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Papa em diálogo com os jovens: o que dá solidez à vida é o amor de Deus

Com um discurso inspirado em dois jovens santos, Santa Devota, padroeira de Mônaco, e São Carlos Acutis, jovem homenageado na mesma igreja, Leão XIV encontrou jovens e catecúmenos, encorajando-os ao amor de Deus que dá solidez à vida. O encontro foi em frente à Igreja de Santa Devota, na manhã deste sábado, 28 de março.

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Vatican Media

O terceiro discurso do Papa Leão XIV no Principado de Mônaco por ocasião da Viagem Apostólica foi no encontro com os jovens e catecúmenos em frente à igreja dedicada à Santa Devota. A Santa, padroeira de Mônaco, jovem mártir do ano 303 d.C. após um martírio, foi inspiração para as palavras do Pontífice, assim como São Carlos Acutis. Papa Leão iniciou recordando Santa Devota: “queriam aniquilá-la, apagar toda a sua memória, mas, em vez disso, o seu sacrifício levou ainda mais longe a mensagem de amor e paz do Evangelho”. Frisando que isso ajuda-nos a refletir sobre “como o bem é mais forte do que o mal, mesmo quando, por vezes, à primeira vista, parece ter levado a pior”. Em seguida citou outro jovem santo, São Carlos Acutis, que há alguns anos tem a sua figura honrada na mesma igreja, afirmando: “Outro jovem apaixonado por Jesus, fiel à amizade com Cristo até ao fim, embora em tempos e de formas completamente diferentes”. “Caríssimos jovens, estes dois Santos encorajam-nos e impulsionam-nos a imitá-los. Na realidade, também hoje, como foi referido, a fé enfrenta desafios e obstáculos, mas nada pode ofuscar a sua beleza e verdade”.

O que dá solidez à vida é o amor de Deus

Em seguida o Papa comentou os testemunhos dos jovens e suas perguntas, citando um jovem que quer saber como manter a “vitalidade da relação com Cristo e, nela, o sentido de unidade que se cria em nós mesmos e com os outros”. Depois de recordar as palavras do cardeal Martini, “a raiz da unidade de vida está no coração, […] é algo do coração, é um dom de Deus, a pedir com humildade”, Leão XIV refletiu: embora vivamos “num mundo que parece estar sempre com pressa, sedento por novidades, cultor de uma fluidez sem laços, marcado por uma necessidade quase compulsiva de contínuas mudanças. (…) o que dá solidez à vida é o amor: em primeiro lugar, a experiência fundamental do amor de Deus e, depois, por extensão, aquela iluminadora e sagrada do amor recíproco”. Ponderando continuou “se por um lado, amar-se requer abertura para crescer e, portanto, para mudar, por outro lado, exige fidelidade, constância e disponibilidade para o sacrifício no dia-a-dia”.

Desobstruir a porta do coração para a graça

Com o amor, continuou o Papa aos jovens, a inquietação encontra paz e o vazio interior, é preenchido não com coisas materiais e passageiras, artificiais e, por vezes, até violentas. “É preciso desobstruir a porta do coração destas coisas, para que o ar saudável e oxigenante da graça possa voltar a refrescar e revitalizar os seus espaços, e para que o vento forte do Espírito Santo possa voltar a encher as velas da nossa existência, impulsionando-a para a verdadeira felicidade”. Como conseguir tudo isso? O Papa Leão continua: “isto requer oração, momentos de silêncio e escuta, para fazer calar a agitação do fazer e do dizer, (…) e para aprofundar e saborear a beleza de estarmos verdadeira e concretamente juntos. 

Testemunhas de esperança

Em seguida o Papa esclareceu, respondendo outra pergunta de um jovem, que tudo que é válido para a vida espiritual e para a oração, se aplica à prática da caridade”, e também de “como ser testemunhas de esperança” para aqueles que, marcados pelo sofrimento, correm o risco de perder a luz e o conforto da fé. “As palavras e os gestos de testemunho e esperança não se improvisam e não provêm de nós mesmos: são oriundas de uma relação profunda com Deus, na qual encontramos, primeiramente, as respostas fundamentais da vida. Se o canal da sua ação em nós estiver livre, e se estiver aberta a troca recíproca, através da qual fazemos dessa relação de amor um dom comum e partilhado, podemos ter confiança de que, no momento oportuno, surgirão as palavras certas e a força necessária para agir”.

Não tenhais medo

Por fim, concluindo o encontro o Santo Padre ainda recomendou aos jovens: “Não tenhais medo de entregar tudo a Deus e aos irmãos: o vosso tempo, as vossas energias; de gastar-vos totalmente pelo Senhor e pelos outros. Só assim encontrareis um gosto sempre renovado e um sentido cada vez mais profundo para a vida”. Dirigindo-se aos jovens catecúmenos concluiu: “Vós sois o rosto jovem desta Igreja e deste Estado. Mônaco é um país pequeno, mas pode ser um grande laboratório de solidariedade, uma janela de esperança. Levai o Evangelho para as vossas escolhas profissionais, para o empenho social e político, no sentido de dar voz a quem a não tem, difundindo a cultura do cuidado”. Confiando todos os presentes à intercessão de Maria, nossa Mãe, Santa Devota e São Carlos Acutis.

Fonte: Vatican News

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