Na manhã do domingo, 30, o quarto dia de viagem apostólica à Turquia, o Papa Leão XIV fez uma visita de oração à Catedral Apostólica Armênia, em Istambul, um dos centros religiosos mais antigos e importantes para a própria comunidade no país, além de ser uma das quatro sedes históricas da Igreja dos Armênios. Ela é representada localmente pelo Patriarca Sahak II Masalyan, que responde à autoridade espiritual máxima do Catholicos de Todos os Armênios, hoje Karekin II, em Etchmiadzin, na Armênia.
Na saudação ao Papa, Sahak II falou da “honra” e da “bênção” da presença do Pontífice para as Igrejas na Turquia e por “todos aqueles que trabalham pela unidade dos cristãos”.

‘A UNIDADE É ESSENCIAL’
O Patriarca Armênio recordou o “significado extraordinário” da visita ao país, pelos 1.700 anos do primeiro Concílio de Niceia, um aniversário que “é sagrado” sobretudo para a Igreja dos Armênios, “que abraçou o Credo Niceno com firme devoção”: “portanto, hoje o recebemos não apenas como um hóspede de honra, mas também como irmão e companheiro guardião da fé nicena”.
O povo armênio, continuou Sahak II, “não esquece os Papas que fizeram ouvir sua voz nos momentos de nosso sofrimento, que se aliaram às comunidades cristãs em perigo e que defenderam a verdade quando o mundo hesitava. Na sua pessoa, Santidade, honramos tanto a paternidade pastoral que o senhor oferece aos católicos quanto o testemunho universal que o papado oferece ao mundo”. Em meio à migração e números em declínio dos cristãos no Oriente Médio, continuou ele, “a unidade é essencial” porque “a divisão dos cristãos fere o Corpo de Cristo”.
“Nas últimas décadas, as relações entre nossas Igrejas alcançaram uma profundidade antes quase inimaginável. Por meio do diálogo, da oração comum e da amizade sincera, percorremos este caminho juntos. Sua visita hoje é um sinal poderoso de que as Igrejas estão se aproximando fraternalmente uma a outra, não como rivais. Ela diz ao mundo que a unidade dos cristãos é possível porque é a vontade de Deus”, prosseguiu o Patriarca.
O Patriarca dos Armênios, enfim, agradeceu pela visita histórica e convidou a rezar juntos pela paz duradoura em terras sangrentas e entre povos devastados pela guerra e comunidades cuja sobrevivência está ameaçada. Acima de tudo, “oremos pela unidade de todos aqueles que confessam Cristo. Que a fé nicena, professada com uma só voz há muito tempo, volte a ser um vínculo inquebrantável de fraternidade”.

A TOTAL DEDICAÇÃO DE LEÃO XIV À UNIDADE
Da sua parte, Leão XIV começou a sua saudação falando da alegria da visita no local “onde os falecidos Patriarcas Shenork I e Mesrob II, de feliz memória, receberam os meus predecessores”.
Ao cumprimentar fraternalmente Sahak II e o Patriarca Supremo Karekin II, “que recentemente me honrou com uma visita”, no Vaticano, o Papa também agradeceu a Deus “pelo corajoso testemunho cristão do povo armênio ao longo da história, muitas vezes em circunstâncias trágicas” e pelos “laços fraternos cada vez mais estreitos” que unem as duas Igrejas, recordando fatos históricos para a promoção da unidade e um mais recente com o aniversário de 1.700 anos do I Concílio Ecumênico “para celebrar o Credo Niceno”.
“É a esta fé apostólica comum que devemos recorrer para recuperar a unidade entre a Igreja de Roma e as antigas Igrejas Orientais que existia nos primeiros séculos. Devemos também inspirar-nos na experiência da Igreja primitiva para restaurar a plena comunhão, que não implica absorção ou domínio, mas uma troca dos dons do Espírito Santo recebidos pelas nossas Igrejas para a glória de Deus Pai e a edificação do corpo de Cristo (cf. Ef 4, 12). Espero que a Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais possa retomar rapidamente o seu profícuo trabalho, buscando «evidentemente juntos» um modelo de plena comunhão, como pretendia o Papa João Paulo II na sua Encíclica ‘Ut unum sint’ (95)”, disse.
Nesta jornada rumo à unidade e de “total dedicação à sagrada causa da unidade dos cristãos”, finalizou o Papa Leão XIV, “somos precedidos e circundados por uma grande ‘nuvem de testemunhas’ (Heb 12, 1). Entre os santos da tradição armênia, gostaria de recordar o grande Catholicos e poeta do século XII, Nersés IV Shnorhali, cujo 850 anos de aniversário da morte comemoramos recentemente, e que trabalhou incansavelmente para reconciliar as Igrejas, a fim de cumprir a oração de Cristo: que ‘todos sejam um só’ (Jo 17,21). Que o exemplo de São Nersés nos inspire e a sua oração nos fortaleça no caminho para a plena comunhão!”.
Fonte: Vatican News




