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Na Páscoa, Leão XIV faz forte apelo de paz: ‘Quem tem armas nas mãos, abaixe-as!’

Na Páscoa, Leão XIV faz forte apelo de paz: ‘Quem tem armas nas mãos, abaixe-as!’ - Jornal O São Paulo
Vatican Media

“À luz da Páscoa, deixemo-nos sur­preender por Cristo!”, disse Leão XIV an­tes da Bênção Urbi et Orbi – para a cidade de Roma e para o mundo – no Domingo de Páscoa, 5. “Deixemos que o seu imenso amor por nós transforme nossos corações! Quem tem armas nas mãos, abaixe-as! Quem tem o poder de desen­cadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz imposta pela força, mas pelo di­álogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de encontrá-lo!”

São declarações que resumem o es­pírito da Semana Santa deste ano, a pri­meira do seu pontificado. A mensagem da Ressurreição de Cristo, sempre válida e sempre atual, foi apresentada como maior sinal de esperança para os nossos tempos – marcados pela dor e pela guer­ra em tantos lugares.

“Estamos nos acostumando à violên­cia, nos resignando a ela e nos tornando indiferentes”, denunciou o Pontífice. “In­diferentes à morte de milhares de pesso­as. Indiferentes às consequências de ódio e divisão que os conflitos semeiam.”

Cristo, entretanto, superou a morte “para nos doar a paz”, afirmou Leão XIV. “A paz que Jesus nos oferece não é aque­la que se limita a silenciar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós. Converta-se à paz de Cristo! Faça ouvir o clamor de paz que brota do coração”, disse. Nesse sentido, o Papa convocou para o sábado, 11, uma Vigília de Oração pela Paz, na Basílica de São Pedro.

“O homem pode matar o corpo, mas a vida do Deus do amor é vida eterna, que vai além da morte e que ne­nhum túmulo pode aprisionar. Assim, o Crucificado reinou da cruz, o anjo sentou-se sobre a pedra e Jesus apare­ceu diante das mulheres vivo, dizendo: ‘Salve!’ (Mt 28,9)”, disse, durante a Vigí­lia Pascal, no Sábado Santo, 4.

“É esta, hoje, queridos irmãos, a nos­sa mensagem ao mundo: o encontro que queremos testemunhar, com as palavras da fé e com as obras da caridade, cantan­do com a vida o ‘Aleluia’ que proclama­mos com os lábios”, acrescentou.

O VÍNCULO ENTRE A EUCARISTIA E O SACERDÓCIO

Na Quinta-feira Santa, um dia es­pecialmente marcado pelas missas dos Santos Óleos, pela manhã, e da Ceia do Senhor, à noite, início do Tríduo Pascal, o Papa fez uma escolha clara: a de en­fatizar na liturgia o vínculo inseparável entre o sacramento da Ordem e a Eu­caristia.

Ele falou aos sacerdotes de forma amorosa, mas exigente: é preciso viver a dimensão do serviço de forma integral. A missão cristã “é a mesma de Cristo” ainda hoje, afirmou, de manhã, na Ba­sílica de São Pedro: “Isso só acontece se, na Igreja, caminharmos juntos; se a missão não for uma aventura heroica de alguém, mas o testemunho vivo de um Corpo com muitos membros”.

Antes de lavar os pés de 12 sacer­dotes da Diocese de Roma, na missa da noite, celebrada na Catedral de São João de Latrão, comentou: “Aprenda­mos com Jesus esse serviço mútuo. Ele não nos pede, de fato, que retribuamos esse serviço a Ele, mas que o partilhe­mos entre nós: ‘Lavai os pés uns aos outros’ (Jo 13,14).” E continuou: “Dei­xar-nos servir pelo Senhor é, portanto, uma condição para servirmos como Ele serviu.”

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