4 mil pessoas participaram, em Istambul, da celebração presidida por Leão XIV no 3º dia de sua viagem apostólica à Turquia

No sábado, 29, na Volkswagen Arena, em Istambul, na Turquia, 4 mil pessoas participaram da missa presidida pelo Papa Leão XIV em sua primeira viagem apostólica à Turquia, por ocasião das comemorações dos 1.700 anos do primeiro Concílio de Niceia.
“Celebramos esta Santa Missa na véspera do dia em que a Igreja recorda Santo André, Apóstolo e Padroeiro desta terra. Ao mesmo tempo, iniciamos o Advento, preparando-nos para reviver, no Natal, o mistério de Jesus, Filho de Deus, ‘gerado, não criado, consubstancial ao Pai’, como os Padres reunidos no Concílio de Niceia solenemente declararam há 1700 anos”, disse o Papa.
A seguir, Leão XIV meditou “sobre o nosso ser Igreja”, detendo-se em algumas passagens do Livro do Profeta Isaias “onde ressoa o convite dirigido a todos os povos para subirem ao monte do Senhor, lugar de luz e de paz”.

RENOVAR NA FÉ A FORÇA DO NOSSO TESTEMUNHO
A primeira é a do monte ‘mais alto de todos’, que “nos lembra que os frutos da ação de Deus em nossa vida não são um dom apenas para nós, mas para todos”, pois “a alegria do bem é contagiante”.
“Encontramos confirmação disso na vida de muitos santos”, disse ainda o Papa, citando São Pedro que encontra “Jesus graças ao entusiasmo do seu irmão André, que, por sua vez, junto com o apóstolo João, é conduzido ao Senhor pelo zelo de João Batista. Séculos mais tarde, Santo Agostinho chega a Cristo graças à apaixonada pregação de Santo Ambrósio, e assim muitos outros”.
O Pontífice apontou que “em tudo isto há um convite, também para nós, a renovar na fé a força do nosso testemunho. São João Crisóstomo, grande Pastor desta Igreja, falava do encanto da santidade como um sinal mais eloquente do que muitos milagres”.
Leão XIV convidou a cultivar “a nossa fé com a oração e os Sacramentos”, a vivê-la “coerentemente na caridade”, a rejeitar, como disse São Paulo, “as obras das trevas e vestir as armas da luz”.
“O Senhor, a quem esperamos em sua vinda gloriosa no fim dos tempos, vem todos os dias bater à nossa porta. Estejamos prontos com o compromisso sincero de uma vida boa, como nos ensinam os numerosos modelos de santidade de que é rica a história desta terra”, sublinhou.

COMUNS ESFORÇOS PELA UNIDADE
“A segunda imagem que nos vem do profeta Isaías é a de um mundo onde reina a paz”, disse o Papa, tão necessária nos tempos atuais. “Quanta necessidade de paz, unidade e reconciliação existe à nossa volta, dentro de nós e entre nós! Como podemos contribuir para corresponder a esta exigência?”, indagou.
Para uma melhor compreensão, o Santo Padre recorreu “ao símbolo desta viagem, em que um dos elementos escolhidos é o da ponte, que também nos faz pensar no famoso e grande viaduto que, nesta cidade, atravessa o Estreito de Bósforo e une dois continentes: a Ásia e a Europa”.
“A ele, com o passar do tempo, somaram-se outras duas passagens, de modo que atualmente existem três pontos de ligação entre as duas margens. Três grandes estruturas de comunicação, de intercâmbio, de encontro: imponentes à vista, mas tão pequenas e frágeis quando comparadas aos imensos territórios que conectam”, disse Leão XIV, acrescentando:
“A sua tríplice extensão, por meio do Estreito faz-nos pensar na importância dos nossos comuns esforços pela unidade em três níveis: dentro da comunidade, nas relações ecumênicas com os membros de outras Confissões cristãs e no encontro com os irmãos e irmãs pertencentes a outras religiões. Cuidar destas três pontes, reforçando-as e ampliando-as de todas as formas possíveis, faz parte da nossa vocação de ser uma cidade construída sobre o monte.”

UMA FORTE MENSAGEM DE ESPERANÇA
O Papa recordou que “dentro desta Igreja existem quatro tradições litúrgicas diferentes – latina, armênia, caldeia e siríaca –, cada uma delas dotada de uma própria riqueza a nível espiritual, histórico e eclesial”.
Segundo o Pontífice, a partilha das “diferenças pode mostrar de forma excelente uma das características mais belas do rosto da Esposa de Cristo: a da catolicidade que une. A unidade que se consolida em torno do Altar é um dom de Deus e, como tal, é forte e invencível, porque é obra da sua graça. Ao mesmo tempo, porém, a sua realização na história é confiada aos nossos esforços”.
“Empenhemo-nos, portanto, em favorecer e fortalecer os laços que nos unem, para enriquecermo-nos mutuamente e sermos, diante do mundo, um sinal crível do amor universal e infinito do Senhor”, frisou Leão XIV.
“Um segundo vínculo de comunhão que esta liturgia nos sugere é o ecumênico, comprovado pela presença dos representantes de outras Confissões, a quem saúdo com vivo reconhecimento. Com efeito, a mesma fé no Salvador une-nos não só entre nós, mas também com todos os irmãos e irmãs pertencentes a outras Igrejas cristãs”, disse o Papa.
Recordando as palavras de São João XXIII que “se realize o grande mistério daquela unidade, que Jesus Cristo pediu com oração ardente ao Pai celeste, pouco antes do seu sacrifício”, Leão XIV convidou a renovar “hoje o nosso ‘sim’ à unidade, ‘para que todos sejam um só’”.
“Um terceiro vínculo ao qual a Palavra de Deus nos remete é aquele com os membros de comunidades não cristãs. Vivemos em um mundo em que, com demasiada frequência, a religião é usada para justificar guerras e atrocidades”, disse ainda o Papa.
“Por isso, queremos caminhar juntos, valorizando o que nos une, derrubando os muros do preconceito e da desconfiança, promovendo o conhecimento e a estima recíproca, para dar a todos uma forte mensagem de esperança e um convite a tornarem-se “operadores de paz”.”
O Santo Padre concluiu a homilia, convidando a fazer desses “valores os nossos propósitos para o tempo do Advento e, mais ainda, para a nossa vida, tanto pessoal quanto comunitária”.

Fonte: Vatican News






