
O jornalista Silvonei José Protz, diretor do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano – Vatican News, participou, no dia 3, de um podcast transmitido pelo canal da Arquidiocese de São Paulo no YouTube para apresentar o livro “Bento XVI, simplesmente um catequista”, publicado pela Angelus Editora.
A entrevista foi conduzida pelo jornalista Fernando Geronazzo, no estúdio multimídia da Cúria Metropolitana, como iniciativa do Vicariato Episcopal para a Pastoral da Comunicação, em parceria com a rádio 9 de Julho, o jornal O SÃO PAULO e as mídias digitais da Arquidiocese.
A obra é o segundo volume de uma trilogia dedicada ao pensamento, à espiritualidade e ao magistério do Papa Bento XVI (1927-2022). Segundo Silvonei, o projeto nasceu do desejo de evidenciar uma dimensão central, mas nem sempre destacada, do pontificado do teólogo alemão. “Neste segundo volume, nós temos um aspecto que, para mim, é essencial também do seu pontificado, que é a catequese. Ele foi um grande catequista. O seu pensamento, a maneira de traduzir uma teologia muitas vezes elevadíssima em uma linguagem acessível a todos”, afirmou.
O autor recordou que o primeiro volume da trilogia, “Bento XVI, simplesmente um peregrino”, inspirou-se nas palavras do então Papa em seu discurso de despedida, em 28 de fevereiro de 2013, em Castel Gandolfo, após sua renúncia ao pontificado. “Ele falou: ‘Esta é uma outra etapa, uma última etapa da minha vida, na qual eu sou simplesmente um peregrino’. Já o segundo volume reúne 46 catequeses, em sua maioria provenientes das audiências gerais das quartas-feiras, organizadas em eixos temáticos que abordam a Sagrada Escritura, a liturgia, a oração, os sacramentos, os santos e a centralidade de Cristo na vida cristã.
GRANDE CATEQUISTA

Ao longo da entrevista, Silvonei ressaltou que a catequese foi uma marca constante na vida e no ministério de Bento XVI, presente tanto antes quanto durante o pontificado. “Ele teve quase 23 anos à frente da Congregação para a Doutrina da Fé, mas nunca deixou de ser catequista”, observou, ao destacar a clareza com que o Papa explicava temas complexos. Para o jornalista, Bento XVI tinha a capacidade singular de conduzir os fiéis ao essencial da fé cristã, sem simplificações superficiais.
Segundo o autor, a preocupação do falecido Papa era formar cristãos conscientes de sua pertença à Igreja. “Não devemos ser números, estatística, mas ter qualidade”, afirmou, recordando que Bento XVI frequentemente questionava uma fé meramente cultural. “Todo mundo se diz católico, mas depois os sacramentos ficam de lado, a Santa Missa vira uma opção do fim de semana. Ele chamava a atenção para uma fé que precisa ser construída e alimentada todos os dias”, disse Silvonei.
Outro ponto central destacado pelo autor foi a relação entre Escritura e Tradição no pensamento de Bento XVI. “Nós temos um fundamento. Não é só a Tradição, mas é a Tradição que nos traz a Palavra”, explicou. Para Silvonei, o Papa ajudava a compreender que a fé cristã não nasceu de forma abstrata, mas como fruto de um caminho histórico guiado pelo Espírito Santo. “A Palavra hoje está no nosso meio graças a essa Tradição, fruto de homens de fé que colocaram no papel aquilo que nós recebemos.”
As catequeses sobre os salmos foram apresentadas como expressão dessa pedagogia espiritual. “Quando você já não tem palavras, busque ali, porque ajuda você realmente a conectar-se”, afirmou. Segundo Silvonei, Bento XVI via nos salmos uma forma privilegiada de oração, capaz de expressar louvor, súplica e ação de graças, ajudando o fiel a “ver com os olhos do coração” o sentido da própria existência.
APROFUNDAMENTO DA FÉ
A liturgia também foi apontada como elemento essencial do magistério de Bento XVI. Para o autor, o Papa compreendia a liturgia como caminho de aprofundamento da fé e não apenas como conjunto de normas. “Não é inventado por um Papa, é de uma tradição que vem por meio de uma sucessão apostólica”, afirmou, ao destacar que Bento XVI ajudava a compreender o ano litúrgico como itinerário espiritual, especialmente no Advento, na Quaresma e no Tríduo Pascal.
Silvonei destacou, ainda, a reflexão constante de Bento XVI sobre a relação entre fé e razão. “A minha fé sem razão é nula também, porque a razão leva à minha fé”, afirmou, ao recordar que o Papa rejeitava tanto o racionalismo quanto o sentimentalismo: “Uma coisa não elimina a outra. As duas se unem e caminham juntas”.
Ao tratar da realidade contemporânea, o autor recordou a crítica de Bento XVI à “ditadura do relativismo”, entendida como um risco à verdade e à dignidade humana. Segundo Silvonei, o Papa alertava para a perda de referências e para a banalização do sofrimento humano, insistindo na necessidade do testemunho cristão. “A Igreja cresce por atração e não por proselitismo. Os gestos e o testemunho falam mais do que mil palavras”, recordou.
No plano pessoal, Silvonei descreveu Bento XVI como “uma pessoa tímida, simples, mas muito acolhedora”, cuja força estava na escuta e na profundidade espiritual. Para ele, a última catequese do Papa sintetiza todo o seu caminho: “Ele diz o que está acontecendo na vida dele e o que ele vai ser a partir daquele momento. Ele é um peregrino como todos nós, que continua a caminhar e a servir de um outro modo”.
Assista à íntegra do podcast em:

Livro: Bento XVI – Volume 2: Simplesmente um catequista
Autor: Silvonei José Protz
Editora: Angelus Editora
Sobre a obra: O livro reúne 46 catequeses de Bento XVI, extraídas principalmente das audiências gerais das quartas-feiras, e apresenta o Papa como um grande catequista, capaz de traduzir a profundidade da fé cristã em uma linguagem clara, acessível e formativa.
Onde encontrar: https://angeluseditora.com




