
Iniciando a tradicional semana ecumênica celebrada por diferentes tradições religiosas em todo o mundo, o Papa Leão XIV convidou “todas as comunidades católicas a reforçar, nestes dias, a oração pela plena unidade visível de todos os cristãos”.
Durante a oração do Angelus do domingo, 18, ele recordou: “Hoje começa a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos [no Hemisfério Norte]. As origens desta iniciativa remontam a dois séculos, e o Papa Leão XIII a encorajou muito.”
Todos os anos, na Solenidade da Conversão de São Paulo, o Papa preside a oração das Vésperas de forma ecumênica, na presença de diferentes líderes de igrejas cristãs em Roma. A celebração, que neste ano cai no domingo, 25, é organizada na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na qual, de acordo com a tradição, o corpo do apóstolo está sepultado.

UM SÓ CORPO
O tema da Semana deste ano faz referência à Carta de São Paulo aos Efésios: “Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança” (Ef 4,4). As orações e reflexões foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado pelo Departamento para as Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Armênia.
Na segunda-feira, 19, o Santo Padre comentou o tema ao receber em audiência privada uma delegação ecumênica da Finlândia, cuja visita ao Vaticano coincidiu com a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. “Essa esperança [da unidade] tem seu sólido fundamento no único batismo para o perdão dos pecados – como nos é transmitido pelo Credo Niceno-Constantinopolitano –, que é a própria raiz de toda fraternidade cristã”, recordou o Papa.
“Encorajados e fortalecidos pela graça de Jesus Cristo, que é a própria encarnação da esperança para todos, somos chamados e enviados a dar testemunho desta verdade salvadora com palavras edificantes e ações caridosas,” disse, ainda, convidando os participantes a se tornarem “portadores de esperança”, independentemente de sua tradição religiosa.

TESTEMUNHO REAL, E NÃO APARÊNCIAS
Ao refletir no Angelus sobre o Evangelho do domingo, 18, o Papa Leão refletiu sobre a figura de João Batista, o precursor de Cristo no anúncio do Reino de Deus. A humildade do testemunho dele é algo a ser imitado por todos os cristãos, disse o Pontífice.
“João reconhece em Jesus o Salvador, proclama sua divindade e missão ao povo de Israel e, então, se afasta, tendo cumprido sua tarefa”, afirmou. “Seria fácil para ele explorar sua fama, mas ele não cede à tentação do sucesso e da popularidade. Diante de Jesus, ele reconhece sua pequenez e abre espaço para a grandeza Dele.”
Da mesma forma, nós hoje temos que buscar testemunhar a vida e mensagem de Cristo, e não viver apenas de aparências, continuou o Papa. “Quão importante é para nós, hoje, o seu testemunho! De fato, muitas vezes se dá uma importância excessiva à aprovação, ao consenso, à visibilidade, a ponto de condicionar as ideias, os comportamentos e os estados de espírito das pessoas, causando sofrimentos e divisões, produzindo estilos de vida e de relacionamento efêmeros, decepcionantes e aprisionadores”, alertou.
“Na realidade, não precisamos desses ‘substitutos da felicidade’. Nossa alegria e nossa grandeza não se baseiam em ilusões passageiras de sucesso e fama, mas em saber que somos amados e desejados por nosso Pai que está nos céus.”




