
Cada dia pode ser, para cada pessoa, “o início de uma vida nova, graças ao amor generoso de Deus, à sua misericórdia e à resposta da nossa liberdade”, disse o Papa Leão XIV na celebração da Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, em 1º de janeiro.
A data também marca, no calendário da Igreja Católica, o Dia Mundial da Paz. Como é tradição, na noite de 31 de dezembro, cantou-se o Te Deum durante a oração das Vésperas, na Basílica de São Pedro.
Um novo ano é uma nova oportunidade para renovar seus propósitos de fé. “Com a oração, com a santidade da vida e tornando-nos uns para os outros espelho da sua bondade”, disse o Papa, é possível fazer um caminho maduro e eficaz.
“É bom pensar assim no ano que começa: como um caminho aberto, a ser descoberto, no qual nos aventuramos, por graça, livres e portadores de liberdade, perdoados e dispensadores de perdão, confiantes na proximidade e na bondade do Senhor que sempre nos acompanha”, refletiu ele.
CONFIANÇA E LIBERDADE
No primeiro dia do ano, o Pontífice exortou: “O mundo não se salva afiando espadas, julgando, oprimindo ou eliminando os irmãos, mas sim esforçando-se incansavelmente para compreender, perdoar, libertar e acolher a todos, sem cálculos e sem medo”.
Maria é alguém que, em sua liberdade, se deixou guiar completamente pela vontade de Deus. O rosto de Maria é “o rosto que anunciou, por meio da luz alegre e frágil dos seus olhos de mãe expectante, o rosto cuja beleza contemplou dia após dia, enquanto Jesus crescia, criança, menino e jovem, em sua casa”, disse. “E que depois acompanhou, com seu coração de discípula humilde, enquanto ele percorria os caminhos da sua missão, até a cruz e a ressurreição.”
Para isso, Maria teve que “abaixar toda defesa, renunciar a qualquer expectativa, pretensão e garantia, como sabem fazer as mães, consagrando sem reservas a sua vida ao Filho que pela graça recebeu, para que, por sua vez, o doasse novamente ao mundo”.
Já na proximidade da conclusão do Ano Jubilar, o Pontífice convidou os fiéis a olhar para Cristo como Príncipe da Paz e, para o presépio, como lugar por excelência da paz “desarmada e desarmante”.
A partir desse encontro, podemos partir para o mundo “como humilde testemunhas” do seu nascimento.
‘A PAZ ESTEJA CONVOSCO’
Em sua primeira mensagem para o Dia Mundial da Paz, publicada em 8 de dezembro, Leão XIV repetiu o convite a se promover no mundo uma paz “desarmada e desarmante”, a paz que vem do Cristo Ressuscitado – a expressão que usou também em seu primeiro discurso após ser eleito Papa, em 8 de maio de 2025.
Se Cristo é nossa paz, escreveu ele na mensagem, “sua presença, seu dom, sua vitória reverberam na perseverança de muitos testemunhos, por meio dos quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos”.
Ele convidou a todas as pessoas de boa vontade a abraçar a paz não só como um dom, mas também como uma virtude e um processo.
“Quer tenhamos o dom da fé, quer nos pareça não o ter, queridos irmãos e irmãs, abramo-nos à paz! Acolhamo-la e reconheçamo-la, em vez de a considerarmos distante e impossível. Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho”, afirmou.




