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Papa à Igreja em Mônaco: testemunhar a fé com a alegria de Deus e caridade aos pobres

Em homilia no Estádio Louis II, durante o último compromisso público de Leão XIV no Principado de Mônaco neste sábado, 28, o apelo a dar testemunho de paz e manifestação da fé diante “do mal que se alastra e da idolatria que torna os corações indiferentes”: sejam lugar de acolhimento para os pequenos e pobres, façam as pessoas felizes também com a “autêntica alegria, que não se conquista com apostas, mas se partilha com a caridade. A fonte desta alegria é o amor de Deus”.

Papa à Igreja em Mônaco: testemunhar a fé com a alegria de Deus e caridade aos pobres - Jornal O São Paulo
Vatican Media

O Papa Leão XIV, no último compromisso público da sua segunda viagem apostólica internacional no Principado de Mônaco neste sábado, 28, presidiu missa no Estádio Louis II, antes da partida no final da tarde com o helicóptero que o levará de volta ao Vaticano. Já na chegada do local de caráter poliesportivo com capacidade para mais de 18 mil pessoas, o Pontífice usou uma golf-kart para encontrar de perto os fiéis.

Diante do mal, a eterna justiça de Deus

Na homilia, Leão XIV refletiu sobre o Evangelho de João (cf. Jo 11, 45-57) e sentença cruel contra Jesus por parte dos membros do Sinédrio e do próprio Caifás, devido aos milagres e à esperança fomentada por Cristo, que transformada “a dor do povo em alegria”. A condenação à morte, disse o Papa, “não se trata de uma fatalidade, mas de uma vontade precisa e ponderada”, é “fruto de um cálculo político, fundamentado no medo”, porque “em vez de reconhecerem no Nazareno o Messias, ou seja, o Cristo tão esperado, os chefes religiosos veem n’Ele uma ameaça”. Ao querer matar o inocente, “está o apego ao poder”, mas, também, “o meio para manifestar um supremo desígnio de amor: por mais perverso que fosse, Caifás ‘profetizou que Jesus devia morrer pela nação'”.

O Papa então explica nessa ação dois movimentos contrários: “por um lado, a revelação de Deus, que mostra o seu rosto como Senhor todo-poderoso e salvador; por outro, a ação oculta de autoridades poderosas, prontas a matar sem escrúpulos. E não é o que acontece hoje?”, refletiu Leão XIV.

“Ainda hoje, quantos planos são traçados no mundo para matar inocentes; quantas falsas razões se invocam para os eliminar! Perante a insistência do mal, porém, está a eterna justiça de Deus, que sempre nos resgata dos nossos túmulos, como aconteceu com Lázaro, e nos concede uma nova vida. O Senhor liberta da dor infundindo esperança, converte a dureza de coração transformando o poder em serviço, precisamente ao manifestar o verdadeiro nome da sua onipotência: misericórdia. É a misericórdia que salva o mundo.”

Converter escravos da idolatria em corações purificados

Como o próprio Papa Francisco nos ensinou, recordou Leão XIV, “a cultura da misericórdia rejeita a cultura do descarte”. São sempre relações com Deus e com o próximo, como refletiu o Papa sobre a primeira leitura, quando Ezequiel anunciou que a obra divina começa como libertação (Ez 37, 23) e se realiza como santificação do povo (cf. v. 28), num “itinerário de conversão”. Como libertar-se dos “ídolos”, de “tudo aquilo que escraviza o coração, que compra e corrompe”, que diminui também a mente do homem, porque “os idólatras são, portanto, pessoas de visão limitada”. 

Já Deus, que “não nos abandona nestas tentações”, socorre o homem fraco e triste”, “muda a história do mundo, chamando-nos da idolatria para a verdadeira fé, da morte para a vida”, através da santificação, “dom da graça que faz dos homens filhos de Deus, irmãos e irmãs entre si”, e não escravos uns dos outros:

“Este dom ilumina o nosso presente, pois as guerras que o ensanguentam são fruto da idolatria do poder e do dinheiro. Cada vida ceifada é uma ferida no corpo de Cristo. Não nos habituemos ao rumor das armas e às imagens da guerra! A paz não é um mero equilíbrio de forças, mas uma obra de corações purificados, de quem vê no outro um irmão a proteger, não um inimigo a abater.”

Igreja em Mônaco é chamada a dar testemunho

Ao finalizar a homilia e o último pronunciamento público na viagem internacional, o Papa enalteceu que é justamente diante do mal que se alastra e da idolatria que torna os corações indiferentes, que “o Senhor prepara a sua Páscoa” e “sustenta a nossa peregrinação e a missão da Igreja no mundo”, através da doação ao próximo à luz do Evangelho:

“A Igreja em Mônaco é chamada a dar testemunho, vivendo na paz e na bênção de Deus: por isso, caríssimos, fazei felizes muitas pessoas com a vossa fé, manifestando a autêntica alegria, que não se conquista com apostas, mas se partilha com a caridade. A fonte desta alegria é o amor de Deus: amor pela vida nascente e necessitada, que deve sempre ser acolhida e cuidada; amor pela vida jovem e idosa, a encorajar nas provações de todas as idades; amor pela vida saudável e por aquela doente que, por vezes solitária, carece sempre de ser acompanhada com atenção. Que a Virgem Maria, vossa Padroeira, vos ajude a ser lugar de acolhimento, de dignidade para os pequenos e os pobres, de desenvolvimento integral e inclusivo.”

Fonte: Vatican News

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