus do domingo, 8, conduz a gestos de abertura ao outro. Refletindo sobre a passagem “Vós sois o sal da terra. […] Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13- 14), ele disse que a verdadeira alegria deve ser “desejada e escolhida”. Trata-se da “vida que resplandece em Jesus, o novo sabor dos seus gestos e das suas palavras”, porque “depois o termos encontrado, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração, da sua fome e sede de justiça, que despertam misericórdia e paz como dinâmicas de transformação e reconciliação”.





