Logo do Jornal O São Paulo Logo do Jornal O São Paulo

Em discurso a embaixadores, Papa Leão XIV defende a fé, o multilateralismo e a vida como ‘um dom sem preço’

Em discurso a embaixadores, Papa Leão XIV defende a fé, o multilateralismo e a vida como ‘um dom sem preço’ - Jornal O São Paulo

Pela primeira vez neste ano, o Papa Leão XIV se reuniu com o corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé na sexta-feira, 9. Trata-se do grupo internacional de embaixadores que representam seus países no Vaticano. Esse encontro, geralmente realizado no início de cada ano, é uma oportunidade para que o Pontífice expresse as principais preocupações, pessoais e da Santa Sé como país soberano, diante das questões sociais e políticas do mundo.

Em seu discurso, Leão XIV fez uma defesa da fé como elemento essencial para compreender a humanidade, dizendo que não se pode isolá-la das realidades concretas da vida. Ele também fez uma defesa do diálogo entre as nações e do multilateralismo, que considera estar em crise, especialmente na solução de conflitos.

“A guerra está de volta à moda e o entusiasmo pela guerra está se espalhando”, disse o Papa. “O princípio estabelecido após a Segunda Guerra Mundial, que proibia as nações de usar a força para violar as fronteiras de outras, foi completamente minado”, completou.

“A paz é buscada por meio de armas como condição para afirmar o próprio domínio. Isso ameaça gravemente o Estado de direito, que é a base de toda a coexistência civil pacífica.” O Papa também afirmou que as palavras, a linguagem têm peso, e é preciso tomar cuidado para que elas não se transformem em armas.

Em discurso a embaixadores, Papa Leão XIV defende a fé, o multilateralismo e a vida como ‘um dom sem preço’ - Jornal O São Paulo

‘PRESENTE INESTIMÁVEL’

Como é tradição em contextos diplomáticos, o Pontífice também reiterou a posição da Igreja em defesa da vida, que ele definiu como “um dom sem preço”, que deve ser protegido em todas as situações. “A vocação para o amor e para a vida, que se manifesta de maneira importante na união exclusiva e indissolúvel entre uma mulher e um homem, implica um imperativo ético fundamental para permitir que as famílias acolham e cuidem plenamente da vida por nascer”, declarou.

“Isso é cada vez mais uma prioridade, especialmente nos países que estão passando por um declínio dramático nas taxas de natalidade. A vida, na verdade, é um presente inestimável que se desenvolve dentro de um relacionamento comprometido, baseado na doação mútua e no serviço.”

Ele também fez uma defesa da liberdade religiosa, que deve encontrar espaço em todas as nações, e aos direitos sociais das mulheres e dos migrantes. “A Santa Sé assume consistentemente uma posição em defesa da dignidade inalienável de cada pessoa. Não se pode ignorar, por exemplo, que cada migrante é uma pessoa e, como tal, tem direitos inalienáveis que devem ser respeitados em todas as situações.”

Atualmente, 184 Estados mantêm relações diplomáticas com a Santa Sé. A eles se somam a União Europeia e a Ordem Soberana Militar de Malta. As missões diplomáticas acreditadas junto à Santa Sé com sede em Roma, incluindo as da União Europeia e da Ordem de Malta, são 93. Também têm sede em Roma os escritórios acreditados junto à Santa Sé da Liga dos Estados Árabes, da Organização Internacional para as Migrações e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Deixe um comentário