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Leão XIV: ‘Basta com a idolatria de si mesmo, do dinheiro e da ostentação da força’

Em vigília de oração no Vaticano, Papa repudia a guerra e reza para que se rompa ‘a cadeia demoníaca do mal’ que até usa o Santo Nome de Deus em ‘discursos de morte’

Leão XIV: ‘Basta com a idolatria de si mesmo, do dinheiro e da ostentação da força’ - Jornal O São Paulo
Fotos: Vatican Media

O Papa Leão XIV reuniu o mundo em oração no sábado, 11, a partir da Basílica de São Pedro com 7 mil pessoas e outras 3 mil que acompanharam pelos telões da Praça São Pedro, para invocar a paz com a força que vem da oração – por meio do Santo Terço, a partir do qual “a paz vai ganhando espaço, palavra após palavra, gesto após gesto, como uma pedra que gota a gota se fura”, explicou o Pontífice.

A reflexão sobre o poder da oração, que não é “esconderijo” e nem “anestésico” para tanta dor e injustiça, veio ao final da Vigília de Oração pela Paz, expressão “daquela fé que, segundo a palavra de Jesus, move as montanhas”, que é resposta “gratuita, universal e revolucionária à morte”.

“Obrigado por terem acolhido este convite, reunindo-se aqui, junto ao túmulo de São Pedro, e em tantos outros lugares do mundo para invocar a paz. A guerra divide, a esperança une. A prepotência oprime, o amor eleva. A idolatria cega, o Deus vivo ilumina. Caríssimos, basta um pouco de fé, uma migalha de fé, para enfrentarmos juntos, como humanidade e com humanidade, este momento dramático da história.”

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A ORAÇÃO DE TODOS ROMPE A CADEIA DEMONÍACA DO MAL

Assim como fez Cristo, cada ser humano é convidado a “elevar o olhar” para acolher a paz, mesmo diante de um mundo em que “se continua, sem direito e sem piedade, a crucificar e a aniquilar a vida”.

Leão XIV recordou as palavras de São João Paulo II, mencionando-o como “testemunha incansável da paz”, que afirmou com emoção, no contexto da crise iraquiana de 2003: “Eu pertenço à geração que viveu a 2ª Guerra Mundial e lhe sobreviveu. Tenho o dever de dizer a todos os jovens, aos que são mais jovens do que eu, que não tiveram esta experiência: ‘Nunca mais a guerra’, como disse Paulo VI na sua primeira visita às Nações Unidas’ (Angelus, 16 de março de 2003)”.

E o atual Pontífice uniu-se às reflexões do papa polonês. “A oração ensina-nos a agir. Na oração, as limitadas possibilidades humanas unem-se às infinitas possibilidades de Deus. Pensamentos, palavras e obras rompem, assim, a cadeia demoníaca do mal e colocam-se ao serviço do Reino de Deus: um Reino onde não há espadas, nem drones, nem vinganças, nem banalização do mal, nem lucro injusto, mas apenas dignidade, compreensão e perdão. Temos aqui uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo à nossa volta. Os equilíbrios na família humana estão gravemente desestabilizados. Até mesmo o Santo Nome de Deus, o Deus da vida, é arrastado para os discursos de morte.”

Leão XIV enfatizou que “quem reza não mata nem ameaça com a morte, mas tem consciência dos próprios limites. Em vez disso, é escravo da morte aquele que virou as costas ao Deus vivo, para fazer de si mesmo e do próprio poder o ídolo mudo, cego e surdo, ao qual sacrifica todos os valores e diante do qual pretende que o mundo inteiro se ajoelhe”.

“Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro! Basta com a ostentação da força! Basta com a guerra! A verdadeira força manifesta-se no serviço à vida”, enfatizou.

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AS VANTAGENS DA PAZ

Leão XIV também usou da “simplicidade evangélica” de São João XXIII para enaltecer as “vantagens da paz” que beneficiam toda a comunidade humana e das “palavras lapidares” de Pio XII que afirmava: ‘Nada se perde com a paz, mas tudo pode ser perdido com a guerra’.

O Papa também pediu a união das “forças morais e espirituais de milhões, de milhares de milhões de homens e mulheres, de idosos e de jovens que hoje acreditam na paz, que hoje optam pela paz, que cuidam das feridas e reparam os danos deixados pela loucura da guerra”. Como acontece com as crianças inocentes que sofrem nas zonas de conflito com “todo o horror e a desumanidade das ações que alguns adultos exaltam com orgulho. Ouçamos a voz das crianças!”, apelou o Pontífice.

Uma responsabilidade “inalienável que incumbe aos governantes das nações”, disse o Papa, a quem “clamamos: parem! É tempo de paz! Sentem-se às mesas do diálogo e da mediação, não às mesas onde se planeia o rearmamento e se deliberam ações de morte!”. Responsabilidade “não menos importante” também nossa, de “homens e mulheres de tantos países diferentes: uma imensa multidão que repudia a guerra, com obras, e não apenas com palavras”.

Leão XIV também exortou que todos se comprometam com a oração para invocar a paz “nas casas, nas escolas, nos bairros, nas comunidades civis e religiosas, tirando espaço à polêmica e à resignação com a amizade e a cultura do encontro. Voltemos a acreditar no amor, na moderação, na boa política”.

Na “paciência de Deus”, acrescentou o Pontífice, rezar e curar as feridas como os “artesãos de paz” citatos pelo Papa Francisco na Fratelli tutti.

Antes de Leão XIV suplicar ao Senhor “que a loucura da guerra tenha fim e que a Terra seja cuidada e cultivada por aqueles que ainda sabem gerar, guardar, amar a vida”, ele pediu que todos voltem “para casa com este compromisso de rezar sempre, sem desanimar, e de uma profunda conversão do coração. A Igreja é um grande povo ao serviço da reconciliação e da paz, que vai em frente sem titubear, mesmo quando a rejeição da lógica bélica lhe pode custar incompreensão e desprezo”.

Diante das “contínuas violações do direito internacional” que colocam em risco a dignidade das pessoas, “é desejável que cada comunidade se torne uma ‘casa de paz’, na qual se aprende a neutralizar a hostilidade por meio do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão. Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia’”.

“Irmãos e irmãs de todas as línguas, povos e nações: somos uma única família que chora, espera e se levanta. ‘Nunca mais a guerra, aventura sem retorno; nunca mais a guerra, espiral de lutos e violência’ (São João Paulo II, Oração pela paz, 2 de fevereiro de 1991).”, concluiu.

Fonte: Vatican News

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